“Facebook tem problemas com negros”, afirma ex-funcionário em carta

Documento que acusa a rede de racismo é só o mais recente problema de uma empresa que perdeu quase 30% de valor de mercado este ano

São Paulo - O ex-funcionário do Facebook Mark Luckie deixou como despedida uma carta de 2.500 palavras bombástica nesta terça-feira. Intitulado “O Facebook tem um problema com pessoas negras”, o documento foi primeiramente enviado aos colegas e, ontem, postado publicamento no próprio Facebook.

Detalha supostos episódios de racismo e opiniões do autor sobre como o Facebook falha em construir um ambiente de trabalho mais inclusivo para os não-brancos. “Muitos funcionários negros podem contar históricos de como foram abordados por seguranças do campus para além do necessário”, afirma Luckie. Ele diz que duas ou três vezes por dia via colegas de empresa resguardando suas carteiras dentro do bolso ao vê-lo passar.

Luckie era o encarregado do relacionamento com influenciadores da companhia. Antes do Facebook, havia trabalhado em empresas como Whashington Post, Twitter e Reddit. Segundo ele, as empresas americanas precisam formar times mais diversos, e deixar de tratar de forma injusta os trabalhadores negros porque isso mina qualquer chance de que eles avancem na carreira.

As críticas do ex-funcionário fizeram o Facebook se posicionar publicamente. Em comunicado, o porta-voz Anthony Harrison afirmou que “o crescimento na representatividade de pessoas de grupos mais diversos, trabalhando em diferentes funções na companhia, é um fator chave em nossa capacidade de alcançar o sucesso”.

Desde 2014 a companhia divulga um relatório de diversidade para que seus negócios “reflitam a comunidade diversa a que servimos”. “Pessoas de todos os ‘backgrounds’ confiam no Facebook para se conectar com outros, e vamos atendê-los melhor com uma equipe mais diversa”, afirma a mais recente versão do relatório. Atualmente os funcionários negros são 4% da força de trabalho da empresa, mas apenas 2% dos gestores, e 1% dos cargos técnicos.

A empresa não pode se dar ao luxo de deixar que a despedida de Luckie vire uma nova frente de problemas. O Facebook, vale lembrar, vem sendo duramente criticado pela divulgação de notícias falsas nas eleições americanas e por não ter feito o suficiente para evitar a influência russa no pleito, pelo vazamento de dados do escândalo da Cambridge Analytica e, mais recentemente, pela publicação de discursos de ódio em países como Mianmar e até mesmo pela influência de seu aplicativo WhatsApp em eleições como no Brasil.

O fundador e presidente da empresa, Mark Zuckerberg, virou um dos executivos mais criticados dos Estados Unidos neste processo. A número dois da companhia, Sheryl Sandberg, passou também a ser contestada quando o New York Times revelou, em meados de novembro, uma ofensiva de lobby para desacreditar os críticos da empresa no escândalo da influência russa.

A companhia ainda sofre com uma queda no volume de uso de sua principal rede social e por um desencanto dos anunciantes. Uma reportagem publicada na semana passada pela revista britânica Economist chega a questionar se o Facebook caminha para se tornar o novo Yahoo, um gigante da internet que ficou pelo caminho. Desde janeiro, as ações do Facebook caíram 27%.

O Yahoo naufragou principalmente pela competição de empresas melhores, como o Google. No caso do Facebook, o maior problema é o desencanto dos consumidores e de funcionários — uma leva de altos executivos vem deixando a empresa nos últimos meses. As alternativas buscadas pelos consumidores, como Instagram ou WhatsApp, também pertencem ao Facebook, o que é obviamente um bom sinal. Mas elas oferecem menos oportunidades de publicidade do que a rede social que batiza a empresa.

Margem para uma recuperação não falta. As principais plataformas da companhia chegaram a um recorde de 2,6 bilhões de usuários no terceiro trimestre. Somente o Facebook segue tendo 1,5 bilhão de usuários ativos diários. No ano passado, a empresa faturou 40 bilhões de dólares, um aumento de quase 50% em relação a 2016 e este ano mantém um ritmo de expansão superior a 30%.

A queda recente nas ações da companhia é influenciada também por um desencanto de investidores com o mercado de capitais americano, que penaliza sobretudo as empresas de tecnologia, que subiram muito nos últimos anos. Na última divulgação de resultados, Zuckerberg reconheceu que falta ainda um ano para que os sistemas de segurança e de reconhecimento de interferências estejam no nível desejado, mas afirmou estar trabalhando ativamente no problema.

A julgar pela carta publicada nesta terça-feira por Mark Luckie, a empresa precisa olhar com mais atenção também para suas políticas internas.

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“Facebook tem problemas com negros”, afirma ex-funcionário em carta

Documento que acusa empresa de racismo é só o mais recente problema de uma empresa que perdeu quase 30% de valor de mercado este ano

O ex-funcionário do Facebook Mark Luckie deixou como despedida uma carta de 2.500 palavras bombástica nesta terça-feira. Entitulado “O Facebook tem um problema com pessoas negras”, o documento foi primeiramente enviado aos colegas e, ontem, postado publicamento no próprio Facebook.

Detalha supostos episódios de racismo e opiniões do autor sobre como o Facebook falha em construir um ambiente de trabalho mais inclusivo para os não-brancos. “Muitos funcionários negros podem contar histórios de como foram abordados por seguranças do campus para além do necesário”, afirma Luckie. Ele diz que duas ou três vezes por dia via colegas de empresa resguardando suas carteiras dentro do bolso ao vê-lo passar.

Luckie era o encarregado do relacionamento com influenciadores da companhia. Antes do Facebook, havia trabalhado em empresas como Whashington Post, Twitter e Reddit. Segundo ele, as empresas americans precisam formar times mais diversos, e deixar de tratar de forma injusta os trabalhadores negros porque isso mina qualquer chance de que eles avancem na carreira.

As críticas do ex-funcionário fizeram o Facebook se posicionar publicamente. Em comunicado, o porta-voz Anthony Harrison afirmou que “o crescimento na representatividade de pessoas de grupos mais diversos, trabalhando em diferentes funções na companhia, é um fator chave em nossa capacidade de alcançar o sucesso”.

Desde 2014 a companhia divulga um relatório de diversidade para que seus negócios “reflitam a comunidade diversa a que servimos”. “Pessoas de todos os ‘backgrounds’ confiam no Facebook para se conectar com outros, e vamos antendê-os melhor com uma equipe mais diversa”, afirma a mais recente versão do relatório. Atualmente os funcionários negros são 4% da força de trabalho da empresa, mas apenas 2% dos gestores, e 1% dos cargos técnicos.

A empresa não pode se dar ao luxo de deixar que a despedida de Luckie vire uma nova frente de problemas. O Facebook, vale lembrar, vem sendo duramente criticado pela divulgação de notícias falsas nas eleições americanas e por não ter feito o suficiente para evitar a influência russa no pleito,

pelo vazamento de dados do escândalo da Cambridge Analytica e, mais recentemente, pela publicação de discursos de ódio em países como Mianmar e até mesmo pela influência de seu aplicativo WhatsApp em eleições como no Brasil.

O fundador e presidente da empresa, Mark Zuckerberg, virou um dos executivos mais criticados dos Estados Unidos neste processo. A número dois da companhia, Sheryl Sandberg, passou também a ser contestada quando o New York Times revelou, em meados de novembro, uma ofensiva de lobby para desacreditar os críticos da empresa no escândalo da influência russa.

A companhia ainda sofre com uma queda no volume de uso de sua principal rede social e por um desencanto dos anunciantes. Uma reportagem publicada na semana passada pela revista britânica Economist chega a questionar se o Facebook caminha para se tornar o novo Yahoo, um gigante da internet que ficou pelo caminho. Desde janeiro, as ações do Facebook caíram 27%.

O Yahoo naufragou principalmente pela competição de empresas melhores, como o Google. No caso do Facebook, o maior problema é o desencanto dos consumidores e de funcionários — uma leva de altos executivos vem deixando a empresa nos últimos meses. As alternativas buscadas pelos consumidores, como Instagram ou WhatsApp, também pertencem ao Facebook, o que é obviamente um bom sinal. Mas elas oferecem menos oportunidades de publicidade do que a rede social que batiza a empresa.

Margem para uma recuperação não falta. As principais plataformas da companhia chegaram a um recorde de 2,6 bilhões de usuários no terceiro trimestre. Somente o Facebook segue tendo 1,5 bilhão de usuários ativos diários. No ano passado, a empresa faturou 40 bilhões de dólares, um aumento de quase 50% em relação a 2016 e este ano mantém um ritmo de expansão superior a 30%.

A queda recente nas ações da companhia é influenciada também por um desencanto de investidores com o mercado de capitais americano, que penaliza sobretudo as empresas de tecnologia, que subiram muito nos últimos anos. Na última divulgação de resultados, Zuckerberg reconheceu que falta ainda um ano para que os sistemas de segurança e de reconhecimento de interferências estejam no nível desejado, mas afirmou estar trabalhando ativamente no problema.

A julgar pela carta publicada nesta terça-feira por Mark Luckie, a empresa precisa olhar com mais atenção também para suas políticas internas.

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