Suplementos alimentares: expansão do mercado aumenta a busca por segurança, qualidade e transparência. (NSF /Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 17h43.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 18h07.
O setor brasileiro de suplementos alimentares vive uma transformação. Antes procurados principalmente por atletas e praticantes de atividade física, agora fazem parte da rotina diária de consumidores de todas as idades interessados em saúde, longevidade e bem-estar. Proteínas, vitaminas, creatina e outros suplementos passaram a integrar um mercado mais amplo, diverso e competitivo.
O movimento acompanha uma tendência global. Segundo relatório da Future Market Insights (FMI), o mercado mundial de suplementos alimentares movimentou US$ 40 bilhões em 2025. No Brasil, a expectativa é de crescimento médio anual de 6,5% entre 2026 e 2036.
No entanto, com mais opções disponíveis, escolher um produto de melhor qualidade também se tornou uma tarefa mais complexa. Em um segmento no qual diferentes marcas e fórmulas apresentam benefícios semelhantes, os consumidores devem avaliar não apenas o que está escrito no rótulo, mas quais processos e controles sustentam essas informações.
“Hoje, o mercado é muito mais amplo. Esse movimento é positivo, mas também traz riscos, porque nem sempre o consumidor consegue diferenciar um produto do outro”, afirma Fabiane Zanoti, diretora executiva da NSF para a América Latina.
Confira, a seguir, a entrevista completa.
O crescimento do mercado de suplementos alimentares aumentou a expectativa por transparência. Segundo pesquisa da Minds & Hearts, 77% dos brasileiros já deixaram de comprar suplementos pelo menos uma vez por falta de informações sobre segurança ou eficácia.
Esse dado indica que preço, formulação e efeito já não são os únicos critérios considerados pelos consumidores. A capacidade de mostrar como o produto é fabricado, testado e controlado também passou a influenciar a decisão de compra, a reputação das marcas e sua competitividade.
Nesse cenário, a transparência vai além do simples fornecimento de informações adicionais na embalagem. Também envolve demonstrar que as alegações feitas pela marca estão apoiadas em práticas verificáveis, da seleção dos fornecedores aos controles de produção e aos testes realizados antes de o produto chegar às prateleiras dos varejistas.
"O consumidor está cada vez menos disposto a confiar apenas no que está escrito na embalagem. Ele quer sinais de que aquelas informações foram verificadas de forma independente. Esse é um movimento importante para o amadurecimento do setor. Para os fabricantes, a avaliação de terceiros contribui para fortalecer processos, reduzir riscos, estabelecer uma concorrência mais justa, além de promover uma cultura de prevenção. Para os consumidores, traz mais transparência e confiança na decisão de compra", afirma Zanoti.
Para o consumidor, o desafio é reconhecer quais informações são sustentadas por esses processos e quais se limitam ao discurso de marketing. Avaliações independentes ajudam a reduzir essa distância e oferecem novos critérios para comparar produtos que, à primeira vista, parecem semelhantes.
A transformação do setor também aparece no ambiente regulatório. Desde setembro de 2024, a RDC 843/2024 estabelece novas regras para a regularização de alimentos e embalagens no país. Entre elas está a obrigatoriedade de notificação dos suplementos alimentares à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Com a nova sistemática, a Anvisa poderá estruturar uma base nacional de informações sobre suplementos e reforçar a fiscalização pós-comercialização, por meio de inspeções, auditorias e outras ações.
As empresas que comercializavam produtos pelo modelo anterior, baseado na comunicação de início de fabricação ou importação aos órgãos locais de vigilância sanitária, têm até 1º de setembro de 2026 para se adequar.
Na avaliação de Zanoti, a mudança faz parte da profissionalização da indústria. Mais do que responder às novas exigências, os fabricantes precisam incorporar os controles à operação. A revisão prévia dos processos pode identificar falhas e reduzir riscos como recolhimentos de produtos, interrupção das vendas, retrabalho e danos à reputação.
Fabiane Zanoti, diretora executiva da NSF para a América Latina (NSF /Divulgação)
A confiança do consumidor começa a ser construída antes de o suplemento chegar à prateleira. Depende de processos, controles e boas práticas mantidos ao longo de toda a cadeia produtiva.
É nesse ponto que os 80 anos de atuação global da NSF colaboram para ir além. Em um mercado cada vez mais competitivo e regulado, fabricantes precisam demonstrar que suas alegações são sustentadas por processos consistentes, rastreáveis e auditáveis. A NSF atua justamente apoiando as empresas na construção desses processos e na avaliação independente dos controles implementados ao longo da cadeia, por meio de serviços de consultoria, testes, inspeção e certificação nas áreas de alimentos, água e bem-estar. A certificação aparece ao fim desse percurso como uma evidência visível das práticas adotadas pela empresa.
Entre as certificações oferecidas está a 229BR - Conteúdo Certificado, desenvolvida para o mercado brasileiro de suplementos alimentares com base no modelo internacionalmente reconhecido da NSF. O processo avalia tanto as condições de fabricação quanto a correspondência entre as informações declaradas no rótulo e a composição segura e efetiva do produto.
Para obter a certificação, o fabricante deve passar por auditorias que analisam aspectos como rastreabilidade, seleção de fornecedores, organização da produção, procedimentos de limpeza e prevenção de contaminação cruzada. Os produtos também são submetidos a testes laboratoriais para verificar sua composição e identificar possíveis contaminantes.
Depois da aprovação, o selo pode ser aplicado às embalagens. A manutenção da certificação, no entanto, depende de auditorias e análises periódicas. Essa continuidade é importante porque a confiança não pode se apoiar em uma verificação isolada, mas na capacidade de preservar os mesmos padrões ao longo do tempo.
Para fabricantes, distribuidores e varejistas, a certificação permite demonstrar que as informações apresentadas ao mercado estão apoiadas em controles avaliados de forma independente. Para o consumidor, oferece um símbolo visível de um trabalho que dificilmente poderia ser conferido no momento da compra.
O selo de certificação da NSF representa um processo que começa na fábrica, inclui auditorias e testes e precisa ser mantido ao longo do tempo. Em um mercado onde a confiança deixou de ser apenas um desejo para se tornar uma necessidade, a certificação ajuda a transformar a qualidade e a transparência em algo que pode ser comprovado.