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Bento XVI vai nomear novo presidente para Banco do Vaticano

Instituição era comandada interinamente por economista brasileiro

São Paulo – Bento XVI deve nomear um novo presidente para o Istituto per Opere di Religione (IOR), mais conhecido como o Banco do Vaticano. A nomeação deve ser um de seus últimos atos, antes de deixar oficialmente o posto de líder da Igreja Católica, em 28 de fevereiro.

Segundo o blog Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa, o escolhido é um banqueiro belga, cujo nome não foi revelado. A seleção contou com a assessoria da Spencer & Stuart, uma das mais respeitadas consultorias de head hunter do mundo.

O Banco do Vaticano não tem um presidente formal desde 26 de maio de 2012, quando Ettore Gotti Tedeschi deixou o cargo, em meio a acusações de má gestão e suspeitas do Banco Central da Itália de que estivesse envolvido em casos de lavagem de dinheiro.

Desde então, o banco foi tocado por uma junta de diretores, do qual faz parte o economista gaúcho Ronaldo Schmitz. O banco não possui capital listado em bolsa e é apontado pela imprensa internacional como um dos mais fechados do mundo.

Troco

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, a decisão de Bento XVI de nomear um novo presidente para a instituição surpreendeu os observadores. Havia um consenso, na cúpula do Vaticano, de que o banco era capaz de sobreviver sem um presidente formal, dada sua estrutura.

O jornal italiano afirma, porém, que o movimento de Bento XVI expõe uma fissura nesse consenso. Segundo o Corriere, a nomeação seria uma retaliação do Papa contra o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, de quem Bento XVI se afastou ao longo do papado.

Segundo do jornal, o Papa estaria incomodado com a centralização do poder financeiro do Vaticano em Bertone, e a ele teria atribuído as crises que envolveram o banco nos últimos tempos.

Com ativos avaliados em 6 bilhões de euros e cerca de 33.000 correntistas, o Banco do Vaticano envolveu-se em operações polêmicas desde que foi fundado pelo Papa Pio XII, em 1942. Entre as mais ruidosas, está a falência do Banco Ambrosiano, nos anos 80, que deixou um rombo de 4,7 bilhões de dólares e do qual o Banco do Vaticano era um dos maiores acionistas.

O caso mais recente envolvendo o IOR começou em 2010, quando a Justiça italiana congelou transferências que somavam 23 milhões de euros de um fundo vinculado ao Banco do Vaticano. As autoridades italianas levantaram suspeitas quanto à origem do dinheiro. Na época, Tedeschi foi acusado pelo Banco Central da Itália de não fornecer todas as informações solicitadas – o que detonou uma série de investigações que culminaram na sua queda.

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