Do áudio ao dólar: os problemas no caminho da JBS
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está apurando se os controladores do grupo lucraram com operações com dólar e ações da JBS no mercado financeiro
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EXAME Hoje
Publicado em 14 de agosto de 2018 às 06h23.
Última atualização em 14 de agosto de 2018 às 07h37.
Já faz mais de um ano que Joesley Batista , um dos donos do frigorífico JBS , causou um terremoto no país ao gravar uma conversa com Michel Temer no Palácio do Jaburu. Mas a sombra do episódio continua pairando sobre o grupo, que divulga seus resultados do segundo trimestre de 2018 hoje, após o fechamento da bolsa.
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Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu mais uma investigação contra Joesley, que até maio de 2017 era o presidente do conselho de administração do JBS, e contra seu irmão Wesley Batista, anteriormente presidente do grupo. O órgão que fiscaliza as empresas de capital aberto está apurando se os controladores do grupo lucraram com operações com dólar e ações da JBS no mercado financeiro antes de a informação sobre a existência da gravação de Temer se tornar pública.
O processo anunciado na semana passada, o nono contra o frigorífico e seus executivos no âmbito do escândalo com o presidente, lembrou o mercado financeiro de que o caso ainda está longe do fim – e pode trazer mais prejuízos para a JBS. Em agosto, a ação do grupo já caiu 5%, fechando ontem a 8,69 reais, enquanto o Ibovespa, principal índice acionário da B3, acumula baixa de 1,8%, aos 77.496 pontos.
Do lado das operações, as notícias não são melhores para o frigorífico dos Batista. O setor está entre os mais afetados pela greve dos caminhoneiros, no final de maio. E os balanços de concorrentes já divulgados nesta temporada – Minerva e BRF – mostraram que os investidores desta vez estão vendo com maus olhos o que costuma ser encarado como fator positivo a influenciar os resultados do segmento: o dólar.
A tendência de alta da moeda americana, acentuada nos últimos três meses, tem alimentado expectativas de aumento de receita para essas empresas, que exportam bastante, porém também significa que a sua dívida tende a ficar mais pesada. No JBS, 95% da dívida – que no final do primeiro trimestre estava em 45,5 bilhões de reais – é denominada em dólar. “Nesse cenário, as companhias globais precisam ter competência para administrar receitas e despesas. É o que será observado no balanço do JBS”, diz Pedro Galdi, analista da corretora Mirae Asset.
A XP Investimentos estima que as receitas do frigorífico tenham registrado um aumento de 6,9% no período de abril a junho deste ano ante o mesmo intervalo de 2017, para 44,5 bilhões de reais. A expectativa da corretora para o EBITDA (ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é de queda de 12,9%, para 3,28 bilhões de reais.
Como o dólar pode continuar avançando se a crise dos emergentes desencadeada pela Turquia piorar e se a tensão com as eleições presidenciais no Brasil aumentar, a JBS deve continuar sob pressão nos próximos meses.