Imposto de Renda: as doações apoiam os tratamentos complexos realizados pelo Hospital, como o TMO de Brayan e sua irmã (HOSPITAL PEQUENO PRÍNCIPE/Divulgação)
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Publicado em 13 de abril de 2026 às 10h14.
Aos seis meses de idade, Brayan começou a chorar sem parar. No interior da Bahia, os sinais ainda pareciam comuns — cólica, desconforto, algo passageiro. Não era. O diagnóstico veio depois: anemia falciforme, uma doença hereditária grave que exige acompanhamento constante e estrutura especializada.
Sem recursos médicos adequados em Serra do Ramalho, a família entrou em uma rotina de deslocamentos longos até Salvador — muitas vezes sem conseguir atendimento. “Ele chorava muito de dor. Pensávamos que fosse cólica”, lembra a mãe.
O cenário piorou quando a irmã mais nova, Brenda, também apresentou os sintomas. Aos cinco anos, já enfrentava crises intensas e idas frequentes à emergência. “Num momento estavam brincando; no outro, eu tinha que correr para o hospital”, relata a mãe.
Foi então que a família tomou uma decisão radical: percorreu mais de 2 mil quilômetros até Curitiba, em busca de tratamento no Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em alta complexidade pediátrica.
Lá, os dois irmãos passaram por transplante de medula óssea — o único tratamento capaz de interromper a progressão da doença. Os procedimentos foram realizados com sucesso pelo SUS, mudando definitivamente o rumo da família.
Histórias como a de Brayan e Brenda ajudam a explicar uma engrenagem pouco conhecida: parte do Imposto de Renda pode ser direcionada para projetos de instituições filantrópicas, contribuindo para a realização de tratamentos de alta complexidade.
Contribuintes que declaram seu IR via formulário completo podem destinar, diretamente na declaração, até 3% do imposto a projetos sociais certificados, como os do Hospital Pequeno Príncipe. O processo é simples — e vale tanto para quem tem imposto a pagar quanto a restituir. Ainda assim, seja por desconhecimento ou por receio, a adesão é baixa.
Em 2025, apenas 2,8% dos R$ 14,5 bilhões possíveis foram destinados — um volume que poderia ampliar significativamente o acesso a tratamentos de saúde, alterando o cenário da saúde infantojuvenil no Brasil.
O dado chama atenção em um contexto em que hospitais filantrópicos atendem cerca de 75% da população brasileira e enfrentam subfinanciamento. No Hospital Pequeno Príncipe, 76% dos atendimentos são voltados a pacientes do SUS.
Na prática, isso significa que cada destinação ajuda a sustentar equipes médicas, tecnologia e tratamentos de longo prazo — especialmente em doenças complexas e raras.
O processo é feito diretamente no programa da Receita Federal:
• Certifique-se de que sua declaração seja via formulário completo.
• Após o preenchimento de toda a declaração de 2026, verifique o campo “Fichas da Declaração” e selecione a opção “Doações Diretamente na Declaração”.
• Na aba “Criança e Adolescente”, clique em “Novo” e escolha o “Fundo Municipal”; UF “PR – Paraná” e município “Curitiba”.
• No campo “Valor”, digite o “valor disponível para doação”, que é calculado pelo próprio programa e aparecerá no canto direito da tela.
• Entre na opção “Imprimir” e selecione o “DARF – Doações Diretamente na Declaração – ECA”.
• Efetue o pagamento do DARF de doação até 29 de maio de 2026.
• Para que sua doação seja válida, acesse o site doepequenoprincipe.org.br, preencha seus dados e faça o upload do DARF de doação e do comprovante de pagamento do DARF.