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Após deixar a CLT, carioca transforma compra de imóveis em negócio de R$ 150 mi

Fundador da Trade Imobiliário, Ramiro Delgado movimentou mais de R$ 90 milhões em imóveis em 2025 e aposta no avanço do house flipping para dobrar de tamanho em 2026

Ramiro Delgado, da Trade: mais de 16 anos comprando, reformando e vendendo imóveis (Divulgação/Divulgação)

Ramiro Delgado, da Trade: mais de 16 anos comprando, reformando e vendendo imóveis (Divulgação/Divulgação)

Karla Dunder
Karla Dunder

Freelancer

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 14h01.

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O déficit habitacional segue alto, os lançamentos são escassos em bairros consolidados e o comprador quer imóvel pronto. Nesse descompasso do mercado imobiliário brasileiro, um modelo ganha tração: comprar abaixo do preço, reformar rápido e vender em regiões de alta liquidez.

É nesse espaço que opera a Trade Imobiliário, empresa fundada pelo carioca Ramiro Delgado, especializada em house flipping — a estratégia de compra, reforma e revenda de imóveis em curto prazo.

Criada após uma transição forçada de carreira, a empresa já movimentou mais de R$ 150 milhões desde a fundação e encerrou 2025 com mais de R$ 90 milhões em compra e venda de imóveis. Para 2026, a projeção é superar R$ 180 milhões.

O modelo, ainda pouco difundido no Brasil, começa a ganhar escala e estrutura empresarial.

“O lucro não nasce na venda, nasce na compra. Quando você entra bem no negócio, todo o resto vira execução”, afirma Delgado.

O plano para o próximo ciclo é ampliar a capacidade operacional, dobrar o número de imóveis simultâneos e acelerar a formação de investidores em um mercado que, segundo ele, ainda é pouco profissionalizado.

Do compliance ao canteiro de obras

A trajetória de Ramiro começa longe do mercado imobiliário. Formado em administração, construiu carreira em finanças, passou por auditoria externa e chegou ao cargo de gerente de compliance na indústria de petróleo e gás, no Rio de Janeiro.

Os imóveis, no entanto, sempre correram em paralelo. “Durante muito tempo trabalhei com finanças, mas sempre investi em imóveis. Já são mais de 16 anos comprando, reformando e vendendo”, diz.

O primeiro caso marcante veio em 2010, quando decidiu comprar um apartamento de 38 metros quadrados em Botafogo para sair do aluguel.

Pagou R$ 195 mil, financiou a compra e investiu cerca de R$ 30 mil em reforma enquanto morava no imóvel. Oito meses depois, colocou o apartamento à venda por R$ 565 mil. O lucro, próximo de R$ 300 mil, mostrou que havia ali algo além de uma solução habitacional.

Mesmo assim, a decisão de abandonar a CLT demorou.

“Conforme você cresce na carreira, vai ficando mais dependente: casa, filho, custo de vida. O receio aumenta”, afirma.

A virada veio no fim de 2022, quando foi desligado da empresa onde atuava como gerente. Sem plano B, decidiu dedicar um ano exclusivamente aos investimentos imobiliários. “Comecei fazendo três imóveis no mesmo ano e o resultado foi muito interessante”, diz.

A aposta no house flipping

A estratégia adotada é conhecida como house flipping. Consiste na compra de imóveis abaixo do valor de mercado — geralmente com descontos em torno de 30%, ligados a heranças, problemas documentais ou má precificação —, reforma e revenda em curto prazo.

No modelo de Delgado, o ciclo médio de uma operação varia entre seis e oito meses. A escolha é por imóveis residenciais em áreas de alta liquidez. “Imóvel comercial sofre muito com a economia. Residencial tem déficit habitacional. Essa demanda não acaba”, afirma.

Com os primeiros resultados, amigos e familiares passaram a pedir ajuda para analisar oportunidades. A demanda informal virou teste de produto. Delgado tentou começar com um e-book, vendeu apenas 10 exemplares e mudou rapidamente de rota. “Descobri que estava completamente por fora”, diz.

O foco passou para cursos gravados, mentorias e assessorias. A metodologia foi sendo documentada, estruturada e padronizada. O que começou no quarto de casa virou empresa.

Educação como motor do negócio

Hoje, a Trade Imobiliário opera em duas frentes: educação e execução. O principal produto é uma assessoria de 12 meses, em que o investidor é acompanhado em todas as etapas do processo, da análise do imóvel à venda final.

O programa inclui encontros individuais, calls em grupo, suporte de engenheiros e arquitetos, além de orientação jurídica, financeira e de crédito imobiliário. O público é formado por homens e mulheres de 35 a 55 anos que buscam diversificar investimentos, acelerar a formação de patrimônio ou migrar de carreira.

Mais de 600 investidores já passaram pela assessoria completa. Somando imersões de curta duração, são mais de 2.000 alunos espalhados pelo país.

Na operação própria, a empresa trabalha atualmente com 11 imóveis simultâneos — 10 no Rio de Janeiro e um em São Paulo. Apenas no último ano, essas operações movimentaram cerca de R$ 20 milhões em compra e venda.

A equipe direta soma 16 pessoas, entre colaboradores presenciais e remotos, além de equipes terceirizadas de reforma.

Escala, processos e menos improviso

Um dos principais gargalos do setor é a mão de obra. Delgado afirma que os perrengues foram comuns no início, com equipes que abandonavam obras ou entregavam serviços incompletos. A saída foi profissionalizar.

Hoje, a empresa trabalha com três a quatro equipes fixas de reforma e empresas de engenharia com maior porte, capazes de substituir rapidamente profissionais quando necessário.

“Conforme a gente foi ganhando corpo e profissionalizando, isso ficou muito mais controlado”, diz.

O próximo ciclo

Para 2026, a meta é clara: dobrar a capacidade operacional, saindo de 10 para 20 imóveis simultâneos na operação própria, e ampliar a base de alunos da assessoria de 600 para 1.000 investidores ativos.

Há também planos de fortalecer a produção de conteúdo, com podcast e novos formatos educativos, para dar mais visibilidade ao house flipping no Brasil. “A gente fala muito de leilão, incorporação, imóvel na planta. O flipping ainda é pouco difundido aqui”, afirma.

Mais do que operações pontuais, Delgado diz estar construindo uma empresa.

“Meu objetivo é transformar a compra, reforma e revenda de imóveis em um modelo estruturado de investimento no país”, afirma.

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