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Da ideia à escala: como empresa de BC construiu R$ 2,4 bi em franquias

We Scale, de Balneário Camboriú, passou por uma virada estratégica em 2024, incluindo, além da mentoria que já era oferecida, uma imersão nas operações com uma participação societária e networking qualificado

Frederico Nicolau, Nadim Farid, sócios-fundadores, e Leonardo Pereira, sócio-fundador e CEO da We Scale (Vitória Ruiz/Divulgação)

Frederico Nicolau, Nadim Farid, sócios-fundadores, e Leonardo Pereira, sócio-fundador e CEO da We Scale (Vitória Ruiz/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 16h10.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 17h42.

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Nem toda boa ideia nasce pronta. Algumas precisam cair, levantar e mudar de forma até encontrar o modelo certo. Foi assim com a We Scale, de Balneário Camboriú, saiu da tentativa de vender franquias, em 2021, para se tornar, a partir de 2024, uma escaladora de negócios que entra como sócia nas operações que ajuda a crescer. Um ano após essa virada estratégica, o grupo reúne 10 empresas no portfólio, mais de 10 mil colaboradores diretos e indiretos e faturamento anual de R$ 2,4 bilhões — com previsão de alcançar R$ 2,8 bilhões neste ano.

A nova fase da We Scale começou a tomar forma quando seus fundadores passaram a identificar um padrão recorrente entre empreendedores experientes — muitos deles conectados a redes como a Endeavor. O problema raramente era a ideia.

O gargalo estava na execução, na governança e na capacidade de escalar. Ao olhar para dentro de casa, a constatação foi direta: eles próprios já haviam construído empresas relevantes em setores distintos. Existia ali um método — e a decisão foi colocá-lo a serviço de outros empreendedores, agora como sócios.

“A We Scale nasceu em 2021 com o propósito de comercializar franquias, porque acreditávamos ter esse know-how. O negócio não se desenvolveu e, em 2024, buscamos reinaugurá-la de forma diferente — com foco em gerar escala, mas participando do processo de construção como sócios, promovendo desenvolvimento e networking de qualidade”, explica o CEO da We Scale, Leonardo Pereira.

Leonardo Pereira, sócio-fundador e CEO da We Scale, trouxe precisão cirúrgica à governança (Vitória Ruiz/Divulgação)

Apesar das divisões societárias, a We Scale funciona, na prática, como um comando compartilhado. Todas as decisões estratégicas passam pelos três sócios. Não por protocolo, mas por convicção. O modelo reflete uma conjunção de talentos complementares — quase como três pilares que sustentam o grupo.

Nadim Farid é o empreendedor nato do trio. Inquieto por definição, está sempre em busca de novas frentes, formatos e mercados. Sua trajetória — marcada por erros, recomeços e crescimento em escala — moldou a cultura da We Scale, baseada na ideia de que errar faz parte do processo, mas insistir no erro não.

A engrenagem ganhou método, disciplina e previsibilidade com a chegada de Leonardo Pereira. Natural de Olinda (PE), ele se juntou a Nadim e a Frederico Nicolau após mais de três anos de conversas. A partir daí, o crescimento deixou de ser apenas ambição e passou a operar com ritmo, governança e precisão cirúrgica. Com formação em Economia e Administração, MBA em Gestão Empresarial, mestrado em Engenharia de Produção e especializações executivas em Harvard e Stanford, Leonardo reúne visão estratégica e domínio técnico.

No currículo, soma oito processos de M&A concluídos, atuação em conselhos estratégicos e a experiência de ter levado a Selfit Academias da fundação ao IPO — bagagem que hoje estrutura o método de crescimento da We Scale.

O terceiro pilar é Frederico Nicolau, irmão de Nadim e o caçula do trio. Natural de Guaraci, no interior de São Paulo, assim como Nadim, Fred tornou-se sócio do irmão ainda durante a faculdade, ao propor que ambos ingressassem no ramo da construção civil. Nascia ali a NF Empreendimentos — sigla formada pelas iniciais dos nomes dos irmãos — que hoje se posiciona entre as maiores incorporadoras do litoral catarinense.

Aos 29 anos, com formação em engenharia, Frederico é visto internamente como uma espécie de garoto prodígio. Seu domínio técnico em gestão e administração de processos, além da paixão por literatura, o colocam muito acima da média para profissionais de sua idade no mercado.

Além de sócio da We Scale, Fred é hoje o CEO da Oral Unic, sendo responsável pela eficiência operacional e pela sustentação do crescimento da maior rede de clínicas odontológicas premium do país.

Embora tenham origens distintas — Guaraci (SP) e Olinda (PE) —, os três escolheram Balneário Camboriú (SC) como base para viver e tocar os negócios. A cidade tornou-se o ponto de convergência onde visão empreendedora, rigor técnico e excelência operacional se encontram — e onde nenhuma decisão relevante é tomada de forma isolada.

Gênese do modelo

A história de Nadim Farid também ajuda a entender a gênese desse modelo. Ele começou a empreender ainda adolescente, vendendo geladinhos em frente a um campo de futebol com a ajuda da mãe. Formou-se em odontologia apesar das dificuldades financeiras e, em 2005, abriu uma clínica odontológica popular em Itajaí (SC).

Em 2012, a rede chegou a 70 unidades, mas a falta de padronização e governança tornou o modelo insustentável. Nadim fechou dezenas de clínicas e decidiu recomeçar. Após um período de estudos, benchmarking e reposicionamento estratégico, lançou, em 2016, a Oral Unic, apostando em atendimento odontológico premium acessível às classes C e B.

O modelo se provou acertado. Hoje, a rede soma 304 unidades, com R$ 1,15 bilhão de faturamento e média de R$ 400 mil por mês por clínica.

Identidade com propósito

É essa lógica — padrão, governança e execução — que a We Scale aplica ao seu portfólio, que inclui Oral Unic, Selfit Academias, NF Empreendimentos, Liso Laser, We Burn, Ease Labs, Viva Senior Living, Rota’s Makeup, In Pot e Get It. O ecossistema combina mentoria estratégica, acesso a capital e gestão, sempre com participação societária.

O case da Inpot , empresa do setor alimentício especializada em saladas, ilustra o modelo. Com dez anos de história, a empresa passou por uma análise das alavancas críticas de crescimento. Em 180 dias, mais que dobrou o número de unidades operacionais e iniciou seu processo de internacionalização.

Ao abandonar o papel de intermediadora e assumir o de coprodutora de valor, a We Scale consolidou sua identidade. Transformou experiência em método, método em escala e escala em um ecossistema bilionário — sustentado por três pilares que pensam, decidem e executam juntos.

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