Somadas, as três marcas do Grupo Ráscal atendem cerca de 3 milhões de clientes por ano em São Paulo e no Rio de Janeiro e empregam 1.600 funcionários (Grupo Ráscal /Divulgação)
Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15h55.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 20h24.
O Grupo Ráscal entra em 2026 com um dos planos de expansão mais ambiciosos de sua história. Após completar 30 anos de atuação, a companhia prevê a abertura de seis novos endereços ao longo do ano, distribuídos entre suas três marcas — Ráscal, Cortés e Jota Hamburgers — apostando em crescimento orgânico, governança e formação de pessoas como pilares estratégicos.
“O foco de crescimento agora está nas marcas que já temos. Elas são complementares, têm propostas de valor claras e muito espaço para expansão”, afirma Rodrigo Testa, CEO do grupo.
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A estratégia tem orientado o plano de expansão física. A primeira inauguração de 2026 aconteceu em 12 de janeiro, com a abertura da terceira unidade do Jota Hamburgers, no tradicional Edifício Itália, no centro da capital paulista. Criada em formato de joint venture entre o grupo Ráscal e o Z Deli Sandwich Shop, a marca de smash burgers terá ainda outras duas inaugurações previstas até o fim do ano.
A marca-mãe Ráscal ganhará duas novas unidades em 2026 — uma em Pinheiros, na capital paulista, e outra no Shopping Iguatemi Campinas. Com isso, a rede chegará a 13 restaurantes em operação.
Outro movimento relevante será a abertura, em março, da primeira unidade de rua do Cortés Asador, na Alameda Santos, no bairro dos Jardins, em São Paulo. O restaurante ocupará o térreo do hotel-boutique v3rso Jardins, do Grupo Emiliano, e terá 500 metros quadrados e 229 lugares, distribuídos em diferentes ambientes.
Até então, a marca operava apenas em shoppings e em um aeroporto. O Cortés foi inaugurado em 2014 no Shopping Villa-Lobos e, desde então, expandiu para o Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, o Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos e o Shopping Eldorado.
“A ida para a rua é um movimento natural, semelhante ao que aconteceu com o Ráscal no passado. É uma oportunidade de testar a performance da marca em um novo contexto urbano”, afirma Testa.
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Apesar do ritmo acelerado de crescimento, o CEO aponta que capital não é hoje o principal gargalo da empresa. O maior desafio está na formação de equipes, especialmente em um cenário de forte concorrência por mão de obra após a pandemia.
“O setor de restaurantes disputa pessoas com aplicativos, pequenos empreendedores e até a construção civil. Para nós, pessoas vêm antes de ponto”, diz.
Segundo ele, o grupo tem investido em treinamento técnico, cultura organizacional e condições de trabalho para sustentar a proposta de valor durante a expansão.
Essa visão foi determinante durante a pandemia, quando a empresa optou por complementar a renda dos funcionários além do que era oferecido pelos programas governamentais, mesmo em um momento de caixa delicado.
“Preservar o capital humano e cultural foi essencial para a retomada”, afirma.
Rodrigo Testa, CEO do Grupo Ráscal: “A ida para a rua é um movimento natural, semelhante ao que aconteceu com o Ráscal no passado. É uma oportunidade de testar a performance da marca em um novo contexto urbano” (Grupo Ráscal/Divulgação)
Outro eixo do crescimento é a governança. Desde 2017, o grupo conta com um conselho estruturado, que durante a pandemia atuou como um comitê de crise, com reuniões semanais para decisões estratégicas. Nos últimos anos, a empresa também criou comitês temáticos — de gastronomia, marca, cultura, experiência do cliente e investimentos — para dar mais agilidade e profundidade às decisões.
O grupo também intensificou os investimentos em tecnologia, com a contratação de um diretor dedicado à área e o desenvolvimento de novos sistemas de gestão e relacionamento com o cliente. Um aplicativo próprio, que permitirá pagamento direto pelo celular, deve ser lançado ainda no primeiro trimestre.
Somadas, as três marcas do grupo atendem cerca de 3 milhões de clientes por ano em São Paulo e no Rio de Janeiro e empregam 1.600 funcionários. No ano passado, o restaurante Ráscal cresceu 7% em vendas, o Cortés em 15% e o Jota em 130% (devido a inauguração de uma nova loja).
Para o CEO, a longevidade do negócio passa por uma sequência contínua de decisões — algumas acertadas, outras nem tanto —, mas sempre guiadas pelo aprendizado.
“Errar faz parte, desde que a gente erre menos e melhor a cada ciclo”, diz.