Negócios

Eletrobras assumirá bilhões em dívida para vender distribuidoras

Segundo secretário, que citou dívidas "na casa dos vários bilhões", a Eletrobras poderá assumir fatia de até 30% nessas distribuidoras como contrapartida

Eletrobras: venda das seis distribuidoras está prevista para até abril de 2018 (Nadia Sussman/Bloomberg)

Eletrobras: venda das seis distribuidoras está prevista para até abril de 2018 (Nadia Sussman/Bloomberg)

R

Reuters

Publicado em 7 de novembro de 2017 às 13h49.

Última atualização em 7 de novembro de 2017 às 13h51.

São Paulo - A estatal Eletrobras vai assumir dívidas de suas distribuidoras de eletricidade para conseguir privatizar as empresas, e uma decisão sobre o tema deverá ser tomada em breve em reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), disse à Reuters nesta terça-feira o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

A venda dessas seis distribuidoras, que operam no Norte e Nordeste, está prevista para até abril de 2018, antes da desestatização da Eletrobras como um todo, que o governo projeta para até o final do primeiro semestre do próximo ano.

Pedrosa adiantou que, como contrapartida por assumir os débitos, a Eletrobras poderá assumir uma fatia de até 30 por cento nessas distribuidoras no futuro, conforme modelo definido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem apoiado o processo de privatização.

"Vai sair uma resolução do PPI e a partir daí o processo segue adiante. Já deve constar as condições que o BNDES estabeleceu para a venda das distribuidoras e as dívidas que a Eletrobras vai ter que transferir para a holding", explicou Pedrosa.

Ele não quis citar valores, mas afirmou que essas dívidas estão "na casa dos vários bilhões (de reais)".

"O processo permite que a Eletrobras converta em até 30 por cento de capital nas empresas, mas isso lá na frente", explicou.

Segundo ele, a reunião do PPI para decidir sobre o tema pode acontecer ainda nesta semana, em caráter extraordinário.

A Reuters publicou em setembro, com informação de uma fonte, que a Eletrobras provavelmente precisaria assumir prejuízos na venda das distribuidoras.

Essas subsidiárias da Eletrobras são responsáveis pelo fornecimento de energia no Acre, Alagoas, Amazonas, Rondônia, Roraima e Piauí. As empresas enfrentam fortes prejuízos anuais, e em 2016 a estatal decidiu que não renovaria a concessão dessas empresas para tentar vendê-las.

O presidente Michel Temer publicou nesta terça-feira um decreto com regras para a privatização de distribuidoras de energia estatais, que deverá guiar o processo nas empresas da Eletrobras.

Um projeto de lei com pontos associados à venda das distribuidoras também deverá ser enviado ao Congresso em breve, disse Pedrosa.

A privatização das distribuidoras deverá acontecer em um modelo pelo qual vencerá a disputa o investidor que se oferecer a assumir as concessões com o menor aumento de tarifas para os consumidores, conforme já dito anteriormente pelo governo.

Acompanhe tudo sobre:EletrobrasGovernoPrivatizaçãoDívidas

Mais de Negócios

'O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional', diz fundador da Havan

Taxa da blusinha: ‘É uma grande vitória para o consumidor’, diz CEO da Shein no Brasil

Fim da 'taxa das blusinhas' vai custar empregos no varejo brasileiro, diz CEO da Dafiti

Este biólogo vai faturar milhões com aparelho que promete acabar com incêndios florestais