De malas prontas, startup Favo deixa o Brasil e demite 170 funcionários

Startup de social commerce anunciou encerramento das operações no Brasil por "cenário em crescente dificuldade"
Alejandro Ponce e Marina Proença, fundadores da Favo: startup deixa o Brasil e demite 170 funcionários (Favo/Divulgação)
Alejandro Ponce e Marina Proença, fundadores da Favo: startup deixa o Brasil e demite 170 funcionários (Favo/Divulgação)
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Maria Clara Dias

Publicado em 02/06/2022 às 15:41.

Última atualização em 02/06/2022 às 16:49.

Nesta quinta-feira, 2, a startup peruana Favo anunciou oficialmente o encerramento das operações no Brasil. Com a partida, a empresa demitiu 170 funcionários no país, mantendo cerca de 40 pessoas no time.

Em terras brasileiras desde 2019, a empresa tinha a proposta de conectar indústrias e mercadinhos de bairro, em uma das primeiras apostas no chamado social commerce na América Latina. O negócio atraiu investidores de peso nos últimos anos, como Tiger Global e GFC, que já aportaram em gigantes como Facebook, Airbnb, Spotify e Nubank.

No Brasil, o negócio era tocado pela empreendedora brasileira Marina Proença, que deixou uma carreira bem-sucedida em grandes empresas de tecnologia como Netshoes e Clickbus para empreender em negócios de impacto social como a Mercado Favo. Já no Peru, a liderança é de Alejandro Ponce, investidor peruano fundador da Nexus, um dos principais fundos private equity com atuação em Lima, capital do Peru.

No final de 2021, a Favo inaugurou um novo centro de distribuição, sete vezes maior que o anterior, e antecipou planos de chegar a todas as capitais e grandes centros urbanos do Brasil em 2022 (até então, funcionava apenas na capital), além de expandir suas operações para o México. Agora, com o anúncio de encerramento no Brasil, a Favo continuará existindo apenas no país latino vizinho.

Em nota, a empresa lamentou o encerramento das operações, mas disse acreditar na reabertura no futuro. "Acreditamos que vamos restabelecer o nosso negócio no País em breve, assim que as condições macroeconômicas permitirem", escreve a Favo.

"Muito embora tenhamos tentado encontrar caminhos dos mais diversos para nossa operação no Brasil, lamentavelmente nos deparamos com um cenário em crescente dificuldade. Portanto, nós, da Favo, comunicamos que vamos reestruturar a operação no Brasil a partir de hoje, 02 de junho de 2022, mantendo normalmente em funcionamento a Favo no Peru. Essa reestruturação está sendo feita para que possamos honrar todos os compromissos assumidos no País".

Apesar de ter demitido a maior parte da força de trabalho brasileira, a Favo afirma que os 40 funcionários mantidos, ou 20% do time, foram realocados para a operação do Peru e irão também planejar a reestruturação e volta da empresa ao Brasil.

Momento delicado para as startups

A Favo agora entra para uma extensa lista de empresas de tecnologia que não conseguiram driblar os efeitos da crise e, portanto, tiveram de enxugar a mão de obra. Ao lado da peruana estão empresas como Loft, Facily, QuintoAndar, Liv Up e VTEX. Em comum, todas tiveram que voltar duas casas e reconfigurar um plano de negócios em momento não tão favorável para as startups globalmente, mesmo que tenham recibo enxurradas de investimentos há pouco tempo ou tenham conquistado o título de unicórnio há pouco.

A percepção do mercado é de que as captações serão cada vez mais raras, o que força empreendedores a queimarem o caixa para manter a sobrevivência do negócio. Longe de ser uma realidade restrita ao mercado brasileiro, a maré baixa das startups acende um alerta global. Em carta aberta divulgada a fundadores de seu portfólio de investidas, a aceleradora Y Combinator, uma das mais proeminentes do Vale do Silício, pede cautela e preparação "para o pior".