As marcas que devem ganhar com a saída da Ford de importantes categorias

A montadora americana tem participação significativa em compactos de entrada, com o Ka, e também em SUVs, com o Ecosport

Embora a Ford tenha prometido manter as vendas de veículos no Brasil, após anunciar o encerramento de toda sua produção local, a montadora vai parar de comercializar o compacto Ka e o SUV Ecosport, que eram montados na fábrica de Camaçari, na Bahia. Com a saída da empresa de importantes segmentos, a expectativa é que a disputa pela fatia da Ford seja bastante acirrada, com líderes e aspirantes à elite do mercado brasileiro brigando por um volume significativo de vendas.

Cerca de 85% dos veículos comercializados pela Ford, em 2020, foram produzidos no Brasil, somando aproximadamente 120.000 unidades, segundo levantamento da Bright Consulting. Desse total, em torno de 100.000 automóveis estão no chamado segmento "B", que abrange compactos e subcompactos de entrada e que representam a maior fatia das vendas no Brasil.

O Ka, em sua versão hatch, foi o quinto automóvel mais vendido do país no ano passado. As vendas da versão sedã também foram importantes. Com o fim da produção do modelo, lançado há mais de duas décadas, outras marcas devem se beneficiar.

"Trata-se de no mínimo 100.000 carros que vão melhorar a utilização de capacidade de outras montadoras, principalmente General Motors, Volkswagen e Fiat", diz Murilo Briganti, diretor da Bright.

As três marcas foram líderes de mercado em 2020 e são conhecidas por seus campeões de vendas no segmento B, como o Volkswagen Gol, o Fiat Argo e o Chevrolet Onix: são estes modelos que têm intensificado a briga por participação de mercado.

Fernando Trujillo, analista da divisão automotiva da consultoria IHS Markit, acredita ainda que a Hyundai também pode se beneficiar da saída da Ford do segmento B. O compacto HB20 foi o segundo modelo mais vendido do país em 2020.

Fiesta

A Ford descontinuou a produção do compacto Fiesta há dois anos, com o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde também eram produzidos caminhões. Com isso, a montadora já havia deixado uma lacuna no mercado brasileiro.

Embora as vendas do Fiesta tenham somado 14.500 unidades em 2018, último ano cheio de comercialização do modelo, a marca já colheu bons frutos em todas as gerações do compacto, incluindo o Fiesta Rocam, descontinuado em 2013.

O chamado New Fiesta era concorrente direto de modelos como o Volkswagen Polo e o Chevrolet Onix, por exemplo, que possivelmente se beneficiaram nos últimos dois anos com essa saída.

SUVs

Em utilitários esportivos, a Ford tem um público cativo. Foi a marca que inaugurou a categoria no Brasil, em meados do ano 2000, com o Ecosport, um modelo que à época era diferente de tudo o que o mercado local tinha visto.

O SUV foi líder por cerca de 15 anos, perdendo o posto somente quando a Jeep chegou ao país com fabricação local. Em 2020, o Ecosport foi o oitavo SUV mais vendido, com cerca de 24.000 unidades emplacadas.

Para Trujillo, a disputa por essa fatia deve ser ainda mais disputada. Chevrolet Tracker, Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Jeep Renegade e até o Caoa Chery Tiggo serão os principais modelos que podem ocupar a lacuna deixada pela Ford.

Para o futuro, a Ford deixou bem claro que deve concentrar suas vendas nos segmentos de picapes, SUVs e veículos comerciais elétricos e conectados. Embora o Ecosport ainda seja produzido na Índia, sobram dúvidas se trazê-lo importado valeria a pena principalmente devido ao câmbio. Enquanto isso não acontece, por aqui as concorrentes da marca americana já devem estar de olho nessa rentável fatia do mercado.

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