Patrocinado por:
A habilidade de IA que pouca gente coloca no currículo, mas pode mudar a forma de trabalhar (Magnific)
Jornalista
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 17h19.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 17h21.
Uma das habilidades de inteligência artificial que começa a ganhar espaço no mercado de trabalho não está necessariamente ligada à programação. Ela envolve saber trabalhar com a tecnologia, entender suas limitações e transformar uma ferramenta de IA em parte de uma tarefa profissional.
Esse conjunto de conhecimentos é chamado de AI literacy, ou alfabetização em inteligência artificial. A competência inclui compreender conceitos básicos de IA, saber utilizar ferramentas e avaliar criticamente os resultados produzidos por elas.
O LinkedIn colocou a alfabetização em IA entre as habilidades que mais crescem em diferentes mercados e funções em 2025. Segundo a plataforma, a expectativa é que 70% das competências utilizadas na maioria dos empregos mudem até 2030, com a IA como um dos principais catalisadores.
Saber utilizar o ChatGPT, Gemini, Claude ou outra ferramenta é apenas uma parte da habilidade. O profissional também precisa entender como estruturar uma tarefa para que a tecnologia consiga ajudar de maneira adequada.
Na prática, isso significa fornecer contexto, definir o resultado esperado, apresentar informações relevantes e estabelecer critérios para a resposta.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode simplesmente pedir à IA para escrever uma campanha. Uma utilização mais estruturada seria informar o público, o objetivo, o canal, o posicionamento da marca, as restrições e os critérios usados para avaliar o resultado.
O mesmo princípio pode ser aplicado em outras áreas:
1. Um analista pode pedir à IA que identifique padrões em uma planilha e explique os critérios utilizados.
2. Um profissional de RH pode utilizar a ferramenta para organizar descrições de vagas e comparar competências.
3. Um vendedor pode transformar anotações de reuniões em próximos passos e perguntas para o cliente.
A diferença está menos na ferramenta escolhida e mais na capacidade de orientar e revisar o trabalho produzido por ela.
O prompt, nome dado à instrução enviada a um sistema de IA, ganhou popularidade com a expansão da IA generativa. Mas alfabetização em IA é um conceito mais amplo.
Um profissional precisa saber identificar quando uma ferramenta é adequada para determinada tarefa e quando não é. Também precisa reconhecer erros, informações inventadas e respostas que parecem convincentes, mas não têm fundamento.
Essa etapa de avaliação é importante porque modelos de linguagem podem produzir respostas incorretas mesmo quando escrevem de maneira clara e segura.
O LinkedIn identificou que profissionais de recrutamento que já experimentavam ou integravam IA generativa relatavam economia média de 20% do tempo de trabalho semanal. O dado mostra um dos possíveis ganhos da tecnologia, mas também reforça a necessidade de saber onde aplicar a IA para que o tempo economizado seja direcionado a atividades relevantes.
Uma forma de começar é escolher tarefas recorrentes da própria rotina e testar como a inteligência artificial pode participar delas.
O processo pode seguir quatro etapas:
1. Identificar a tarefa: escolha uma atividade repetitiva ou que consuma muito tempo.
2. Definir o contexto: informe à ferramenta o que ela precisa saber para executar a tarefa.
3. Estabelecer critérios: explique como uma resposta adequada deve ser estruturada.
4. Revisar o resultado: confira informações, cálculos, fontes e conclusões antes de utilizar o material.
Esse processo também ajuda o profissional a entender quais atividades podem ser automatizadas, quais podem ser aceleradas e quais ainda exigem julgamento humano.
A Microsoft chegou a uma conclusão semelhante ao analisar dados agregados de produtividade do Microsoft 365: a IA pode ajudar a enfrentar o excesso de trabalho, mas a tecnologia não resolve sozinha problemas relacionados à organização dos processos.
A alfabetização em IA pode ser descrita no currículo de forma mais específica do que simplesmente escrever “conhecimento em inteligência artificial”.
O profissional pode destacar competências como:
Uso de IA generativa, engenharia de prompts, análise e validação de respostas, automação de tarefas ou aplicação de ferramentas de IA em determinada área profissional.
O próprio LinkedIn registrou que três vezes mais executivos de alta liderança adicionaram habilidades relacionadas a IA, como engenharia de prompts e ferramentas de IA generativa, aos seus perfis em comparação com dois anos antes.
Isso não significa que conhecer uma ferramenta específica seja suficiente para uma carreira. A competência envolve entender como trabalhar com IA, avaliar seus resultados e incorporá-la de maneira responsável às atividades profissionais.