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Quem é o cubano que comandou Walmart e Odebrecht e agora assume a Ri Happy

Héctor Núñez participa do controle da BluSun, nova proprietária da varejista de brinquedos, e voltará a liderar a companhia após seis anos

Héctor Núñez: executivo compra a Ri Happy e assume a presidência (divulgação/Divulgação)

Héctor Núñez: executivo compra a Ri Happy e assume a presidência (divulgação/Divulgação)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 17h56.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 17h59.

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Héctor Núñez está de volta à Ri Happy. Seis anos depois de deixar a presidência da varejista, o executivo cubano participou da compra da companhia e assumirá novamente sua gestão — desta vez, também como integrante da estrutura de controle.

A aquisição foi feita pela BluSun Capital Partners, companhia brasileira de capital fechado da qual Núñez faz parte. A empresa anunciou nesta segunda-feira, 31, a compra de 100% do Grupo Ri Happy, dono das redes Ri Happy e PBKids. O valor da operação e o tamanho da participação do executivo não foram divulgados.

Nascido em Cuba e criado nos Estados Unidos, Núñez chegou ao Brasil em 1993 para trabalhar na locadora de veículos Hertz. Desde então, passou pela fabricante de sucos Del Valle e pela Coca-Cola, comandou o Walmart Brasil, presidiu a Ri Happy por mais de oito anos e assumiu a liderança da Novonor, antiga Odebrecht.

O executivo também atuou como consultor do Carlyle para os setores de varejo e bens de consumo e integrou conselhos de grandes companhias. Agora, retorna ao varejo de brinquedos não apenas como um gestor contratado, mas como um dos integrantes do grupo que controlará o negócio.

De Cuba ao comando de grandes empresas

Núñez nasceu em Cuba e mudou-se com a família para os Estados Unidos nos anos seguintes à revolução liderada por Fidel Castro.

Formou-se em administração de empresas pela Universidade da Pensilvânia e começou a trajetória profissional no mercado americano. A chegada ao Brasil ocorreu em 1993, quando foi trazido pela Hertz para trabalhar na operação brasileira da locadora.

Depois, passou pela Del Valle e pela Coca-Cola. Na multinacional de bebidas, ficou responsável pela área de novos negócios em um período no qual a companhia investia na diversificação de sua atuação.

A experiência acumulada na indústria chamou a atenção do Walmart, que buscava executivos de fornecedores para reforçar sua operação. Núñez assumiu a presidência da companhia no Brasil em julho de 2006 e permaneceu no cargo até setembro de 2010.

Após deixar a varejista, trabalhou por cerca de um ano e meio como consultor do Carlyle para os setores de varejo e bens de consumo.

Núñez assumiu a presidência da Ri Happy em 2012 e permaneceu no cargo até julho de 2020, uma passagem de oito anos e seis meses.

Durante parte desse período, também integrou o conselho da RD, dona das redes Raia e Drogasil. Sua trajetória inclui ainda uma passagem pelo conselho da Vulcabras.

A experiência anterior na Ri Happy foi um dos pontos destacados pela BluSun ao anunciar a aquisição. Segundo a companhia, o conhecimento acumulado pelo executivo permitirá conduzir o negócio com uma perspectiva de longo prazo.

O que muda na Ri Happy

A chegada de Núñez encerra o ciclo de Thiago Rebello como presidente. O executivo estava na Ri Happy havia quase quatro anos e assumiu o comando da empresa em 2024.

Durante sua gestão, a varejista fechou o centro de distribuição, transferiu o envio dos pedidos digitais para as lojas e começou a reduzir o espaço destinado ao estoque para incorporar serviços de entretenimento infantil.

A empresa apresentou neste ano o projeto Reset, que prevê brinquedotecas, cafés, salas de jogos e áreas para festas dentro das unidades. Nas 13 lojas convertidas, o estoque caiu 9%, enquanto as vendas por metro quadrado cresceram 77%, segundo a companhia.

A Ri Happy soma 293 lojas. São 244 unidades da marca principal, das quais 163 próprias e 81 franquias, além de 49 lojas da PBKids, sendo 42 próprias e sete franqueadas.

A BluSun ainda não detalhou se manterá integralmente a estratégia iniciada pela gestão anterior. A prioridade imediata será executar o principal período comercial do varejo de brinquedos, formado por Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

Paralelamente, o novo controlador começará a planejar a próxima etapa de desenvolvimento da empresa, com foco na experiência do cliente. Será a segunda passagem de Núñez pelo comando da Ri Happy — desta vez, também como um de seus donos.

Acompanhe tudo sobre:Ri Happy

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