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Empresa de viagens corporativas mira R$ 2,3 bilhões com expansão na América Latina

A Onfly, criada a partir de uma dor com reembolsos, amplia serviços e aposta em novos mercados para sustentar o crescimento

Marcelo Linhares, fundador da Onfly: 'Uma vez que a empresa entra no movimento de digitalização, não retorna ao modelo analógico. Hoje, vemos esse mercado avançando cada vez mais nessa direção' (Divulgação)

Marcelo Linhares, fundador da Onfly: 'Uma vez que a empresa entra no movimento de digitalização, não retorna ao modelo analógico. Hoje, vemos esse mercado avançando cada vez mais nessa direção' (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 08h02.

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O turismo de negócios movimentou R$ 8,4 bilhões entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Viagens Corporativas (Abracorp).

Uma empresa brasileira, que apostou nesse setor em 2018, espera movimentar R$ 2,3 bilhões durante o ano de 2026. Trata-se da Onfly, plataforma de viagens corporativas que oferece de passagens a cartões corporativos.

A aposta para crescer está na diversificação de serviços e na expansão internacional, que começou, em 2025, pelo México.

Como surgiu a Onfly

Quando trabalhava em uma companhia de sapatos, Marcelo Linhares passava por uma dificuldade quando precisava realizar viagens corporativas. Era preciso enviar os gastos em um sistema de reembolso ultrapassado e lento.

“Eu preenchia uma planilha e rezava para o dinheiro cair. Às vezes, isso só acontecia três meses depois”, lembra o empreendedor.

Além da dificuldade, o processo era pouco seguro. Ele conta que, uma vez, uma colaboradora comprou passagens para uso pessoal durante meses até que perceberam o erro.

Decidiu, então, criar uma empresa que resolvesse esse problema. Nascia a Onfly, em 2018.

Começou criando uma plataforma que permitia a compra de passagens aéreas, relacionadas às políticas de viagem das empresas. Aos poucos, a empresa foi expandindo e adicionando novas opções de transporte, como carros e ônibus.

Novos serviços também surgiram, como o cartão corporativo, que permite aos colaboradores realizar gastos durante a viagem de acordo com as políticas previamente cadastradas.

Em 2019, a empresa movimentou R$ 7,5 milhões. O valor chegou a R$ 45 milhões, em 2021. No ano passado, a empresa alcançou R$ 1,3 bilhão em movimentação e, para 2026, a expectativa é movimentar R$ 2,3 bilhões.

“É um mercado que não volta atrás. Uma vez que a empresa entra no movimento de digitalização, não retorna ao modelo analógico. Hoje, vemos esse mercado avançando cada vez mais nessa direção”, afirma Linhares.

Como funciona a plataforma

Hoje, a Onfly concentra em uma única plataforma a gestão de viagens corporativas, permitindo que empresas estabeleçam políticas de viagem e regras de aprovação. Na prática, o colaborador pode pesquisar e reservar uma passagem dentro dos parâmetros definidos pela companhia, enquanto gestores acompanham e aprovam as solicitações quando necessário.

“A ideia é que os sistemas corporativos não deveriam ser complexos”, afirma. Segundo ele, a plataforma busca incorporar práticas de experiência do usuário presentes em ferramentas digitais de uso cotidiano.

A solução também reúne serviços que fazem parte da jornada após a reserva, como alterações, remarcações e reembolsos. Além da gestão de viagens, a Onfly oferece recursos como cartão corporativo e funcionalidades voltadas à gestão de frotas. A plataforma pode ser configurada de acordo com as necessidades de cada empresa, que pode trabalhar com diferentes políticas e níveis de aprovação.

Como a Onfly quer crescer

Nos últimos anos, o crescimento foi impulsionado pela variedade de serviços e, recentemente, pela expansão internacional. Apenas este ano, a empresa prevê um crescimento de cerca de 77%, chegando a R$ 2,3 bilhões em GMV, ante R$ 1,3 bilhão em 2025.

A empresa vem ampliando a plataforma para além da reserva de viagens, o que impulsiona o crescimento. Entre os lançamentos recentes citados está uma solução que calcula e prevê gastos de viagens corporativas, além de uma plataforma de benefícios corporativos, desenvolvida para complementar a jornada de quem viaja a trabalho. A proposta é que o colaborador que viaja a trabalho também tenha acesso a benefícios para suas viagens a lazer.

O cartão corporativo também ganhou espaço na estratégia: segundo Linhares, o produto cresce 120% ao ano e deve movimentar quase R$ 600 milhões em 2026.

“Começamos a juntar essas soluções para resolver mais dores do cliente e gerar mais valor ao longo da jornada”, diz Linhares.

A atuação também é “agnóstica de setor”: a Onfly atende companhias de diferentes áreas, como saúde, construção e tecnologia, sem depender de um único mercado para ampliar sua base de clientes.

A empresa também começou sua expansão internacional em 2025. O México foi o primeiro país da estratégia de internacionalização. “Lá, a jornada de compra é diferente: há passagens em que a bagagem não está incluída, e o cliente precisa adicionar esse serviço, por exemplo. Tivemos que entender essas particularidades e adaptar a plataforma.”

Com as adaptações, o crescimento foi orgânico em um mercado que, segundo o fundador, ainda não contava com plataformas voltadas às viagens corporativas. Desde a chegada ao país, são 120 empresas atendidas pela Onfly, além de R$ 11 milhões movimentados no país no último ano.

Para os próximos anos, a expansão acontece pela Colômbia e Argentina. A empresa está mapeando e organizando as adaptações necessárias e os trâmites burocráticos para começar a atender clientes nesses países nos próximos anos. A ideia é começar pela base de clientes brasileiros que também possuem filiais nesses locais.

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