Safras mutantes potencializam vendas da Basf

Os produtores rurais estão usando cada vez mais radiação e químicos pra criar novas variedades de plantas com melhores rendimentos – tudo sem regulamentações

Houston - Os produtores rurais estão usando cada vez mais radiação e químicos que alteram genes para modificar as sementes, criando novas variedades de plantas com melhores rendimentos – tudo sem regulamentações.

Neste ano, o Programa de Técnicas Nucleares para Agricultura e Alimentos das Nações Unidas recebeu 39 solicitudes de serviços de radiação de melhoristas de plantas em dúzias de países, o maior número desde que começaram a ser registradas em 1977, informou o diretor do programa, Pierre Lagoda.

O grupo em Viena promove o desenvolvimento de cultivos mais “sustentáveis” irradiando-os para aumentar sua resistência a ameaças como secas, insetos, doenças e a salinidade.

O cultivo de mutações, que teve seu boom na década de 1950 com o começo da Era Nuclear, continua sendo empregado pelos desenvolvedores de sementes como a Basf SE e a Dupont Co. para criar safras para mercados que rejeitam a engenharia genética.

Os reguladores não exigem evidências de que as novas variedades sejam inofensivas. As Academias Americanas de Ciência (NAS) advertiram em 1989 e novamente em 2004 para a falta de justificativa científica de regular os cultivos geneticamente modificados e aprovar os produtos do cultivo de mutações.

“As NAS acertaram em cheio. Não acredito que nenhum científico de plantas ou cultivos discorde”, disse Kevin M. Folta, geneticista molecular e presidente interino do departamento de horticultura da Universidade de Florida. “A criação de mutações é certamente a menos previsível”.

Riscos à saúde

O aumento do cultivo de mutações cria dúvidas quanto à sua integridade e segurança comparadas à engenharia genética, uma técnica regulada e utilizada por companhias como a Monsanto Co. que envolve a transferência de genes específicos de uma espécie à outra.


A soja Roundup Ready, da Monsanto, um sucesso nos EUA e no Brasil, não pode ser cultivada na União Europeia, onde os governos nacionais citaram a preocupação pelos riscos para a saúde e para o meio ambiente.

Pelo contrário, a mutação genética apaga e rearranja centenas ou milhares de genes aleatoriamente. A técnica emprega um processo artificial que imita com maior intensidade o que a radiação solar tem feito com milhares de plantas e animais por milênios, criando mutações que às vezes são benéficas e às vezes daninhas para o organismo.

Menos obstáculos

Contudo, a mutagênese está virando mais popular por ser uma forma muito mais barata de transferir novas características às safras do que os entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões pagos por companhias como a Monsanto para obter um novo organismo geneticamente modificado (OGM). Aos cultivos mutantes também não se exigem categorizações nem se impõem obstáculos regulatórios na maioria do mundo.

“Em se falando praticamente, a biotecnologia e os cultivos estão convergindo”, afirmou em uma entrevista o presidente da Monsanto, Robb Fraley, acrescentando que a Monsanto usa “um pouco” de mutagênese.

Contudo, para alguns cientistas há uma clara distinção entre a mutagênese e a criação de OGMs. Estes têm mais probabilidades de serem seguros, pois os reguladores exigem aos cultivadores que documentem por que quaisquer proteínas novas não causarão problemas de saúde como alergias, explica Alan McHughen, geneticista molecular na Universidade de Califórnia em Riverside.

As NAS e outras instituições científicas exortaram os EUA a adotarem um sistema mais similar ao canadense, onde se examina a segurança das novas características alimentares independentemente do método utilizado para criá-las.

Nos EUA, onde somente os OGMs devem passar por um processo de aprovação, o Departamento de Agriculura publicou um memorando neste ano que verificou que os cultivos criados mediante a mutagênese são aceitáveis até para a agricultura orgânica.

“As regulamentações atuais constituem um enorme incentivo para voltar a se fazer as coisas como antes”, incluindo a mutagênese, afirmou em entrevista por telefone Wayne Parrott, professor de ciência de cultivos na Universidade de Geórgia em Athens.

“Simplesmente porque, mesmo criando um monte de genes e mudanças desconhecidas, não está regulamentada”.

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