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Eles transformaram influencers em 'máquinas de venda' e hoje faturam R$ 550 milhões

Modelo de venda direta com influenciadoras leva a marca brasileira a faturar milhões por hora — e a correr para dobrar a produção

Jonathan e Suzana Alves, da Ybera: “A atenção das pessoas não está mais na loja física. Está no celular. A gente entendeu isso cedo e criou um canal que fala direto com o consumidor, sem intermediários” (Ybera/Divulgação)

Jonathan e Suzana Alves, da Ybera: “A atenção das pessoas não está mais na loja física. Está no celular. A gente entendeu isso cedo e criou um canal que fala direto com o consumidor, sem intermediários” (Ybera/Divulgação)

Isadora Aires
Isadora Aires

Freelancer

Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 09h59.

Última atualização em 29 de dezembro de 2025 às 10h00.

O mercado de beleza profissional vive um momento de consolidação digital. E a Ybera, empresa brasileira, avança rápido com uma estratégia diferente: transformar influenciadoras em força de vendas diretas.

A marca de cosméticos capilares fundada em 2005 projeta atingir 550 milhões de reais em faturamento no ano que vem. 

“Tem dias que nós vendemos 20 milhões de reais em uma hora. Não é exagero. É uma máquina de vendas feita com influenciadoras”, afirma Jonathan Alves, fundador da Ybera ao lado da esposa, Sauana Alves.

Nesse sistema, as creators recebem uma comissão direta e imediata por cada venda feita a partir do perfil delas.

Por conta do volume alto de vendas, Jonathan afirma que a empresa já enfrenta gargalos de produção que impedem o crescimento mais acelerado.

“A gente não vende mais porque não consegue produzir. O problema do produto físico é esse: não é só apertar um botão. Precisa de garrafa, tampa, fórmula”, afirma.

A solução virá de uma nova fábrica de 20 mil metros quadrados e 60 milhões de reais em investimento no Espírito Santo, que deve começar a operar em fevereiro.

A planta industrial vai dobrar a capacidade produtiva — hoje limitada a 15.000 unidades diárias. 

Qual é a história da Ybera

A trajetória da Ybera começou com uma ideia improvisada em uma lua de mel.

O casal, então recém-casado, teve o primeiro insight ao ver tatuagens de henna à venda nas praias de Porto Seguro.

“Pensamos: e se isso fosse aplicado na sobrancelha?”, diz Alves.

Com um protótipo caseiro, passaram a vender o produto em salões de beleza. “Vendíamos por 300 reais um produto que custava 30 reais. Nós íamos aos salões uniformizados, com logomarca e caixa personalizada. Parecia uma grande marca, mas éramos só nós dois”, diz.

Com a febre da escova progressiva no país, os recém-empreendedores perceberam um problema crescente — os efeitos nocivos do formol.

A partir disso, a Ybera desenvolveu uma alternativa à base de banana verde.

“Descobrimos que a fruta tinha um ácido que alisava o cabelo. A fórmula virou um sucesso. Começamos a produzir em casa, depois veio a primeira fábrica”, diz.

O crescimento foi rápido.

Em 2010, a Ybera já exportava para 12 países. Em 2015, chegava a 53. A empresa se posicionou como fornecedora de produtos inovadores, como o cronograma capilar, termo criado por eles, e o óleo de mirra, com matéria-prima trazida do Sudão.

Hoje, além da fábrica no Espírito Santo, a empresa mantém centros logísticos em São Paulo e nos Estados Unidos, um centro de pesquisa na China e sede financeira na Champs-Élysées, em Paris.

Recentemente, parte do negócio foi adquirido por um grupo francês, movimento que ajuda a sustentar a internacionalização.

Influenciadoras como canal de vendas — e a próxima aposta global

A mudança mais radical no modelo de negócio veio em 2017.

Com o crescimento das redes sociais, a Ybera decidiu cortar intermediários e vender direto ao consumidor por meio de influenciadoras.

“Criamos uma plataforma onde o influenciador ganha por performance, em tempo real. Tem algumas meninas ganhando 1,2 milhão de reais em comissão”, diz Alves.

O modelo cresceu e se transformou em um ecossistema de vendas.

Hoje, são mais de 40 mil influenciadoras ativas no Brasil.

Foi uma aposta certeira. O Brasil é o país com mais influenciadores digitais no mundo. São 3,8 milhões de criadores de conteúdo, em um mercado que movimenta 20 bilhões de reais por ano.

A lógica se expandiu como um sistema de marketing multinível digital, em que influenciadoras veteranas treinam novas criadoras. Esse mesmo sistema também foi levado para os Estados Unidos, onde já são 4 mil participantes. “Lá está crescendo três vezes mais rápido que no Brasil”, diz.

A Ybera também investe em eventos para fortalecer sua comunidade de influenciadores. O Brasil Influencer, criado pela empresa, chegou a sua quarta edição com público estimado de 12 mil pessoas no Espaço Vibra, em São Paulo.

Entre os planos para os próximos anos está replicar o modelo de vendas com influenciadores nos mais de 50 países onde a marca já atua.

“A atenção das pessoas não está mais na loja física. Está no celular. A gente entendeu isso cedo e criou um canal que fala direto com o consumidor, sem intermediários”, diz Alves.

Apesar do crescimento acelerado, os desafios persistem. Um dos maiores, segundo o fundador, é a transição de uma empresa familiar para uma operação mais corporativa.

“Estou trazendo gente da Wella, Ambev, Unilever. Mas o grande desafio é fazer esse pessoal que vem de multinacional trabalhar junto com quem começou comigo lá atrás. É uma mudança de mentalidade”, afirma.

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