Forbes foi vendida para grupo de Hong Kong, dizem fontes

Família Forbes teria cedido o controle do império midiático a um grupo de Hong Kong por US$ 475 milhões

	Prédio da Forbes: acordo entregará a revista e seu popular ranking de bilionários a um conjunto de investidores
 (Mario Tama/Getty Images)
Prédio da Forbes: acordo entregará a revista e seu popular ranking de bilionários a um conjunto de investidores (Mario Tama/Getty Images)
E
Edmund LeePublicado em 18/07/2014 às 17:26.

A família Forbes, emblema da riqueza americana e precursora do jornalismo de empresas, cederá o controle do império midiático que cultivou durante quase um século vendendo uma participação majoritária a um grupo com sede em Hong Kong.

A transação cotou a Forbes Media em US$ 475 milhões, disse uma fonte do setor que pediu não ser identificada porque os termos são privados.

O acordo, anunciado hoje, entregará a revista Forbes e seu popular ranking das pessoas mais ricas do mundo a um conjunto de investidores liderados pela Integrated Asset Management (Asia), fundada pelo investidor Tak Cheung Yam, disse a Forbes em um comunicado.

“O grupo de investidores fornecerá capital, bem como experiência financeira e operacional, e almeja aproveitar suas relações internacionais para ampliar estrategicamente o alcance da Forbes Media em uma escala internacional”, disse a Forbes.

Steve Forbes, diretor da família e candidato a presidente dos EUA duas vezes, colocou a matriz da revista, a Forbes Media LLC, à venda em novembro, após anos de lucros decrescentes causados pela penetração da mídia digital na receita por anúncios antes possuída pela mídia impressa.

A princípio, quando contratou o Deutsche Bank AG para administrar a venda após receber o interesse de potenciais compradores, Forbes procurava obter US$ 400 milhões, disse uma fonte do setor.

O novo grupo de investidores também inclui Wayne Hsieh, um dos fundadores da Asustek Computer na Cingapura, disse Forbes.

A Elevation Partners, a empresa de investimentos chefiada por Roger McNamee, venderá sua participação na Forbes como parte da transação. 

Still Chairman

Steve Forbes continuará sendo presidente e redator-chefe e o CEO Mike Perlis continuará chefiando a empresa. A Forbes Media, que inclui a revista, propriedades digitais, conferências e pesquisas, é lucrativa, disse a companhia.

Espera-se que a transação seja completada neste ano. A Cadwalader, Wickersham Taft forneceu conselho legal à Forbes Media. O Credit Suisse Group AG aconselhou o grupo de investidores, cujo conselho legal veio da Skadden, Arps, Slate, Meagher Flom LLP e da LKP Global Law LLP.

A venda sinaliza a persistência do declínio das dinastias midiáticas americanas, um grupo de elite outrora próspero que incluía a família Chandler, dona do jornal Los Angeles Times até sua fusão com a Tribune em 2000; a família Bancroft, que vendeu o Wall Street Journal a Rupert Murdoch, e a família Graham, que encontrou em Jeff Bezos, fundador da Amazon.com Inc., um novo dono para o Washington Post.

Finanças da Forbes

Forbes projetou uma receita de US$ 144,6 milhões para 2013 e de US$ 162,8 milhões para 2014, segundo o livro promocional obtido por Ken Doctor, analista de mídia da Outsell.

Doctor publicou o conteúdo dos documentos no site do Laboratório Nieman de Jornalismo da Universidade Harvard.

A empresa também estimou que seus lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização alcancem US$ 33,4 milhões neste ano, segundo os documentos.

Normalmente, uma revista é vendida a 5 ou 6 vezes seu Ebitda, o que implica um valor mais próximo de US$ 200 milhões para a Forbes, disse Doctor.

Outras editoras também estão vendendo marcas de revistas célebres no intuito de combater o declínio dos anúncios na mídia impressa. Em agosto, a IAC/InterActiveCorp vendeu a revista Newsweek à IBT Media, e em 2009, a McGraw-Hill vendeu a Businessweek à Bloomberg LP, matriz da Bloomberg News.