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Briga entre irmãos Batista e magnata da Indonésia atinge JBS

O mais recente problema judicial da empresa está baseado na Eldorado Celulose, que a holding J&F disputa com a Paper Excellence, de magnata da Indonésia

JBS: suposta ação adotada pela Paper Excellence inclui a contratação de ex-congressistas dos EUA para impedir abertura de capital no país (Ueslei Marcelino/Reuters)

JBS: suposta ação adotada pela Paper Excellence inclui a contratação de ex-congressistas dos EUA para impedir abertura de capital no país (Ueslei Marcelino/Reuters)

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Da Redação

Publicado em 13 de fevereiro de 2020 às 06h00.

Última atualização em 13 de fevereiro de 2020 às 07h00.

A gigante de carnes JBS foi envolvida na briga de seus principais acionistas, os irmãos Batista, com uma bilionária família da Indonésia.

O mais recente problema judicial da companhia está relacionado à disputa entre a sua holding, J&F Investimentos, e a Paper Excellence pela fabricante de celulose Eldorado Brasil Celulose, disse a JBS em uma petição anexada ontem a uma ação coletiva que corre na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Na ação, iniciada em novembro, o professor universitário Mauricio Jorge Pereira da Mota pede o ressarcimento de R$ 4,3 bilhões ao BNDES e ao Tesouro por perdas causadas por supostas irregularidades em uma transação financiada pelo banco de fomento em 2009.

Para a JBS, existem fortes evidências de que a Paper Excellence, fabricante de celulose com sede na Holanda, está por trás do autor da ação e de seus financiadores, incluindo os custos de ações legais adotadas por advogados que representam Mota nos Estados Unidos.

Os advogados da empresa brasileira dizem na petição que a Paper Excellence iniciou uma “sórdida campanha de difamação da JBS” perante congressistas e autoridades dos EUA com a intenção de atacar a controladora J&F e os irmãos Batista.

A Paper Excellence é de propriedade de Jackson Widjaja, neto do magnata indonésio Eka Widjaja. Segundo a JBS, a suposta ação adotada pela Paper Excellence inclui a contratação de ex-congressistas dos EUA como lobistas profissionais com o “propósito declarado de prejudicar a posição da companhia naquele país e no mundo”. A JBS avalia listar ações nos EUA.

A empresa indonésia de celulose “desconhece e nega com veemência relatos de terceiros envolvendo nomes de profissionais e empresas, difundidos no sentido de atacar a companhia e seus acionistas e trabalhadores, certamente no interesse de inescrupulosas estratégias desses terceiros”, segundo nota enviada por sua assessoria de imprensa. A companhia também “repudia toda e qualquer insinuação caluniosa e de má-fé sobre sua atuação empresarial”.

Um porta-voz de Mota, o autor da ação, descreveu as acusações como uma “tentativa desesperada de desviar a atenção da enorme fraude, corrupção e criminalidade dos Batista que criaram a JBS e chamou a atenção de autoridades e reguladores dos Estados Unidos”.

A briga entre os bilionários sobre a propriedade da Eldorado, um dos maiores fabricantes de celulose do país, começou em 2017, quando a Paper Excellence acertou a compra da empresa dos bilionários irmãos Batista, então envolvidos em um escândalo de corrupção. A transação entrou em colapso em meio a uma disputa por garantias, e a Paper Excellence decidiu abrir um processo de arbitragem acusando os Batistas de sabotar o acordo. Desde então, os dois lados têm feito acusações públicas um contra o outro.

As evidências apontadas pelos advogados da JBS na petição incluem o fato de que o advogado que representa Mota nos Estados Unidos é o principal advogado da família Widjaja naquele país.

Para a JBS, “o autor da ação dissimula interesse privado, oculto e ilegítimo”, o que seria suficiente para desqualificá-lo como ação coletiva. A JBS pede ao juiz que o andamento da ação seja suspenso até que se conclua a apuração da relação entre o autor da ação popular, seus financiadores e a Paper Excellence.

Em petição anexada à ação coletiva no mês passado, o BNDES disse que a transação que é objeto da ação popular - a aquisição do frigorífico brasileiro Bertin em 2009 - obedeceu todas as exigências legais e que a operação não trouxe prejuízo para a BNDESPar, a empresa de participações do banco.

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