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Norte-americana compra startup mineira que ajuda a fazer apps de IA e investirá R$ 100 milhões no BR

Investimento será na contratação de pessoas, infraestrutura e pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial

Gabriel Almeida e Rodrigo Nader, da Logspace: empresa continuará funcionando em estrutura independente

Gabriel Almeida e Rodrigo Nader, da Logspace: empresa continuará funcionando em estrutura independente

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 9 de abril de 2024 às 15h00.

Última atualização em 9 de abril de 2024 às 16h11.

Nas mesas de negociações, nas salas dos congressos, nos times de tecnologia da informação, o assunto numa empresa costuma ser o mesmo há pelo menos um ano: inteligência artificial.

A Logspace, uma empresa de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, percebeu isso, e se movimentou rapidamente para atender uma demanda que começava a nascer e ganhar força, principalmente com a popularização de plataformas como o ChatGPT, da OpenAI.

A empresa, fundada pelos mineiros Rodrigo Nader e Gabriel Almeida em 2022, desenvolveu a Langflow, uma plataforma que permite às companhias criarem aplicativos de inteligência artificial. Na prática, se um negócio precisa de um sistema de inteligência artificial generativa, ele não precisa desenvolvê-lo do zero. Pode usar a aplicação da Langflow para isso.

O tema está tão aquecido que pouco mais de um ano após lançar a ferramenta, que já foi usada por 16.000 desenvolvedores, a Logspace acaba de ser comprada pela DataStax, uma empresa dos Estados Unidos especializada no mercado de servidores e de bancos de dados.

O valor da negociação não foi informado, mas a DataStax anunciou que investirá cerca de 100 milhões de reais no Brasil nos próximos três a cinco anos. Utilizando a plataforma brasileira, a companhia norte-americana mira a liderança global no desenvolvimento de aplicativos de inteligência artificial.

O investimento será em:

  • contratação de pessoas
  • infraestrutura
  • pesquisa e desenvolvimento de inteligências artificiais

Por que a norte-america quis comprar a empresa brasileira

A aquisição da Logspace segue um movimento de aumento de demanda pelo uso da plataforma da empresa pelo mundo. Para se ter uma ideia, dos 16.000 desenvolvedores que já usavam a plataforma, a mairoia ficava nos Estados Unidos, especialmente no Vale do Silício. A solução também é usada em países como Alemanha e Índia.

Com a compra, a DataStax pretende acelerar o desenvolvimento de novas ferramentas de inteligência artificial para o mercado global, impulsionando a adoção da IA generativa em diversas indústrias. O time do Langflow continuará desenvolvendo a plataforma independentemente.

"A parceria entre Logspace e DataStax visa a exploração de soluções que tornem a inteligência artificial mais acessível e integrada ao cotidiano das empresas e dos usuários", diz o CEO da Logspace, Rodrigo Nader. Segundo ele, a aquisição pela DataStax não só valida a importância da inovação brasileira no setor de tecnologia, como também sinaliza um futuro promissor para o desenvolvimento de IA no Brasil.

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"Somos pesquisadores, desenvolvedores e 'hackers' de coração", afirma. "Gerir a empresa até agora foi bastante intenso: lidamos com tudo, desde sessões de código até orçamentos e apresentações. Com a DataStax estaremos livres para focar 100% dos nossos esforços em expandir o Langflow e validar nossas ideias".

Antes de fundar a Logspace, Rodrigo Nader e Gabriel Almeida já haviam trabalhado juntos em desafios de ciência de dados. Com capital próprio, lançaram a Langflow, uma das primeiras ferramentas open source de low code para a criação de aplicativos de IA generativa.

A DataStax já captou, desde a sua fundação em 2010, mais de 308 milhões de dólares - cerca de 1,5 bilhão de reais - em oito rodadas de investimento, tendo gestoras como o Goldman Sachs Investments Partners entre elas.

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