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Redatora
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 17h05.
RESUMO | Em 2013, um estudo de Oxford calculou em 94% a chance de o trabalho de contadores e auditores ser automatizado, mas a profissão segue em alta. O controller está entre os profissionais de finanças mais procurados no Guia Salarial 2026 da Robert Half, com salário mediano de R$ 32 mil em grandes empresas. Com a IA assumindo o fechamento contábil, a função passa a ser cobrada por análise, decisão e, no Brasil, pela transição da reforma tributária.
Em 2013, dois pesquisadores da Universidade de Oxford calcularam em 94% a probabilidade de o trabalho de contadores e auditores ser automatizado nas décadas seguintes. O estudo The Future of Employment, de Carl Benedikt Frey e Michael Osborne, colocou a profissão entre as mais ameaçadas pela tecnologia.
Mais de dez anos depois, a previsão não se confirmou. O Bureau of Labor Statistics, órgão de estatísticas do trabalho dos Estados Unidos, projeta cerca de 115,3 mil vagas por ano para contadores e auditores até 2035.
No Brasil, o controller aparece entre os profissionais de finanças mais procurados no Guia Salarial 2026 da Robert Half, com salário mediano de R$ 32 mil em grandes empresas.
A automação avançou e tirou do controller uma parte do trabalho, porém a conciliação, o lançamento e o relatório estão saindo das mãos dele, ou seja, a interpretação do número continua ali.
A tecnologia já tem data para acelerar o calendário contábil. Até 2028, empresas que usam sistemas de gestão (ERP) em nuvem com inteligência artificial embutida devem fechar o balanço 30% mais rápido, segundo previsão da Gartner divulgada em fevereiro de 2026. A consultoria estima que 62% dos gastos com ERP em nuvem irão para soluções com IA em 2027, ante 14% em 2024.
A mesma consultoria vai além. Em projeção sobre as áreas de controladoria e planejamento financeiro, estimou que, até 2027, 90% das análises descritivas e diagnósticas em finanças, aquelas que explicam o que aconteceu e por quê, serão totalmente automatizadas.
Durante anos, essa foi a principal entrega de uma controladoria. Agora ela tende a chegar pronta à mesa do gestor, e a pergunta que sobra para o controller é outra: o que fazer com ela.
A demanda cresce ao mesmo tempo em que a oferta encolhe. Nos Estados Unidos, as universidades formaram 55.152 profissionais em contabilidade, entre bacharéis e mestres, no ano letivo de 2023-2024, queda de 6,6% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório Trends 2025 da AICPA, entidade que reúne os contadores certificados do país. O número de novos candidatos ao exame de certificação caiu de 42,6 mil em 2023 para 28,1 mil em 2024.
Quem ficou na área está sobrecarregado. Em pesquisa da Gartner com 497 contadores, 18% admitiram cometer erros diariamente e 59% disseram errar várias vezes por mês. Para 73%, novas regulações aumentaram a carga de trabalho nos últimos três anos.
A tecnologia ajuda, desde que a equipe saiba usá-la. Segundo o mesmo levantamento, os erros caem 75% quando os profissionais aceitam e dominam as ferramentas.
O perfil procurado pelas empresas brasileiras mostra para onde a função está indo. Entre as competências mais valorizadas em finanças e contabilidade, a Robert Half lista inteligência artificial generativa, conhecimento da reforma tributária, análise financeira e de negócios e análise de dados.
Existe disposição para pagar por esse repertório. 48% dos gestores de contratação da área no Brasil aceitam oferecer salários mais altos a candidatos com certificações ou conhecimento especializado, e 38% das empresas planejam ampliar suas equipes de finanças e contabilidade. Nas pequenas e médias companhias, o salário mediano de um controller é de R$ 21,9 mil.
A reforma tributária adiciona pressão no caso brasileiro. Com a fase de testes da CBS e do IBS em curso desde 2026 e a transição prevista até 2033, é a controladoria que vai operar dois sistemas de impostos ao mesmo tempo e medir o efeito da mudança sobre margem e preço.
É um MBA da Saint Paul Escola de Negócios para profissionais que buscam posições estratégicas em finanças. O programa combina base teórica e aplicação prática, com foco em decisões que impactam o crescimento e a sustentabilidade do negócio.
O curso é voltado a executivos financeiros de diversos setores com graduação completa. Entre os alunos, 31,7% são formados em finanças, 23,9% em administração e 16,9% em engenharias, e a turma reúne gerentes, C-levels, supervisores, coordenadores e heads.
Sim. A grade inclui o módulo "Análise de Demonstrativos Financeiros e da Performance empresarial", ao lado de temas como cenário macroeconômico, mercado de capitais e gestão de tesourarias.
Sim. O MBA tem os módulos "Data Science para líderes" e "Reforma tributária e Gestão de Tributos". Eles preparam o executivo para usar dados na tomada de decisão e para lidar com a transição do sistema de impostos.
São 496 horas de formação, com aulas aos sábados, a cada três semanas, das 9h às 16h30. As aulas são presenciais, com transmissão ao vivo, e os alunos têm acesso à plataforma de aprendizagem LIT.
A avaliação combina provas ou trabalhos e exercícios práticos, com frequência mínima de 75%, presencial ou online com câmera aberta. Ao concluir o curso, o aluno recebe o certificado de MBA Executivo da Saint Paul, com validade de especialização lato sensu pelo MEC.