Negócios

Justiça no Pará determina que mineradora corte produção pela metade

A Hydro Alunorte é investigada pelo vazamento de efluentes tóxicos em um rio na cidade de Barcarena, no Pará

Alunorte: empresa foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado e tem processos abertos pelo Ministério Público Federal no estado para apurar o episódio (Ricardo Moraes/Reuters)

Alunorte: empresa foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado e tem processos abertos pelo Ministério Público Federal no estado para apurar o episódio (Ricardo Moraes/Reuters)

AB

Agência Brasil

Publicado em 1 de maio de 2018 às 14h31.

A Justiça Federal no Pará determinou ontem (30) que a mineradora norueguesa Hydro Alunorte suspenda parcialmente as atividades. Na decisão, o juiz federal Arthur Pinheiro Chaves estabeleceu que a produção da mineradora deve ser reduzida a 50% da média dos últimos 12 meses.

A Hydro Alunorte é investigada pelo vazamento de efluentes tóxicos em um rio na cidade de Barcarena, no Pará. A empresa foi autuada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado e tem processos abertos pelo Ministério Público Federal no estado para apurar o episódio e a responsabilidade dela.

A decisão inclui o veto ao uso de um dos depósitos onde são colocados resíduos sólidos das atividades de extração da mineradora. A multa diária em caso de descumprimento das determinações corresponde a R$ 1 milhão.

A decisão atendeu a uma medida cautelar ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará visando à mitigação dos efeitos do vazamento de resíduos tóxicos na região, conhecida como Comunidade Bom Futuro. Em vistorias, o MPF encontrou tubulações clandestinas para despejo de efluentes no rio próximo à fábrica, entre outras irregularidades.

O juiz federal Arthur Chaves comentou, na decisão, que há indícios de contaminação de rios e bacias na cidade de Barcarena em decorrência do vazamento dos resíduos industriais da mineradora. O magistrado afirmou ainda que o quadro geral de segurança e contenção dos efluentes está "sob severas suspeitas".

Histórico

A Hydro Alunorte passou a ser questionada quando moradores da cidade denunciaram, entre 16 e 18 de fevereiro, mudanças na cor da água. Em seguida, o Instituto Evandro Chagas, vinculado ao Ministério da Saúde, apontou vazamento de resíduos tóxicos, com altos níveis de chumbo, alumínio e sódio, entre outras substâncias, que colocaram em risco a saúde de pessoas em três comunidades próximas.

Em 22 de fevereiro, o Instituto Evandro Chagas emitiu novo laudo confirmando o depósito de resíduos. No dia 28 do mesmo mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a companhia em R$ 20 milhões e embargou parte a fábrica.

Em 12 de março, a Hydro Alunorte divulgou nota em que relata o escoamento de excedente de água de chuvas. Embora alegue tratamento, a empresa admite que o volume destinado do Rio Pará podia conter poeira de bauxita e restos de soda cáustica.

Em 19 de março, a firma divulgou comunicado em que admite o descarte de água não tratada e pede desculpas à população. Em 4 de abril, foi criada uma força-tarefa para investigar o caso com integrantes dos Ministérios Públicos Federal e Estadual. Uma comissão parlamentar de inquérito também foi aberta pela Assembleia Legislativa do Pará para apurar o ocorrido.

Acompanhe tudo sobre:ParáAlunorte

Mais de Negócios

'O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional', diz fundador da Havan

Taxa da blusinha: ‘É uma grande vitória para o consumidor’, diz CEO da Shein no Brasil

Fim da 'taxa das blusinhas' vai custar empregos no varejo brasileiro, diz CEO da Dafiti

Este biólogo vai faturar milhões com aparelho que promete acabar com incêndios florestais