Objetivo central é que não falte água, diz Sabesp

"Temos uma companhia eficiente, que não visa lucro, mas usa de seu status de empresa para obter financiamentos mais baratos", disse presidente da companhia

São Paulo - Pressionada por vereadores paulistanos sobre a distribuição de lucros da Sabesp, a presidente da companhia, Dilma Pena, disse nesta quarta-feira, 15, que o objetivo central da companhia não é gerar lucro, mas que não falte água.

"Temos uma companhia eficiente, que não visa lucro, mas usa de seu status de empresa para obter financiamentos mais baratos", disse a executiva, procurando defender a Sabesp das acusações de que a administração financeira como vem sendo conduzida se chocaria com a sustentabilidade do recurso hídrico e com a ideia de que o abastecimento de água é um serviço público fundamental.

Depois, questionada sobre sua declaração de que a Sabesp "não visa lucro", Dilma esclareceu que se referiu ao fato de que a missão da companhia inclui item que diz que não pode faltar água.

"Essa é a primeira premissa da Sabesp, e fazemos tudo pra que não falte", disse.

Conforme levantamento apresentado pelo vereador Nabil Bonduki (PT), nos últimos 10 anos, de 2003 a 2013, do lucro total de R$ 13,1 bilhões, R$ 5,3 bilhões foram distribuídos em dividendos.

Dilma Pena lembrou que pela Lei das S/As pelo menos 25% do lucro deve ser distribuído e comentou que a maior parte dos ganhos observados pela empresa tem sido retida para realização de investimentos.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Rui Affonso, também presente na reunião da CPI, disse que 70% do total de lucro registrado pela companhia foi retido nos últimos 10 anos, visando investimentos, enquanto outros 30% foram distribuídos para acionistas - sendo que o governo de São Paulo é o principal beneficiário da distribuição, já que detém 50,3% de participação da companhia.

"Ou seja, ou o lucro da Sabesp se traduz em investimento ou em investimento público", disse.

Dilma completou que de 2007 até agora a Sabesp triplicou os investimentos.

"Não fossem esses investimentos feitos, a situação (do abastecimento na Grande São Paulo) seria muito mais grave."

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