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A preocupação ambiental, a gestão de custos e a pauta ESG fizeram com que as empresas se movimentassem para entender o que produzem de resíduo - e para onde ele vai.

Se até há poucos anos, algumas gigantes listadas em bolsas sequer sabiam quanto lixo produziam, agora quase toda grande (e, por que não, média e pequena) empresa tem uma gestão mais consciente dos seus resíduos.

Isso pode ser atestado pelos números de mercado em constante crescimento. Mundialmente, o mercado de gestão de resíduos deve crescer de 1,3 trilhão de dólares em 2023 para cerca de 2 trilhões de dólares em 2030 -- numa escalada anual de 5%. 

Foi essa oportunidade que o mineiro Guilherme Arruda identificou em 2017 para criar a Vertown, startup que oferece uma plataforma para indústrias fazerem gestão de resíduos. Pelo dashboard da Vertown, é possível ver quantas toneladas cada indústria produz de resíduo, para onde ele é destinado e se tudo está sendo feito conforme a legislação. 

Hoje, a Vertown atende 100 empresas que, juntas, possuem mais de 2.000 unidades fabris. Mas quer crescer mais, e multiplicar por dez o faturamento em três anos. Para isso, acaba de receber um aporte de 7 milhões de reais com os fundos de Corporate Venture Capital (CVC) Açolab Ventures, da indústria de aços ArcelorMittal, e Irani Ventures, da indústria de embalagem Irani.

"No Brasil hoje, ainda mais de 40% dos resíduos são destinados de forma incorreta e a legislação, apesar de estar melhorando e ficando cada vez mais restritiva, ainda não é tão aplicada”, diz Arruda. “Hoje o gerador é responsável pelo resíduo em todo o seu ciclo de vida, e a nossa tecnologia garante toda a rastreabilidade do processo, incluindo indicadores e gráficos para que as empresas consigam acompanhar e melhorar seu processo desde a geração até a destinação do resíduo", destaca o CEO,  Guilherme Arruda.

Ele cita como exemplo uma indústria alimentícia que pagava para descartar em aterro parte de seus resíduos animais. Com a Vertown, conseguiram quantificar isso, dar valor e substituir o descarte para a venda a indústrias de rações. 

Somente em 2023, a Vertown fez a gestão de mais de 6,7 milhões de toneladas de resíduos. O faturamento, porém, não é divulgado. 

Como o aporte será usado

Esse é o segundo aporte que a mineira Vertown recebe. O primeiro foi no início da operação, por um investidor-anjo. 

Com os 7 milhões de reais de agora, a startup irá acelerar sua estratégia de crescimento e criar novos produtos para auxiliar na redução de emissões de CO2 e custos em todo o processo de gestão de resíduos. Também vão investir em marketing para ficarem mais conhecidos e numa máquina de vendas. A meta é crescer 10 vezes em três anos.

Para a Açolab Ventures, fundo da produtora de aço que liderou a rodada, o  investimento na Vertown está alinhado com a ideia da criação do CVC, que é destinar recursos a startups com visões semelhantes de futuro do que as das ArcelorMittal,  e com solução validada que, de alguma maneira, enriqueça a cadeia de valor do aço. 

Até o momento, o Açolab Ventures, que é gerido pela Valetec Capital, investiu em outras quatro startups: 

  • Agilean (construção)
  • Modularis Offsite Building (construção)
  • Sirros (focada em IoT)
  • Beenx (energia)

“No total, mais de 1.400 startups e empresas pequenas já foram avaliadas”, diz Rodrigo Carazolli, gerente geral de inovação e Açolab da ArcelorMittal. “Ao todo, serão desembolsados, até 2025, mais de 100 milhões de reais e a meta da companhia é chegar em 10 a 15 startups e empresas investidas”.

Já para a Irani, o aporte foi motivado pelos pilares de sustentabilidade e inovação. Segundo o diretor de Pessoas, Estratégia e Gestão da Irani, Fabiano Alves de Oliveira, os motivos práticos que levaram a empresa a receber o aporte foram:

  • promover a economia circular
  • ampliar geração de renda 
  • reduzir ao máximo de danos ambientais

Qual a história da Vertown

Por trás da Vertown está o mineiro Guilherme Arruda. Formado na área de tecnologia, ele abriu a primeira startup em 2010, desenvolvendo livros infantis digitais. 

“Fazíamos livros interativos, e o negócio deu certo, conseguimos licença até de grandes personagens, como o Scooby Doo”, diz.

Mas o que funcionava na criatividade, não dava certo na ponta do lápis. As contas não fechavam e o pouco conhecimento administrativo fizeram com que a empresa fechasse. “Nós gastávamos 30.000 dólares para fazer um livro e vendíamos por 5.000 reais, não conseguimos manter a operação”. 

O mosquito do empreendedorismo, porém, já tinha picado o empreendedor. Depois da empreitada com livros infantis, fez um aplicativo de contabilidade e outro para ajudar psicólogos a trabalharem com crianças. 

Entre 2016 e 2017, conheceu uma consultoria na área ambiental que ajudava as empresas a ganharem a certificação ISO 14001, que atestava as boas práticas na gestão de resíduos. Foi quando teve a ideia de fazer essa plataforma para facilitar a vida das companhias. 

“Meu pai trabalha já trabalhava com resíduo há 30 anos”, diz. “Foi a ideia inicial e de lá para cá, escalamos o produto e demos novas funcionalidades”. 

Hoje é possível fazer toda rastreabilidade desse resíduo pelo dashboard da Vertown, garantindo que ele terá a destinação correta. No mundo das ideias, o plano da startup é deixar o “mundo sem nenhum lixo”. Com esse aporte de agora, dão mais um passo nesse caminho. 

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