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Heineken tem queda global - mas mercado premium no Brasil é destaque

O lucro operacional da Heineken caiu pela metade e a cervejaria sofreu 548 milhões de euros em perdas no trimestre

Heineken: O maior vendedor de cerveja da Europa disse que viu as vendas de cerveja caírem 40% ou 50% em bares e restaurantes (Eric Gaillard/Reuters Business)

Heineken: O maior vendedor de cerveja da Europa disse que viu as vendas de cerveja caírem 40% ou 50% em bares e restaurantes (Eric Gaillard/Reuters Business)

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Reuters

Publicado em 3 de agosto de 2020 às 10h45.

Última atualização em 3 de agosto de 2020 às 11h45.

Com bares e restaurantes fechados, a Heineken sentiu um grande impacto em seus resultados do primeiro semestre do ano. O volume consolidado de cerveja caiu 11,5% - na marca Heineken, a queda foi menor, de 2,5%, nos seis primeiros meses do ano. Com isso, as receitas no semestre caíram 18%, para 11,15 bilhões de euros, com prejuízo de 297 milhões de euros no semestre.

Em 14 mercados, no entanto, a alta na venda da marca Heineken foi superior a dois dígitos - a fabricante de bebidas atua em mais de 70 países, com mais de 300 marcas.

Nas Américas, o volume de cerveja caiu 15%, com queda de 31% no lucro operacional. Mesmo assim, o resultado no Brasil chamou a atenção. As marcas especiais e mainstream cresceram dois dígitos, com destaque principalmente para Heineken, no segmento premium, e Amstel, no segmento principal.

A empresa também atingiu sua maior participação de mercado da história no país. A participação nas vendas, hoje, é maior do que a participação em volume - o que significa que a empresa está vendendo mais em marcas de valor superior.

Já nos Estados Unidos, a performance foi boa principalmente por causa da venda da Heineken 0.0, a nova cerveja sem álcool da marca que chegou no início de julho no Brasil.

Perspectiva negativa para o ano

A Heineken viu uma recuperação gradual de seus negócios após as paralisações globais do Covid-19 em abril, mas a incerteza sobre o impacto futuro da pandemia tornou a empresa incapaz de dar uma previsão para o resto do ano. A segunda maior cervejaria do mundo disse ter uma visão mais cautelosa do que a líder do setor Anheuser-Busch InBev, que afirmou ter sido incentivada pela recuperação global da demanda por cervejas em junho.

A empresa retirou o guidance para o ano em abril e não apresentou novas previsões, já que a situação permanece volátil e incerta e há fortes consequências negativas para a empresa por conta das medidas de distanciamento social em todo o mundo.

O novo presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, disse que os negócios melhoraram até junho, mas isso se deveu em parte ao reabastecimento, principalmente em territórios como o México, seu maior mercado, onde as fábricas de cervejas foram forçadas a parar em abril e maio.

"Estamos um pouco preocupados que as pessoas vejam a taxa de junho e extrapolem isso daqui para frente", disse Van den Brink, que assumiu o comando da cervejaria holandesa em 1º de junho, à Reuters.

A empresa disse que Europa, México e África do Sul lideraram o declínio nas vendas, enquanto seu grande mercado no Vietnã se saiu melhor. A África do Sul restabeleceu a proibição de álcool, enquanto o México, o país com o terceiro maior número de mortes de Covid-19 do mundo, teve medidas de isolamento mais severas em algumas regiões.

O lucro operacional da Heineken caiu pela metade e a cervejaria sofreu 548 milhões de euros em perdas, principalmente nas operações na Papua Nova Guiné e na Jamaica, resultando em um prejuízo líquido geral. O maior vendedor de cerveja da Europa disse que viu as vendas de cerveja aumentarem em porcentagens de dois dígitos nas lojas, mas caiu em 40% ou 50% em bares e restaurantes.

A lucratividade das vendas nas lojas também foi menor, pois os consumidores compraram embalagens com mais cervejas, e os custos de produção de bebidas enlatadas e engarrafadas foram maiores que o de barris, embora a Heineken tenha dito que suas marcas premium ganharam participação na maioria dos mercados.

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