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Brasil é o melhor ambiente da América Latina para startups, aponta ranking global

Brasil lidera a América Latina em ambiente de negócios para inovadores, mas enfrenta desafios no ranking global, argumenta Diogo Garcia, sócio-diretor da KPMG, em artigo

Faria Lima, centro financeiro de São Paulo: O Brasil aparece na 42ª posição global em ranking sobre facilidade para empreender (Leandro Fonseca/Exame)

Faria Lima, centro financeiro de São Paulo: O Brasil aparece na 42ª posição global em ranking sobre facilidade para empreender (Leandro Fonseca/Exame)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 15h20.

Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 15h21.

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Por Diogo Garcia, sócio-diretor da KPMG

O Brasil aparece na 42ª posição global no Innovators Business Environment Index 2026, estudo da StartupBlink que avalia o quão favorável é o ambiente de negócios para quem quer empreender, inovar e escalar empresas.

O dado mais relevante, no entanto, é outro. O país lidera a América Latina e o Caribe, à frente de economias como Colômbia e México. É um resultado importante, mas ainda insuficiente.

O índice analisa 125 países a partir de um olhar diferente daquele que costuma dominar rankings de inovação. Aqui, não se mede volume de investimento em startups, número de unicórnios ou saídas bilionárias.

O foco está nas condições estruturais que moldam a vida do empreendedor desde o primeiro dia. O quão fácil é abrir uma empresa, operar, contratar, pagar impostos e confiar nas regras do jogo. É justamente aí que o Brasil vive sua contradição.

Quem lidera o ranking global

Os países mais bem posicionados no Innovators Business Environment Index 2026 são:

  1. Estados Unidos
  2. Singapura
  3. Reino Unido
  4. Suíça
  5. Emirados Árabes Unidos
  6. Canadá
  7. Holanda
  8. Japão
  9. Alemanha
  10. Suécia
  11. Finlândia
  12. Dinamarca
  13. Austrália
  14. Israel
  15. Áustria
  16. Coreia do Sul
  17. Irlanda
  18. Bulgária
  19. Noruega
  20. Estônia

O Brasil ocupa a 42ª posição e lidera o ranking  na América Latina

Liderança regional sustentada pela escala

O Brasil lidera a região principalmente por sua escala de mercado. Poucos países oferecem um ambiente tão grande, diverso e sofisticado para testar modelos de negócio.

Para startups, isso é um ativo poderoso. Além disso, o país conta com o ecossistema de inovação mais maduro da América Latina.

Há mais fundos de venture capital, mais aceleradoras, mais hubs corporativos e um número crescente de empresas de tecnologia em estágio avançado.

Em meu papel como líder de comunidades de empreendedores e de startup hunting, observo um aumento consistente de players atuantes no ecossistema de Norte a Sul, inclusive muitos que ainda estão fora do radar.

Em termos relativos, o Brasil está à frente de países como Colômbia e México quando se observa densidade de capital, volume de empreendedores e diversidade setorial.

Apesar da liderança regional, o índice aponta gargalos estruturais que impedem o Brasil de avançar no ranking global. O principal deles é a complexidade regulatória e burocrática.

Abrir, operar e escalar empresas no país ainda envolve custos elevados de conformidade, insegurança jurídica e baixa previsibilidade regulatória.

Outro entrave relevante é o sistema tributário, considerado pouco competitivo do ponto de vista do inovador. A multiplicidade de tributos, regras e regimes reduz a atratividade para fundadores e investidores internacionais.

O acesso a capital, embora superior ao de outros países da região, também aparece como um ponto de atenção, especialmente fora dos grandes centros e para empresas em fase de crescimento acelerado.

O desempenho da Lituânia

Entre os países que aparecem bem posicionados no ranking global está a Lituânia, que ocupa hoje a 22ª posição mundial no Innovators Business Environment Index 2026, à frente de economias significativamente maiores e mais presentes no debate internacional sobre inovação.

O bom desempenho da Lituânia não está associado a grandes volumes de subsídios públicos ou a um ecossistema exuberante de startups.

O relatório destaca fatores mais estruturais, como alta digitalização dos serviços públicos, facilidade de acesso a ferramentas digitais e integração eficiente ao mercado europeu.

Nos últimos anos, o país tornou quase integralmente online os processos de abertura, operação e reporte de empresas, reduzindo fricções administrativas e o custo de conformidade para o empreendedor.

A clareza regulatória e a previsibilidade institucional também aparecem como elementos centrais para explicar sua posição no ranking.

Além disso, a abertura financeira, a facilidade para operações transfronteiriças e a integração com o mercado europeu reduzem o custo de escalar negócios a partir de um país pequeno.

O resultado é um ambiente no qual o empreendedor perde menos tempo lidando com burocracia e mais tempo executando. O caso da Lituânia reforça uma mensagem central do índice.

Ambientes que funcionam bem no básico tendem a se posicionar melhor no ranking, mesmo sem grande escala de mercado ou ecossistemas locais altamente sofisticados.

Escala ajuda, ambiente decide

O ponto central do Innovators Business Environment Index é simples. Inovação sustentável não nasce de incentivos pontuais, subsídios seletivos ou programas isolados.

Ela nasce de ambientes previsíveis, simples e confiáveis para fazer negócios. O Brasil já provou que consegue liderar regionalmente mesmo convivendo com fricções relevantes.

A pergunta que o índice deixa no ar é outra. Quanto mais o país poderia avançar se reduzisse o atrito básico de empreender?

No jogo global da inovação, escala ajuda. Mas é o ambiente de negócios que decide quem chega mais longe.

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