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Após vender GetNet, gaúcho pode ganhar R$ 2 bi com Embratec

Cobiçada por multinacionais, a Embratec atua no rastreamento e gerenciamento de frota de veículos leves e pesados


	GetNet: cobiçada por multinacionais, a Embratec atua no rastreamento e gerenciamento de frota de veículos leves e pesados
 (Divulgação)

GetNet: cobiçada por multinacionais, a Embratec atua no rastreamento e gerenciamento de frota de veículos leves e pesados (Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 13 de outubro de 2015 às 12h29.

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São Paulo - Dono de uma fortuna estimada em R$ 1,6 bilhão, o nome do empresário gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho pouco aparece nas rodas de conversas do universo empresarial. Avesso a holofotes, Corrêa não dá entrevistas, nem se deixa fotografar.

O jeito recluso, no entanto, contrasta com sua agressividade para fazer negócios.

Em abril do ano passado, ele vendeu a GetNet, uma das maiores operadoras em captura e processamento de operações financeiras, para o Santander, por R$ 1,1 bilhão. E, agora, tem na manga outro negócio, avaliado em cerca de R$ 2 bilhões.

Cobiçada por multinacionais, a Empresa Brasileira de Tecnologia e Administração de Convênios (Embratec) atua no rastreamento e gerenciamento de frota de veículos leves e pesados. A empresa também é dona de uma operadora de cartão de benefícios, a Good Card, que administra vale-refeição, vale-presente e vale combustível. A companhia tem entre seus clientes Ambev, Casas Bahia e Gerdau.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que pelo menos duas multinacionais - a francesa Sodexo e a americana FleetCor - estão avaliando o negócio.

O BTG Pactual foi contratado no primeiro semestre para assessorar essa operação. Com faturamento, em 2014, de 18 bilhões de euros, a Sodexo já fez aquisições no país, com a compra da VR, em 2007, e da Puras, em 2011.

Já a americana FleetCor, uma das maiores do mundo em serviço de frota, com vendas globais de US$ 1,2 bilhão, já está há algum tempo buscando oportunidades no mercado brasileiro, segundo fontes ligadas ao negócio. "Ao menos outros dois grupos estrangeiros estão olhando o negócio", disse uma fonte familiarizada com a operação.

Fundada no início dos anos 2000, a Embratec é apenas um dos vários negócios criados por Ernesto Corrêa.

O empresário se divide entre Campo Bom, a 57 km de Porto Alegre, e o Uruguai, onde possui fazendas e um apartamento em uma das regiões mais valorizadas de Punta del Este.

A GetNet, que atua no mercado de captura e processamento de transações bancárias, foi um dos seus maiores fenômenos, quebrando o duopólio que era dominado por Redecard e Cielo.

O segmento de rastreamento de veículos, no qual a Embratec também atua, tem atraído investidores. No ano passado, um fundo gerido pela GP Investments vendeu 49% da Sascar para a francesa Michelin. O Pátria Investimentos é dono da Zatix.

Calçados

Corrêa começou sua carreira como exportador de calçados para uma das tradicionais famílias do Rio Grande do Sul, os Reichert, entre os anos 70 e 80.

Quando o setor calçadista do Brasil começou a perder competitividade para a China, Corrêa criou uma empresa em solo chinês para exportar calçados para os EUA. E deu certo. Seu filho Ricardo ficou responsável por esse negócio.

Os outros três filhos também trabalham nos negócios da família.

No início dos anos 2000, ele passou a investir em tecnologia e serviços financeiros: a GetNet, que tinha entre seus maiores clientes o banco Santander, e a Embratec.

"Ernesto é o tipo de empresário que a gente chama de self-made man (homem de sucesso que saiu do nada). Começou do zero como engenheiro de produtos e hoje tem diversos negócios", afirma uma pessoa próxima ao empresário. "Ele não tem apego aos seus negócios. Vende quando se valoriza."

Também criador de gado, Ernesto Corrêa chegou a ser dono de um frigorífico no Uruguai, chamado Pul, que foi vendido em 2011, para o grupo Minerva, por US$ 65 milhões.

Ele ainda é um dos principais investidores da rede de hotéis Intercity, e do Banco Topázio.

Fontes afirmam que a rede de hotéis também pode ser passada para frente.

Discreto, Corrêa não dá entrevistas e não frequenta o circuito de ricos e famosos. "Ele gosta de viver no anonimato. Sempre foi assim. Prefere circular sem ser notado, viver como um cidadão comum", afirmou um ex-executivo que trabalhou com o empresário.

Procurado, Corrêa não quis dar entrevista. Nenhum porta-voz da Embratec quis dar detalhes financeiros sobre a companhia e sobre o interesse de compradores no negócio.

A Sodexo informou, por meio de sua assessoria, que "sua divisão de Benefícios e Incentivos, líder mundial em serviços de qualidade de vida, monitora continuamente os mercados nos quais atua em busca de oportunidades a fim de ampliar o valor entregue a seus clientes, fornecedores, colaboradores e acionistas".

A reportagem procurou, na semana passada, o grupo FleetCor, mas até ontem nenhum porta-voz retornou os pedidos de entrevista. 

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