Farm se expande no mercado internacional. Foto do modelo da loja de verão da Farm Rio em Marbella, Espanha, inaugurada em junho de 2026 (Farm Rio/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de junho de 2026 às 18h50.
Última atualização em 19 de junho de 2026 às 19h31.
A Azzas 2154 iniciou oficialmente um processo para avaliar alternativas estratégicas para a Farm Rio (marca internacional da Farm), e contratou o Morgan Stanley para assessorar a operação.
A informação foi confirmada pelo grupo em Fato Relevante divulgado ao mercado nesta sexta-feira, 19. Segundo apuração do Neofeed, o negócio é estimado a U$ 1 bilhão.
Segundo o Grupo Azzas 2154, o objetivo é "destravar valor" da marca, mas, por enquanto, não há decisão tomada, proposta formal ou estrutura definida para uma eventual transação.
A iniciativa acontece em um momento de reorganização da Azzas 2154, resultado da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, e em meio às divergências públicas entre os fundadores Roberto Jatahy e Alexandre Birman sobre os rumos do grupo.
Em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME, nesta semana, Marcello Bastos, cofundador da Farm, comentou que acredita que a situação entre os sócios será superada.
"Pode haver divergências, mas elas precisam ser resolvidas olhando para o que é melhor para a empresa e para os resultados de longo prazo", diz. "Eles vão se entender. Eles vão encontrar um caminho que será bom para os dois lados," afirma.
Responsável por cerca de 1/4 das receitas da companhia, a Farm Rio se transformou em uma das principais histórias de internacionalização da moda brasileira. A marca já responde por aproximadamente 40% das vendas fora do Brasil, com presença em Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.
No ano passado, a Farm registrou receita bruta próxima de R$ 3,4 bilhões e se consolidou como uma das marcas mais valiosas do portfólio da Azzas.
Agora, a companhia estuda formas de capturar esse valor. Entre as possibilidades estão uma venda parcial, a entrada de um investidor estratégico, uma cisão ou até uma eventual abertura de capital da operação internacional.
No comunicado, a empresa afirma que a contratação do Morgan Stanley faz parte da prática usual de avaliação contínua de seus ativos e reforça que "não há qualquer decisão tomada, operação aprovada ou instrumento vinculante celebrado".
O processo ocorre poucos meses após o agravamento das tensões entre os principais acionistas do grupo. Desde a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, anunciada em 2024, divergências sobre governança e estratégia passaram a ganhar visibilidade no mercado.
A avaliação de alternativas para a Farm pode ser vista como uma tentativa de evidenciar o valor individual da marca, considerada por analistas um dos ativos mais fortes do conglomerado.
Com presença em mais de 100 países e crescimento acelerado no exterior, a Farm vem atraindo interesse internacional desde antes da fusão. Em 2025, celebridades como Taylor Swift e Sarah Jessica Parker impulsionaram a visibilidade da marca nos Estados Unidos, enquanto parcerias com varejistas como Anthropologie ajudaram a ampliar a operação no país.
Em Fato Relevante, a Azzas 2154 afirmou que:
"Contratou o Banco Morgan Stanley S.A. para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor dessa marca."
A companhia ressaltou, porém, que não existe, neste momento, "qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal ou definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação".
Com mais de 130 lojas no Brasil, novas unidades da Farm estão previstas para este ano no Brasil, segundo Bastos. Mas para o mercado internacional, onde a marca possui 18 unidades próprias, além de presença em grandes lojas de departamento internacionais, a Farm segue acelerando sua expansão global.
A estratégia agora inclui reforçar a presença em destinos turísticos e de luxo, com novas operações chamadas “summer stores” (ou lojas de verão) a partir do início deste mês em locais como Ibiza (Espanha), Saint-Tropez (França), Marbella (Espanha) e Capri (Itália). A marca também reforça sua operação sazonal em Mykonos, na Grécia.
“Vamos começar como algo sazonal, mas se o resultado persistir, pode se tornar uma loja física”, afirma Bastos.
A companhia também vê espaço para crescer em cidades estratégicas da Europa, depois de consolidar sua presença em mercados como Londres e Paris.
"Depois de NY, os lugares que mais temos resultado fora do Brasil são Londres e Paris. E neste ano teremos mais novidades na Espanha", diz o cofundador.
Atualmente, a Farm tem lojas distribuídas por mercados estratégicos como Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e América Latina.
Veja a entrevista completa de Marcello Bastos, cofundador da Farm, ao "De frente com CEO":