Ricardo Faria: rei dos ovos fecha negócio bilionário (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 3 de março de 2026 às 06h22.
Se estivesse listada na B3, a Global Eggs já ficaria à frente de BRF e Marfrig em valor de mercado — e representaria 43% da JBS. O valuation de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 41,5 bilhões na cotação atual) consolida o “rei dos ovos” entre os principais nomes da proteína global.
O novo valuation bilionário vem depois de uma rápida expansão internacional e da consolidação de operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. A empresa é liderada por Ricardo Faria, conhecido no setor como o “rei dos ovos”.
A BRF (BRFS3) tem valor de mercado estimado em R$ 28,6 bilhões. A Marfrig (MRFG3), R$ 29,3 bilhões. Ambas ficam abaixo da empresa fundada por Ricardo Faria.
Já a JBS (JBSS3), avaliada em aproximadamente R$ 96,0 bilhões, continua na liderança. Ainda assim, a Global Eggs já alcança 43% do valor da maior processadora de proteínas do mundo.
A Global Eggs opera mais de 50 fazendas nos Estados Unidos, América do Sul e Europa, com mais de 45 milhões de aves. A produção estimada para este ano supera 15 bilhões de ovos. Fundada em 2018, a companhia se tornou a maior produtora e distribuidora multinacional de ovos de mesa do mundo.
O portfólio inclui ovos convencionais, cage-free, free-range e produtos especiais. A estrutura é verticalizada, integrando criação de frangas, formulação de ração, embalagem e logística.
Segundo Ricardo Faria, o aporte permitirá acelerar a expansão em mercados atuais e novos. A Warburg Pincus afirmou que pretende apoiar a entrada em novas geografias, ampliar eficiência operacional e fortalecer marcas.
A Allison Ross, principal da Warburg Pincus, passará a integrar o conselho de administração da Global Eggs como parte da transação.
Antes de se tornar um dos nomes mais relevantes do agronegócio brasileiro, Ricardo Faria pensava em seguir a medicina. Uma viagem à Califórnia, ainda na adolescência, mudou seus planos. O contato com o setor agrícola nos Estados Unidos o levou a trocar o jaleco pela agronomia.
Formado em engenharia agronômica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faria iniciou sua trajetória empresarial fora do campo. Em 1997, com investimento de US$ 16 mil, fundou a Lavebras, uma lavanderia industrial. Duas décadas depois, vendeu o negócio e direcionou o capital para o agronegócio.
A virada definitiva ocorreu com a Granja Faria, fundada em 2006. A empresa se tornou a maior produtora de ovos comerciais, férteis e pintos do Brasil. Com 2.500 funcionários distribuídos em 34 unidades produtivas, a operação fornece cerca de 14 milhões de ovos por dia.
O crescimento foi acelerado por aquisições. Em 2019, a compra da Asa e da Lana, em Minas Gerais, triplicou o tamanho da operação. A receita passou de R$ 214 milhões para R$ 683 milhões. Posteriormente, a aquisição da Granja Alexaves levou a companhia a superar R$ 1 bilhão em faturamento pela primeira vez.
Além dos ovos, Faria expandiu para grãos. Tornou-se o quinto maior produtor do país, com 120.000 hectares cultivados. Em 2022, a receita agropecuária superou R$ 2 bilhões, dividida igualmente entre grãos e ovos.