Negócios

Carta de IMC à Sapore apimenta a Guerra do Frango Assado

Duas companhias de restaurantes estão numa renhida disputa para criar um grupo que faturaria 3 bilhões de reais

Frango Assado (./Divulgação)

Frango Assado (./Divulgação)

LA

Lucas Amorim

Publicado em 23 de novembro de 2018 às 19h55.

Última atualização em 17 de setembro de 2019 às 18h55.

O grupo IMC, controlador de Viena, Frango Assado e Olive Garden, enviou na noite desta quinta-feira uma carta à Sapore, dona de restaurantes corporativos, em mais um capítulo de uma renhida disputa para juntar as duas companhias. Cada uma delas faturou, ano passado, 1,5 bilhão de reais.

A correspondência diz respeito a uma oferta pública de aquisição (OPA) feita pela Sapore em 19 de novembro para comprar na bolsa de valores brasileira B3 cerca de 40% das ações da IMC. Na carta, a IMC afirma que, antes de decidir vender ou não os papeis, todos os seus acionistas têm direito de conhecer mais detalhes da oferta, como as condições financeiras e a fonte do dinheiro, além dos resultados de uma auditoria feita na Sapore em setembro. Na época, a IMC, que tem 100% das ações negociadas em bolsa, estava negociando para comprar o controle da Sapore, comandada fundador Daniel Mendes. Mas, segundo a IMC disse naquele momento, uma auditoria revelou detalhes da Sapore que a levaram a desistir da transação.

A Sapore resolveu insistir no negócio, lançando a oferta hostil na última segunda-feira. O objetivo é, com a participação de 40%, mandar no conselho de administração e, por consequência, na empresa. Seria uma forma de fazer a naufragada fusão renascer nos seus termos. A IMC, comandada pelo banco Itaú e pelo fundo de investimentos Advent, cada um com uma fatia de 10%, não gostou da oferta feita diretamente aos acionistas e pediu os esclarecimentos.

Alguns dos questionamentos levantados pela IMC já estão respondidos no próprio edital da OPA. A Sapore propõe pagar 8,63 reais por cada ação da IMC, 22% mais do que a cotação do papel na B3 na sexta-feira, de 7,09 reais. Os recursos virão de um empréstimo de 550 milhões de reais já obtido pela companhia com o Banco do Brasil, o Bradesco e o Banco Votorantim. A relação de troca de ações entre a IMC e a Sapore, na operação, será definida a partir da avaliação de um banco apontado por um comitê independente a ser formado por investidores da IMC e votada em assembleia de acionistas, segundo a instrução 35 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“As condições estão bastante claras no edital. As regras a serem seguidas na transação são as que garantem o mais elevado nível de governança corporativa”, diz Marco Gonçalves, sócio da assessoria financeira Riza Capital, que dá suporte para a Sapore na oferta. “A Sapore quer levar o negócio adiante porque vê muito valor na união das duas empresas.”

Segundo EXAME apurou, a Sapore não tem intenção de responder à carta da IMC por considerar que a lei do mercado de capitais não faz nenhuma exigência nesse sentido. A empresa não comenta. Depois da publicação do edital da OPA, quem deve se manifestar é o conselho de administração da empresa que é alvo da oferta, recomendando que os acionistas aceitem ou não a proposta. Em relação à questão da auditoria, a Sapore somente concordaria em abrir mão da confidencialidade sobre os resultados caso a IMC também topasse revelar os resultados da auditoria em suas próprias operações realizada também em setembro, quando a fusão entre as duas empresas parecia um desejo de ambas. Na opinião de executivos que estão participando da transação, a concessão do empréstimo bancário é suficiente para atestar que a Sapore não tem nenhum grande problema escondido debaixo do tapete.

A Sapore tem dito aos investidores que a procuram que não tem condições de aumentar o preço e que os maiores acionistas, os quais mandam no conselho de administração atualmente, não deveriam decidir pelos demais. A OPA expira em 30 dias a contar da publicação do edital, em 19 de novembro.

Acompanhe tudo sobre:IMCViena (alimentação)

Mais de Negócios

'O fim da taxa das blusinhas é a destruição do varejo nacional', diz fundador da Havan

Taxa da blusinha: ‘É uma grande vitória para o consumidor’, diz CEO da Shein no Brasil

Fim da 'taxa das blusinhas' vai custar empregos no varejo brasileiro, diz CEO da Dafiti

Este biólogo vai faturar milhões com aparelho que promete acabar com incêndios florestais