(China Link/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 10h00.
A China alcançou, em 2025, a maior participação da história nas importações brasileiras, somando US$ 70,9 bilhões e respondendo por 25,3% das compras externas do país, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O avanço consolida o país asiático como principal origem das importações do Brasil, em meio à reorganização das cadeias globais, disputas tarifárias e revisão de políticas comerciais. Em dezembro de 2025, Pequim anunciou a redução de tarifas para centenas de produtos a partir de 2026, movimento que reforça sua integração às cadeias internacionais.
Com a importação direta ganhando espaço na estratégia das empresas, cresceu também a atuação de companhias especializadas nesse processo. A China Link, focada em importação estratégica e negócios com o mercado chinês, ampliou sua presença junto a empresas brasileiras que buscam acesso direto a fornecedores na China.
Mesmo em um ano marcado por calendário eleitoral, eventos internacionais e postura mais conservadora de parte do empresariado, a companhia registrou crescimento de 40% no faturamento entre 2024 e 2025. A projeção é avançar mais de 60% em 2026.
Fundada em 2009, a China Link estrutura operações completas de importação para empresas brasileiras, com foco em pequenas e médias companhias. O modelo inclui identificação e auditoria de fornecedores, negociação, inspeção de qualidade, gestão logística, frete internacional e desembaraço aduaneiro.
Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), mais de 40 mil empresas brasileiras importaram mercadorias da China em 2024. Para a China Link, esse movimento reflete a consolidação da importação direta como estratégia competitiva.
“Há uma diferença entre cautela e paralisia”, afirma Lincoln Fracari, CEO da China Link. “Ano difícil não é desculpa para quem pensa global. No fim, as pessoas vão continuar importando; a diferença é quem vai sair na frente quando o mercado destravar.”
A empresa mantém equipe própria em Guangzhou, polo industrial do sul da China, além de escritórios em Santos e Curitiba. Está prevista a abertura de uma unidade em São Paulo no segundo semestre, com foco em relacionamento institucional e formação empresarial em comércio exterior.
De acordo com Fracari, a presença física no país asiático reduz riscos operacionais e amplia a previsibilidade nas operações. “Importar sozinho exige lidar com barreira de idioma, validação de fábrica, controle de produção e logística internacional. Quando há equipe local acompanhando presencialmente, o processo fica mais previsível”, afirma.
O instrutor Renan Arnoni recorreu à China Link ao estruturar a abertura de academias no interior de Minas Gerais. Ao optar pela importação direta de equipamentos, reduziu o investimento inicial por unidade e acelerou a expansão do negócio, que hoje soma cinco academias.
Para a empresa, casos como esse ilustram como a importação estruturada pode ampliar margens e reduzir a dependência de distribuidores locais.
Parte do crescimento recente da China Link está associada à revisão de processos internos. Entre 2024 e 2025, a companhia adotou automação em etapas comerciais e operacionais, com uso de inteligência artificial para registro de atendimentos, organização de informações e conferência documental.
“A inteligência artificial virou ferramenta de gestão. Automatizamos processos para reduzir erros e retrabalho”, afirma o executivo.
Na avaliação da empresa, a ampliação da participação chinesa nas importações brasileiras tende a continuar nos próximos anos, independentemente das oscilações do ambiente doméstico. A estratégia, segundo Fracari, é manter estrutura operacional e presença local para apoiar empresas brasileiras que buscam competitividade no comércio internacional.