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Com Galindo no conselho, qual o futuro da Cogna?

Galindo está à frente da Cogna desde 2010, e agora vai para o conselho de administração; em seu lugar assume Roberto Valério, atual presidente da Kroton

 (Germano Lüders/Exame)

(Germano Lüders/Exame)

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Mariana Desidério

11 de fevereiro de 2022, 19h09

É o fim de uma era na empresa de educação Cogna. A companhia anunciou ontem que o atual CEO, Rodrigo Galindo, deixará o cargo para assumir o posto de presidente do conselho de administração. Em seu lugar assume Roberto Valério, atual presidente da Kroton, a divisão de ensino superior da companhia. A mudança passa a valer a partir de 28 de março e é resultado de um longo processo de sucessão iniciado há quatro anos.

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Em 2018, Galindo manifestou ao conselho de administração a intenção de se focar em temas estratégicos para a empresa. Ele está à frente da companhia desde 2010. O potencial sucessor foi definido em 2019, quando se iniciou a preparação para a sucessão. Em 2020, o processo precisou ser paralisado por conta da pandemia.

A avaliação da companhia é de que os resultados apresentados em 2021 e as boas perspectivas para 2022 criaram espaço para a retomada dos planos de sucessão.

Galindo está à frente da Cogna desde 2010, ano em que a empresa valia cerca de 1 bilhão de reais na bolsa. Sob sua gestão, a companhia chegou a um valor de mercado de 34,7 bilhões de reais em 2017. Em 2010 a receita era de R$ 599 milhões e este ano superará R$ 5,3 bilhões, um crescimento de quase 22% ao ano. Já o número de alunos saltou de 85 mil para 1 milhão.

Atual CEO da Kroton, a maior unidade de negócios da Cogna, que responde por 70% da receita da companhia, Roberto Valério esteve à frente do processo de turnaround da empresa nos últimos anos.

Atingida em cheio pela pandemia, a Cogna perdeu mais de 80% de seu valor de mercado desde 2017 e hoje vale 4,5 bilhões de reais. O fato é que a chegada da covid-19 elevou a outro patamar os dilemas que já rondavam a companhia e outras empresas de educação. Nos últimos anos elas precisaram lidar com a desidratação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Também viram a concorrência aumentar e protagonizaram uma guerra de preços no ensino à distância (EAD).

Hoje a Cogna vive um clima de que o pior já passou. A expectativa é de que a companhia apresente crescimento de receita em 2022, vindo principalmente de ganhos de eficiência.

A previsão é de que o ano terá algum ganho de receita na subsidiária Vasta, de sistemas para o ensino básico, mas ainda será de queda de receita da subsidiária Kroton, de ensino superior. Já em 2023, o crescimento de receita da holding deve ser mais consistente, já que Vasta continua seu processo de crescimento, e Kroton deve iniciar sua trajetoria de crescimento de receita.

Plano de voo

Ainda que o comando mude, o plano de voo da Cogna para este ano já está traçado. Dentre as apostas da companhia para a divisão de ensino superior está a criação de uma divisão focada em cursos de medicina, a KrotonMED.

Anunciada a investidores no final do ano passado, a divisão nasce com sete instituições de ensino, receita de 482 milhões de reais em 2022, 636 vagas e 3.000 alunos  em cursos de medicina, e potencial de crescimento de 75% em número de alunos. A atenção especial para segmento de cursos de medicina está em linha com as tendências do setor, e busca dar mais tração a uma fatia valiosa do mercado.

Já a Kroton definiu que seu foco no modelo presencial agora são os cursos de maior valor agregado, como engenharias, direito e saúde. Esses cursos tinham participação de 69% em 2018 e agora respondem por 83% da captação de novos alunos no presencial.

Nos cursos online, que têm maior volume de alunos e têm puxado os números de aquisição de alunos da companhia, ficam áreas como pedagogia, administração e licenciaturas. A avaliação é de que a Kroton teve sua base de alunos mais baixa em 2020, com 786 mil estudantes. Em 2021, a companhia inicia uma retomada, que deve ser acelerada a partir de 2022.

Ensino básico

Na divisão de ensino básico, a Vasta, um dos focos para 2022 é a aposta em parcerias para distribuição de conteúdo de parceiros. A Vasta firmou recentemente uma parceria com o colégio Fibonacci, forte no ensino médio, para a criação de um sistema de ensino. Também fechou acordo com o Mackenzie, para fazer a distribuição de seu sistema de ensino. Nos dois casos, o conteúdo vem do parceiro, e a Vasta entra com a tecnologia e a distribuição.

Outra aposta está em um marketplace, com serviços de edtechs de todo o mundo. O Plurall Store oferece soluções para estudo de línguas, preparatórios para provas, educação financeira e pensamento computacional. Nessa loja virtual, as edtechs parcerias oferecem uma degustação de 30 dias por semestre para seus produtos, que são testados pelos alunos. Outro foco está em serviços oferecidos diretamente ao aluno, como as aulas particulares.

 

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