Patrocínio:
Editor da Região Sul
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 13h44.
Poucos empreendedores conseguem repetir uma trajetória de escala após uma grande transação. Gustavo Tremel, Paulo Orione e Daniel Smolenaars estão entre eles, agora à frente de uma nova empresa que cresce em ritmo acelerado, amplia operações e aposta em Florianópolis como base para a próxima fase de expansão.
Depois de passarem adiante a Decora, em 2018, por US$ 100 milhões — o equivalente a cerca de R$ 537 milhões na cotação atual, o trio voltou ao mercado com a VAAS, empresa focada na automação de compliance e gestão de risco com uso intensivo de inteligência artificial.
Em 2025, a startup encerrou o ano com R$ 8 milhões em receita e projeta alcançar R$ 27 milhões em faturamento em 2026, dos quais R$ 12 milhões já estão garantidos em contratos.
O contexto que impulsiona a demanda pela solução é cada vez mais desafiador. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o Brasil registrou mais de 7,5 milhões de comunicações de operações suspeitas em 2024, além de um crescimento de 330% nos Relatórios de Inteligência Financeira desde 2015.
O volume crescente de alertas e obrigações regulatórias transformou o compliance em um gargalo operacional para empresas de diversos setores. É nesse “formigueiro” que a VAAS atua como um braço de inteligência aplicada, atendendo companhias dos segmentos financeiro, tecnologia, varejo, cibersegurança e educação.
A expansão da empresa também se reflete na estrutura física. A VAAS prepara a inauguração de uma nova sede em Florianópolis, no complexo do Novo Giassi, no Norte da Ilha, com abertura prevista para o próximo mês, mas ainda sem data definida.
O investimento é de R$ 1 milhão e permitirá ampliar a capacidade operacional de 40 para 100 estações de trabalho. Atualmente, a startup mantém 15 vagas abertas, em processo seletivo — eram 20 na semana anterior, das quais cinco já foram preenchidas. O plano é contratar 100 novos profissionais até o fim de 2026, acompanhando a expansão da base de clientes e do produto.
Fundada em 2020, a VAAS nasce em um ambiente marcado pelo avanço das regulações, pelo aumento das exigências de compliance e pela pressão sobre empresas para reduzir riscos operacionais, financeiros e reputacionais. A proposta é reposicionar o compliance, tradicionalmente visto como centro de custo, como um ativo estratégico de decisão.
“A gestão de risco inteligente não é sobre ter mais regras. É sobre usar inteligência para decidir melhor, mais rápido e com menos esforço humano”, afirma Gustavo Tremel, CEO e cofundador da VAAS. Segundo a empresa, a tecnologia reduz o tempo médio de revisão de transações de 15 minutos para cerca de 30 segundos, com impacto direto em eficiência operacional e prevenção a fraudes.
Embora tenha nascido com foco no setor financeiro, a flexibilidade da plataforma permitiu a expansão para áreas como seguros, energia, educação e varejo. Entre os clientes estão empresas como MadeiraMadeira, Elytron Cybersecurity e Concredito. Atualmente, a VAAS já supera R$ 50 milhões em contratos ativos.
O desempenho atraiu investidores internacionais. Em 2025, a empresa captou R$ 20 milhões em uma rodada liderada pela gestora Headline e passou a integrar o relatório global Cuantico VP, que reúne startups brasileiras com potencial de destaque em 2026.
Para Tremel, o ambiente regulatório brasileiro funciona como um laboratório natural. “Essa complexidade nos obriga a criar soluções mais robustas. O know-how gerado aqui é altamente exportável para mercados como Europa e América Latina”, afirma. A ambição é transformar o compliance no sistema nervoso das decisões críticas das empresas.
O ecossistema de tecnologia de Santa Catarina conhece a trajetória do trio. Egressos da Esag/Udesc, Tremel, Orione e Smolenaars fundaram a Decora em 2012 com o objetivo de democratizar o design de interiores por meio de projetos 3D.
Na prática, a empresa desenvolveu uma plataforma capaz de criar imagens ambientadas realistas de produtos — como móveis e itens de decoração — permitindo que varejistas apresentassem seus catálogos em ambientes virtuais antes mesmo da fabricação ou da fotografia física dos produtos.
O modelo ganhou escala ao resolver uma dor clara do varejo: a produção de imagens de alta qualidade, em grande volume, com custo reduzido e velocidade compatível com o comércio digital.
A virada estratégica ocorreu em 2013, com parcerias firmadas com grandes redes varejistas, como Walmart e Magazine Luiza. Em 2015, a empresa avançou para o mercado internacional, com foco nos Estados Unidos. Três anos depois, em março de 2018, a startup foi adquirida pela norte-americana CreativeDrive, na maior operação de venda já registrada por uma startup catarinense à época.