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A startup que nasceu em SC e já economizou R$ 5 bilhões com IA

Para 2026, a projeção é crescer 67%. No último ano, Indicium e Mesh-AI registraram crescimento combinado de 53%

Matheus Dellagnelo, CEO Américas da Indicium AI, e Kelly Manthey, CEO Global da Indicium AI (Indicium AI/Divulgação)

Matheus Dellagnelo, CEO Américas da Indicium AI, e Kelly Manthey, CEO Global da Indicium AI (Indicium AI/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 09h00.

As coisas andam agitadas na startup Indicium desde que ela passou por uma fusão com a inglesa Mesh-AI, em novembro.

Nos últimos três meses, os times vêm trabalhando na integração das operações, no lançamento de uma nova marca global e na consolidação dos números de impacto gerados em projetos anteriores.

O resultado dessa reorganização é a Indicium AI, marca que unifica as operações nas Américas e na Europa e posiciona a empresa como uma consultoria global dedicada exclusivamente a dados e inteligência artificial.

E os números que vieram à tona chamam atenção. De acordo com a companhia, os projetos de IA já geraram mais de 5 bilhões de reais em redução de custos e 1 bilhão de reais em novas receitas para clientes como Bayer, Burger King, PepsiCo, Roche, Experian, National Grid e EDF Energy.

“Nos últimos anos, a IA virou prioridade estratégica para todas as grandes corporações do mundo, mas ainda existe um abismo entre pilotos promissores e impacto real", afirma Matheus Dellagnelo, cofundador da empresa e CEO das Américas.

Na prática, a Indicium AI atua na modernização de plataformas de dados, estruturação de governança, construção de modelos e implantação de soluções de IA em áreas críticas como crédito, precificação, atendimento e operações.

A proposta é levar projetos do estágio de teste para produção, com operação contínua e métricas de desempenho.

Para 2026, a projeção é crescer 67%. No último ano, Indicium e Mesh-AI registraram crescimento combinado de 53%. A empresa reúne mais de 600 especialistas e mantém 27 vagas abertas.

Como a Indicium saiu de Santa Catarina e se tornou uma consultoria global de dados e IA

A Indicium foi fundada em 2017, em Santa Catarina, com foco em engenharia de dados. A inspiração veio de uma capa da revista The Economist que afirmava que dados eram o novo petróleo.

O fundador Matheus Dellagnelo tinha deixado a carreira de velejador profissional, com ouro no Pan de Guadalajara, para empreender. A lógica do esporte migrou para o negócio. “A gente analisava todas as variáveis possíveis para decidir o que fazer”, diz.

Ao contrário de startups que nasceram com produto próprio, a Indicium apostou no modelo de consultoria especializada. Oferecia diagnóstico, estruturação de arquitetura de dados, implementação e treinamento. Em 2023, faturou 32 milhões de reais.

A virada começou com a expansão internacional. Em 2024, a empresa recebeu uma rodada Série A de até 40 milhões de dólares da Columbia Capital — fundo que também investia na britânica Mesh-AI. No mesmo ano, transferiu sua sede para Nova York.

A aproximação entre as duas empresas evoluiu até a fusão formalizada em novembro. A partir daí, passaram a operar sob estrutura integrada, com presença em Nova York, Londres, Lisboa, São Paulo e Florianópolis.

“Nascemos no Brasil, mudamos nossa sede para Nova York em 2024 e conquistamos clientes de todo o mundo, mas nosso país segue com um papel estruturante dentro da Indicium AI como um dos principais pólos de talento, engenharia e liderança da empresa”, afirma Dellagnelo.

Como os projetos de IA da Indicium somaram 6 bilhões de reais em impacto financeiro

Segundo a empresa, o impacto acumulado chega a 6 bilhões de reais ao somar redução de custos e aumento de receita.

Os projetos envolvem modernização de sistemas de dados, construção de modelos preditivos e uso de IA generativa, inteligência artificial capaz de criar textos, códigos e análises a partir de grandes volumes de dados, aplicada a processos internos de grandes companhias.

Em alguns casos, a empresa afirma ter colocado iniciativas em produção em meses, com reduções de custo acima de 60%, aceleração de entregas em até quatro vezes e retorno médio sobre investimento de 300%.

O foco está em ambientes regulados e operações críticas, onde governança, auditoria e controle de risco são exigências permanentes.

“Quando a IA entra em produção, ela precisa resistir ao mundo real: auditoria, performance, mudanças de processo, qualidade de dados e gestão de risco. É nessa fase que a tecnologia deixa de ser promessa e vira ativo de negócio”, afirma Dellagnelo.

O plano: crescer 67% em 2026 e apostar tudo na transformação por IA

Com a nova marca, a empresa passa a se apresentar como uma consultoria global 100% dedicada a dados e IA. Kelly Manthey assume como CEO Global da Indicium AI. Jacob Parsons lidera a operação europeia.

“Grandes empresas em todo o globo estão investindo pesadamente em IA, mas muitas ainda têm dificuldade em transformar essa ambição em valor recorrente – especialmente quando entram em jogo requisitos de segurança, governança, integração de dados e confiabilidade operacional”, afirma Kelly.

A empresa mantém parcerias com Databricks, AWS, Microsoft, OpenAI e Anthropic e concentra sua atuação em setores como serviços financeiros, energia, saúde, indústria e varejo.

O grande desafio, claro, é conseguir se posicionar num mercado em que grandes consultorias disputam contratos de transformação digital. Na Indicium AI, a aposta é foco total em dados e inteligência artificial. Aliás, o novo petróleo.

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