Karine Barros, diretora executiva comercial e de produtos da Tecban (Tecban/Divulgação)
Diretora Executiva Comercial e de Produtos da Tecban
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 14h37.
Última atualização em 1 de setembro de 2026 às 11h25.
A digitalização dos serviços financeiros transformou profundamente a forma como os brasileiros acessam o sistema bancário. Esse avanço, no entanto, não eliminou a relevância da infraestrutura física, sobretudo em um país marcado por desigualdades regionais, diversidade socioeconômica e desafios persistentes de conectividade.
Hoje, a jornada do consumidor combina pagamentos instantâneos, saques, depósitos e diferentes soluções de autoatendimento distribuídas entre múltiplos canais. Nesse cenário, integrar o físico e o digital deixa de ser apenas uma evolução tecnológica e passa a representar uma alternativa para ampliar eficiência operacional, acesso e inclusão financeira.
O Brasil figura entre os mercados mais avançados em digitalização financeira. O celular tornou-se o principal ponto de interação: 61% dos consumidores brasileiros usaram o smartphone em sua última compra, seja online ou em loja física, segundo levantamento da Visa Acceptance Solutions.
Ao mesmo tempo, a evolução digital convive com desafios estruturais. Dados do IBGE indicam que cerca de 20,5 milhões de brasileiros — 10,9% da população com 10 anos ou mais — não utilizam a internet por falta de acesso, custo ou dificuldade de uso. Essa realidade evidencia que uma parcela significativa da população ainda depende de canais presenciais para operações básicas.
Pagamentos digitais, cartões, dinheiro em espécie, redes de autoatendimento e soluções baseadas em inteligência artificial cumprem funções complementares. O consumidor já não enxerga canais isoladamente. Ele espera continuidade, conveniência e consistência na experiência, independentemente do ponto de contato escolhido.
A transformação digital tem levado as instituições financeiras a redefinirem seus modelos de atendimento.
Esse movimento acompanha uma tendência global de reorganização e não sinaliza o fim do atendimento presencial, mas sua adaptação a um modelo mais distribuído de forma estratégica. Além da expansão digital, algumas instituições têm avaliado ou adotado novos formatos, como a gestão compartilhada de infraestrutura de autoatendimento. Bancos como Banrisul, Banco do Nordeste e Banestes investem nessas soluções para manter pontos de acesso próximos à população com menor custo fixo.
Em um país de dimensões continentais, a infraestrutura física permanece essencial para garantir confiança e capilaridade. Redes de autoatendimento e equipamentos compactos em estabelecimentos comerciais aproximam os serviços financeiros do cotidiano das pessoas, demonstrando que os canais físico e digital são complementares.
A integração multicanal gera benefícios diretos para usuários e instituições. Para o consumidor, significa autonomia, continuidade de experiência e liberdade de escolha. Já para o setor financeiro, promove eficiência, novos modelos de negócio e maior cooperação entre agentes por meio de redes interoperáveis.
A agenda regulatória acelera esse movimento. Iniciativas como o Open Finance ampliam a portabilidade de dados, personalização de serviços e protagonismo do cliente nas decisões financeiras. Nesse contexto, o ponto físico deixa de ser apenas um local transacional e assume papel complementar de proximidade, suporte e inclusão.
O sistema financeiro avança para um modelo em que as fronteiras entre físico e digital se tornam cada vez menos perceptíveis. Saques, depósitos e pagamentos passam a compor uma jornada única, fluida e centrada no usuário.
O desafio das instituições não está em escolher entre canais, mas em conectá-los de forma inteligente para atender uma sociedade simultaneamente conectada e diversa. A discussão sobre modelos híbridos é fundamental para garantir um sistema financeiro mais acessível, eficiente e preparado para o futuro.