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Aéreas têm "missão do século" com entrega de vacinas para Covid

A Lufthansa começou a fazer planos em abril, em antecipação às vacinas que Pfizer, Moderna e AstraZeneca desenvolvem em tempo recorde

Abaladas pela Covid-19 que encolheu a demanda de passageiros, as companhias aéreas se encarregarão do peso de erradicar a pandemia (Chris Helgren/Reuters)

Abaladas pela Covid-19 que encolheu a demanda de passageiros, as companhias aéreas se encarregarão do peso de erradicar a pandemia (Chris Helgren/Reuters)

Karin Salomão

Karin Salomão

Publicado em 30 de novembro de 2020 às 15h08.

Última atualização em 30 de novembro de 2020 às 17h08.

Em depósitos refrigerados nos arredores do aeroporto de Frankfurt, a Deutsche Lufthansa prepara sua reduzida frota para a tarefa gigantesca de transportar por via aérea milhões de doses das vacinas destinadas a acabar com a pandemia.

A Lufthansa, uma das maiores aéreas de carga do mundo, começou a fazer planos em abril, em antecipação às vacinas que Pfizer, Moderna e AstraZeneca desenvolvem em tempo recorde. Uma força-tarefa de 20 pessoas planeja como encaixar mais vacinas nos 15 cargueiros 777 e MD-11 da Boeing, juntamente com espaço em uma ampla frota de aviões comerciais que agora voam com apenas 25% da capacidade.

“A questão é como aumentamos a escala”, disse Thorsten Braun, que lidera a participação da Lufthansa na iniciativa global.

Abaladas pela Covid-19 que encolheu a demanda de passageiros, as companhias aéreas se encarregarão do peso de erradicar a pandemia, transportando bilhões de frascos para todos os cantos do globo. É uma tarefa sem precedentes, dificultada pelo estado das operadoras após reduzir empregos, rotas e aeronaves para sobreviver à crise que reduziu o tráfego aéreo global em cerca de 61% neste ano.

“Este será o maior e mais complexo exercício logístico de todos os tempos”, disse Alexandre de Juniac, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). “O mundo conta conosco.”

A IATA estima que o equivalente a 8 mil cargueiros Boeing 747, com capacidade de 110 toneladas, serão necessários para o transporte aéreo, que levará dois anos para fornecer cerca de 14 bilhões de doses, ou quase duas para cada indivíduo no planeta. É uma tarefa difícil, visto que cerca de 30% da frota global de passageiros ainda está aterrada, com base em dados da Cirium.

Katherine O’Brien, responsável por imunização da Organização Mundial da Saúde, compara a tarefa de distribuir as vacinas após a corrida de meses para o desenvolvimento ao pico do Monte Everest.

“A escalada ao pico tem a ver com entregar as vacinas”, disse em 16 de novembro.

--Com a colaboração de Layan Odeh, Kyunghee Park, Tara Patel, Siddharth Vikram Philip, Chris Kay, Anurag Kotoky, Mary Schlangenstein, Thomas Black e Justin Bachman.

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