Negócios

C&A lança sua coleção mais sustentável até agora - e pelo mesmo preço

São nove peças jeans, disponíveis em 44 lojas entre as 280 lojas da C&A e no site; coleção usa menos água e eliminou químicos nocivos

C&A: Para a linha Ciclos, os químicos usados não apresentam riscos para o meio ambiente ou para as pessoas (Juca Varella/JV IMAGENS/Divulgação)

C&A: Para a linha Ciclos, os químicos usados não apresentam riscos para o meio ambiente ou para as pessoas (Juca Varella/JV IMAGENS/Divulgação)

Karin Salomão

Karin Salomão

Publicado em 10 de novembro de 2020 às 16h47.

Última atualização em 11 de novembro de 2020 às 09h31.

Do cultivo do algodão à água usada na fábrica e a reciclagem das peças depois do uso. A nova coleção da C&A é a primeira a ser produzida no Brasil que pensa em como cada etapa do processo pode ser mais sustentável. Com nove produtos, a nova linha é intitulada Ciclos e recebeu a certificação Cradle to Cradle, um padrão internacional de produção sustentável e pensada na economia circular. 

A primeira coleção conta principalmente com produtos de jeans. São calças no modelo "mom", shorts cintura alta, saia, calças skinny e jaqueta, que estarão disponíveis em 44 lojas entre as 290 lojas da C&A e no comércio eletrônico. Até janeiro outras oito peças em malharia também serão lançadas. 

Apesar dos custos mais caros, essas peças terão preços semelhantes aos outros produtos da C&A. "As clientes querem consumir produtos mais sustentáveis, mas nem sempre podem pagar. É nosso dever fazer com que esses produtos entrem na nossa estrutura de precificação", diz Francislei Donatti, vice-presidente comercial da C&A.

Diferenças na produção

A jornada de sustentabilidade da C&A começou em 2006. Em 2017, lançou alguns produtos básicos e peças jeans pensadas para serem mais sustentáveis. Cerca de 80% do algodão já é de origem mais benéfica para o meio ambiente, o que significa que pelo menos 55% das peças vendidas pela C&A possuem a matéria-prima com impacto menor - a C&A vendeu 1,3 bilhão de reais nos seis primeiros meses do ano. Algumas peças também foram importadas, feitas com tecnologias desenvolvidas na Europa. 

Agora, a empresa busca trazer essa tecnologia para o Brasil. A companhia passou os últimos dois anos desenvolvendo fornecedores que atendessem os requisitos necessários para essa certificação. Dois fornecedores, de jeans e de malha, foram capacitados para essa linha. "Estamos construindo uma história dentro da sustentabilidade, um tema tão importante para a nossa indústria, que tem uma reputação de ter impacto no meio ambiente", afirmou Paulo Correa, presidente da C&A.

Para a linha Ciclos, os químicos usados não apresentam riscos para o meio ambiente ou para as pessoas e os botões não contêm nenhum metal pesado. Assim, toda água usada na produção e lavagem das peças pode ser retornada à natureza. O algodão usado nos tecidos e fios de costura tem origem mais sustentável, as confecções são fiscalizadas para oferecerem condições de trabalho adequadas e 50% da energia usada na fabricação vem de origens sustentáveis. 

Ao final da vida do produto, todos os tecidos podem ser reciclados. Se na Europa essa linha é certificada para compostagem - ou seja, volta para a natureza em forma de adubo - no Brasil a varejista irá reciclar as peças. A reciclagem será feita pelo Movimento ReCiclo, que disponibiliza caixas em 155 lojas da rede para que consumidores entreguem peças, mesmo de outras marcas, para serem doadas ou recicladas.

O desenvolvimento do novo conceito de comunicação da linha contou com a parceria da Menos 1 Lixo, um dos maiores movimentos de educação ambiental do Brasil, que desenvolveu desde o nome e a identidade visual da iniciativa.

Ainda há um longo caminho até garantir que todas as práticas e passos da produção sejam completamente sustentáveis, diz a varejista. "Trabalhamos para que a sustentabilidade seja cada vez mais uma prática e não uma iniciativa isolada", diz Donatti. 

Acompanhe tudo sobre:ModaIndústria de roupasC&A

Mais de Negócios

Fim da 'taxa das blusinhas' vai custar empregos no varejo brasileiro, diz CEO da Dafiti

Este biólogo vai faturar milhões com aparelho que promete acabar com incêndios florestais

MELHORES E MAIORES: Inscrições vão até 30 de maio; veja como se inscrever

Cartão corporativo que recusa compras fora das regras vai fazer fintech movimentar R$ 500 milhões