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O ataque do Hamas contra o território de Israel no último sábado, 7, trouxe um novo ingrediente para o já tensionado ambiente político e econômico do país comandado por Benjamin NetanyahuA operação, sem precedentes na história, deixou um rastro de destruição e acumula danos ainda não mensurados.

A face mais visível está no drama humano, com milhares de mortos e feridos, mas o impacto está por todos os lados e afeta as mais diversas áreas, como o conhecido ecossistema de empreendedorismo do país.   

“Israel é pequeno. O número crescente de pessoas que foram assassinadas, feridas ou raptadas torna estatisticamente quase impossível que não tenham uma ligação de primeiro ou segundo grau. O custo da saúde mental será imensurável”, escreveu David Stark, sócio-geral do Ground Up Ventures, fundo de investimentos para startups em early stage com sedes em Israel e nos Estados Unidos.

Em post no LinkedIn, ele pediu para que fornecedores, clientes, investidores, empresas de portfólio e amigos sejam pacientes com as outras pessoas e listou uma série de situações que israelenses estão enfrentando, como perdas de familiares, amigos e a convocação para o exército. “Não há 'business as usual' em Israel neste momento e não tenho certeza de quando as coisas voltarão ao normal”. 

Como as startups estão sendo impactadas pela guerra

  • O país é a casa de mais de 6.000 startups 
  • mais de 90 delas são unicórnios, como a Rapyd, Waze, K Health e Security Orca
  • No mundo do empreendedorismo, é conhecido como um dos principais celeiros mundiais de inovação
  • O país é conhecido, principalmente, pela criação de startups de saúde, agricultura e cibersegurança

Inbal Arieli, autora de “Chutzpah: Por que Israel é um hub de inovação e empreendedorismo”, afirma que nesses primeiros dias após ataques as pessoas estão preocupadas em proteger as suas famílias e demonstrar apoio. 

“Este é um momento de emergência em Israel. E o pessoal do setor tecnológico é uma parte crítica do capital humano, é claro, e, portanto, todos os nossos esforços estão agora focados principalmente na solidariedade”, afirma. 

Sócia da Ibex Investors, uma gestora de venture capital com mais de 20 startups no portfólio, Nicole Priel, em  Tel Aviv, conta que quase todo mundo está trabalhando em casa. A exceção, por óbvio, são os soldados convocados para o serviço militar.

“As escolas estão fechadas, então todos estão tentando lidar com a enormidade da tragédia, mantendo uma aparência de normalidade para as crianças, enquanto se escondem em abrigos antiaéreos quando as sirenes de ataque aéreo disparam”, diz.

O segundo impacto

Após o baque inicial, os negócios israelenses já lidam com a diminuição dos quadros de funcionários. O país convocou 300.000 reservistas, na maior mobilização desde 1973, na Guerra do Yom Kippur. Muitos dos quais empregados ou mesmo fundadores de startups. 

Na Onebeat, uma plataforma israelense que oferece soluções para o varejo, dos 100 funcionários em Israel, onde fica o grosso do desenvolvimento tecnológico da startup, 40 foram convocados. 

“Como as nossas operações são independentes, não temos riscos de desabastecimento nos serviços. O impacto pode ser no desenvolvimento de novas features, ter que ampliar prazos para a frente”, afirma Igor Melo, diretor-geral da operação da startup no Brasil.

O modelo da Onebeat se beneficia de uma política conhecida das startups nascidas em Israel. Como o país é pequeno, com cerca de 9 milhões de habitantes, os empreendedores criam os negócios mirando a internacionalização. Ao mesmo tempo, eles buscam maiores mercados e fugir das incertezas, em um país marcado por conflitos.

Diretora institucional da Câmara de Comércio Brasil-Israel, Cila Schulman acredita que, no curto para o médio prazo, esse deve ser o maior impacto. “Para os negócios, apesar de não sabermos as proporções que a guerra vai tomar, o país continua funcionando por causa do Domo de Ferro, que Israel já conseguiu retomar”.

A Câmara tem como fundamento estimular o comércio e a interação entre os empresários brasileiros e israelenses. Um caminho muitas vezes alimentado por viagens, as chamadas “missões”, ao país. A próxima, prevista para ocorrer daqui duas semanas, está agora em modo de espera, a depender do conflito. 

Como o ecossistema de startups de Israel foi forjado

Quem também acompanha o desenrolar do conflito no Brasil é a StartSe, plataforma criada para conectar empreendedores com ambientes de inovação. A empresa tem uma unidade em Israel com três funcionários, responsáveis por coordenar a ida de empreendedores brasileiros para conhecer as startups de lá. 

“Nós estamos monitorando a situação muito de perto para entender como fica esse contexto”, afirma Junior Borneli, fundador da StartSe. Ele conta que a filial é pouco representativa em termos de geração de receita, mas agrega muito em conhecimento. 

A inovação israelense, diferentemente de outros ecossistemas de empreendedorismo global como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, convive desde o seu início com a escassez e as incertezas. Até por isso, atrai um número significativo de pessoas interessadas em conhecer o seu funcionamento.

A israelense Inbal Arieli se agarra a esse passado para defender que, no longo prazo, o ecossistema de empreendedorismo do país não terá grandes perdas. 

“Nós estamos habituados a viver em condições incertas. Enfrentamos agora uma situação de incerteza completamente nova, mas temos a capacidade de nos adaptarmos, reagirmos e encontrarmos os novos equilíbrios necessários”, afirma.

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