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De zero a US$ 100 milhões: 6 decisões financeiras que impulsionaram ess startup de IA

Fundadores deixaram um negócio lucrativo para recomeçar com base em IA, e hoje lideram uma empresa avaliada em US$ 100 milhões

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 15h34.

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Dhruv Amin e Marcus Lowe estavam no que muitos chamariam de "zona de conforto".

Em setembro de 2023, sua startup, um mercado que conectava engenheiros freelancers a empresas, operava com uma receita anual de US$ 2,2 milhões e era lucrativa desde o primeiro dia.

Mesmo assim, decidiram encerrar tudo, demitir parte da equipe e recomeçar com outro modelo de negócio, apostando tudo no avanço da inteligência artificial.

Hoje, a nova empresa, Anything, é uma plataforma de programação assistida por IA avaliada em US$ 100 milhões, após levantar US$ 11 milhões em venture capital. As informações foram retiradas da CNBC Make It.

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1. Interromper um negócio rentável para proteger o futuro financeiro

O ponto de inflexão foi em novembro de 2022, quando o lançamento do ChatGPT revelou o potencial da IA generativa. Para Amin, aquilo mudou tudo.

Se a IA realmente evoluísse na velocidade prevista, engenheiros humanos poderiam se tornar obsoletos para muitas tarefas de codificação. E, nesse cenário, o modelo de negócio do marketplace, baseado justamente em conectar desenvolvedores a clientes, se tornaria financeiramente inviável.

A decisão de fechar uma operação lucrativa para evitar riscos futuros exigiu visão estratégica e frieza analítica. Eles entenderam que, no longo prazo, manter o modelo antigo significaria perder competitividade, tração e relevância, o que é fatal do ponto de vista financeiro.

2. Aceitar o custo da reestruturação

Em outubro de 2023, os fundadores tomaram a decisão: demitiram metade da equipe, encerraram o marketplace e comunicaram aos investidores que iriam recomeçar. “Voltamos para um escritório vazio”, disse Amin. Esse movimento custoso expôs a empresa a dúvidas do mercado, especialmente após já ter captado US$ 3 milhões com promessas de metas específicas.

A ação mostra como o custo da mudança estratégica pode ser alto no curto prazo, mas essencial para garantir retorno no longo prazo. Trata-se de um risco calculado, que exige conhecimento profundo de fluxo de caixa e capacidade de renegociação com investidores.

3. Prototipar para validar a tese financeira

Antes de consolidar a nova estratégia, Amin e Lowe testaram pequenas ferramentas com base em IA, como geradores automáticos de componentes de aplicativos. Os resultados indicaram forte sinal de aderência ao mercado (product-market fit), com usuários demonstrando interesse real por soluções de codificação sem conhecimento técnico.

Esse movimento é uma demonstração prática de validação financeira de produto antes de escalar — uma competência essencial em finanças corporativas, especialmente no ecossistema de startups. Em vez de gastar recursos em um lançamento completo, optaram por validar a tese com mínimo investimento e monitorar a resposta do mercado.

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4. Reposicionar a empresa para um mercado em ascensão

Em abril de 2025, lançaram uma nova versão da plataforma, agora chamada Anything, com foco em construção de negócios online completos, incluindo cadastro, pagamentos e autenticação, sem necessidade de código. O reposicionamento teve impacto direto no valor da empresa. Apenas duas semanas após o relançamento, a receita anualizada chegou a US$ 2 milhões.

Essa escalada rápida reforça o conceito de valor de mercado dinâmico: quando o modelo de negócios está bem alinhado com as tendências de mercado e demonstra tração real, o valor da empresa pode se multiplicar rapidamente, como se provou no caso da rodada que avaliou a startup em US$ 100 milhões.

5. Resiliência financeira em tempos de incerteza

Durante 2024, os grandes modelos de linguagem enfrentaram certa estagnação, o que gerou dúvidas até mesmo dentro da equipe. “Houve momentos em que pensamos: será que erramos?”, admite Amin. As opções mais seguras, como transformar a plataforma em uma ferramenta de prototipagem para agências, foram descartadas para manter o foco na missão original: democratizar a criação de produtos reais com IA.

Essa postura revela um valor importante: manter coerência estratégica mesmo em ciclos de instabilidade. Na prática, isso significou evitar pivôs apressados e proteger a integridade da visão de longo prazo, uma mentalidade essencial para CFOs, controllers e gestores de capital de risco.

6. Captação bem-sucedida e uso eficiente do capital

A rodada de US$ 11 milhões, fechada em setembro de 2025, validou não apenas o novo modelo, mas a narrativa da empresa. Os investidores reconheceram o valor da transformação e a vantagem competitiva de estar na vanguarda da programação com IA.

O uso desse capital também reflete uma gestão financeira responsável: em vez de acelerar de forma descontrolada, a empresa tem investido em desenvolvimento de produto, usabilidade e marketing estratégico, priorizando crescimento com sustentabilidade financeira.

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