Ricardo Cavalcante, presidente da FIEC: "nossa competitividade está na diversidade, na inovação e na força do emprego industrial" (FIEC/Divulgação)
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Publicado em 4 de março de 2026 às 15h44.
Última atualização em 4 de março de 2026 às 16h50.
Você acende a luz, pega o celular, veste uma roupa, toma café e se desloca para o trabalho. Em cada gesto trivial há uma cadeia produtiva operando. No Ceará, a indústria que move essa engrenagem responde por boa parte das exportações do estado e ocupa o segundo lugar no ranking de estados do Nordeste que mais geram empregos formais — são 400 mil ao todo. Hoje, 82,6% de tudo o que o Ceará exporta vem da indústria.
“Hoje, 82,6% de tudo o que o Ceará exporta vem da indústria. Isso significa que é o setor industrial que sustenta a maior parte da nossa relação comercial com o mundo, gerando divisas, ampliando mercados e fortalecendo a economia do estado”, afirma Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
O peso da indústria na economia cearense impulsionou a criação da primeira edição da Feira da Indústria, que será realizada nos dias 9 e 10 de março no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. No espaço de 27 mil metros quadrados, a expectativa é atrair 80 mil visitantes e reunir empresas, investidores, estudantes e representantes do poder público em torno da agenda industrial do estado.
“A feira materializa o conceito de ‘indústria conectada ao seu dia a dia’, aproximando a população e ampliando a visibilidade das empresas locais”, diz Cavalcante.
Estruturado em seis ilhas temáticas — moda, alimentos, metalmecânica, química, telecomunicações e energias —, o evento vai reunir empresas ligadas aos 39 sindicatos filiados à FIEC. Haverá rodadas de negócios, lançamentos de produtos, oficinas, workshops e demonstrações tecnológicas com equipamentos dos laboratórios do SENAI.
Entre os destaques estão três robôs humanoides modelo G1, da startup chinesa Unitree Robotics. Será a primeira vez que o equipamento participa de um evento no Nordeste. Com 1,27 metro de altura, 35 quilos e até 43 motores nas articulações, os robôs irão circular pelos pavilhões, interagir com visitantes, dançar e reproduzir falas institucionais da programação. A tecnologia permite manipular objetos frágeis, como ovos, e cargas mais pesadas, com aplicações em ambientes industriais, operações logísticas e até tarefas domésticas.
Outra aposta é a sala imersiva multisensorial desenvolvida pela FIEC para a abertura do evento. A experiência conduz o visitante de um ambiente cotidiano, como uma casa, para os sistemas que sustentam a vida urbana e industrial. Com luz, som, recursos audiovisuais e estímulos sensoriais integrados, o espaço revela o percurso da água, da energia e das redes que fazem a economia funcionar.
A programação inclui palestras com Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações; João Adibe, CEO da Cimed; e o historiador Leandro Karnal, além de apresentações musicais de Waldonys e Fagner. Desfiles coordenados por Cláudio de Santana, da São Paulo Fashion Week, completam a agenda.
Para ampliar o alcance social, mais de 200 ônibus levarão estudantes de escolas e universidades públicas e privadas ao evento. A iniciativa dialoga com outra frente estratégica da federação: formação profissional e conexão entre indústria e mercado de trabalho.
“Quando o jovem tem contato direto com tecnologia, inovação e empresas reais, ele passa a enxergar a indústria como uma possibilidade concreta de carreira, crescimento e transformação social”, diz Cavalcante.
Robôs humanoides da chinesa Unitree Robotics: um dos destaques da Feira da Indústria (FIEC/Divulgação)
Nos últimos anos, o Ceará consolidou setores tradicionais como alimentos e bebidas, têxtil, confecção, calçados, metalurgia e construção civil. Ao mesmo tempo, busca ampliar presença em áreas de maior densidade tecnológica, como energias renováveis, hidrogênio verde, data centers, cabos submarinos e economia do mar.
Na agenda ambiental, a federação estruturou o Selo ESG-FIEC de Indústria Sustentável, auditado pelo Bureau Veritas, empresa francesa de certificação, e ampliou parcerias ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
“Sustentabilidade deixou de ser discurso porque virou condição de mercado. Hoje, práticas ambientais, sociais e de governança são critério de acesso a crédito, investidores e mercados internacionais”, afirma o presidente da FIEC.
O evento também funcionará como vitrine para soluções em automação, digitalização de processos, manufatura avançada e tecnologias ligadas à transição energética. A proposta é tornar visível o que normalmente fica restrito aos parques industriais.
Parte da estratégia passa por inteligência de dados. O Observatório da Indústria, núcleo do Sistema FIEC, cruza grandes bases de informação e elabora estudos prospectivos para orientar decisões empresariais e políticas públicas. “Competitividade não se constrói no improviso. Ela se constrói com inteligência estratégica”, diz Cavalcante.
Ao abrir a feira ao público em geral, a federação busca transformar visibilidade em negócios e posicionamento. “Queremos que a sociedade reconheça, de forma mais clara, o papel da indústria na geração de riqueza, emprego e oportunidades. E que o Ceará seja percebido, dentro e fora do país, como um estado competitivo, inovador e preparado para crescer.”