Carteira de ações do BTG: banco reforçou Petrobras e incluiu Gerdau e Copasa nas recomendações de agosto (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)
Repórter
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15h41.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) fez mudanças na carteira recomendada de ações, a 10SIM, para agosto de 2026, reforçando a exposição a ativos ligados ao dólar e a empresas mais sensíveis a uma eventual queda dos juros de longo prazo. A revisão acontece após o Ibovespa encerrar julho com valorização de 3,47%, o melhor desempenho mensal desde fevereiro, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de perdas.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 3, o banco afirmou que o mercado brasileiro já incorporou boa parte dos riscos fiscais e políticos aos preços dos ativos, embora avalie que a manutenção dos juros elevados ainda limita uma recuperação mais consistente da bolsa."Depois de alguns meses de desempenho fraco, o Ibovespa encerrou julho em alta de 3,5% em reais (e 5,3% em dólares), com investidores estrangeiros voltando a comprar ações brasileiras, ainda que de forma moderada", escreveram os estrategistas.
Segundo o BTG, os investidores estrangeiros voltaram a comprar ações brasileiras em julho, com entrada líquida de R$ 3 bilhões, após retiradas de R$ 23 bilhões nos meses de maio e junho. O banco também destacou que as ações brasileiras superaram a maioria dos mercados latino-americanos, o S&P 500 e outros índices de mercados emergentes no período.
Na avaliação dos estrategistas, esse movimento reflete uma percepção crescente de que os ativos locais já embutem grande parte das incertezas. "Alguns investidores acham que as ações estão baratas e já precificam boa parte dos potenciais riscos político e fiscal", afirma o relatório.
Apesar disso, o BTG pondera que o ambiente continua desafiador. O banco destaca que, excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), o Ibovespa negocia a 9,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um desvio-padrão abaixo da média histórica. Incluindo as duas companhias, o múltiplo cai para 8,3 vezes.
Ainda assim, os estrategistas avaliam que esse desconto perde parte da atratividade quando comparado aos juros reais de longo prazo, atualmente próximos de 8%. "Os valuations são atrativos, mas não frente aos juros de longo prazo", diz o relatório.
Para o banco, tanto os juros de longo prazo quanto a bolsa já refletem uma parcela relevante do risco fiscal. "Em nossa visão, os juros de longo prazo e as ações já precificam uma quantidade considerável de risco fiscal, enquanto o real não", afirmam os estrategistas.
O BTG avalia que, caso um eventual novo governo adote medidas para reduzir a pressão fiscal e abra espaço para cortes mais intensos da taxa Selic, os ativos brasileiros podem reagir de forma significativa. "Se for esse o caso, e dado o quão baratos estão os valuations, poderíamos ver um rali", diz o documento.
Ao mesmo tempo, o banco reconhece que ainda faltam catalisadores para uma valorização mais consistente da bolsa. "Mesmo que o Brasil pareça barato e possa parecer mais atrativo para investidores estrangeiros neste momento, a falta de potenciais catalisadores de curto prazo pode ter reduzido o apetite dos investidores por ações locais", afirma o relatório.Nesse contexto, o BTG reformulou a composição da carteira 10SIM para torná-la mais equilibrada diante das possíveis oscilações do ciclo eleitoral. As principais mudanças foram a saída de Ambev (ABEV3) e Allos (ALOS3), que haviam sido incluídas apenas na carteira do mês passado, e a entrada de Gerdau (GGBR4), com peso de 10%, e Copasa (CSMG3), com participação de 5%.
Segundo o banco, a inclusão da Gerdau amplia a exposição da carteira ao dólar, enquanto a Copasa aumenta a participação de empresas de serviços básicos, consideradas mais sensíveis a uma eventual queda dos juros de longo prazo."Decidimos aumentar nossa exposição a ações de long duration, adicionando mais uma empresa de serviços básicos ao 10SIM (Copasa, com 5%), e ao dólar trazendo a Gerdau", afirma o relatório.
Outra mudança foi o aumento da participação da Petrobras (PETR4), que passou de 10% para 15% da carteira. De acordo com o BTG, a decisão busca elevar a exposição ao petróleo, ao câmbio e aos dividendos da estatal.
"Também decidimos aumentar nossa exposição à Petrobras para 15%, de 10%, nos dando um hedge extra contra preços de petróleo mais altos por mais tempo, alguma exposição extra a câmbio e dividendos", diz o documento.
Com as alterações, a carteira passou a concentrar 35% dos recursos em empresas de serviços básicos e infraestrutura, 20% em companhias com maior exposição ao dólar, 15% em Petrobras, 15% no setor financeiro, 10% em construtoras de baixa renda e 5% em software.
Segundo o BTG, essa distribuição foi desenhada para responder a diferentes cenários macroeconômicos.
Em uma hipótese de melhora fiscal e redução dos juros de longo prazo, os segmentos de serviços básicos, infraestrutura, financeiro e construção, que representam cerca de 60% da carteira, tendem a ser os principais beneficiados. Por outro lado, caso o ambiente econômico se deteriore, a exposição ao câmbio e à Petrobras, equivalente a 35% da seleção, deve funcionar como proteção para os investidores.
O banco também manteve uma visão positiva sobre as demais companhias da carteira. Para a Gerdau, destacou que cerca de 75% do EBITDA é dolarizado, oferecendo proteção em um cenário de maior volatilidade cambial.
Já a Copasa foi incluída após a conclusão do processo de privatização, com expectativa de ganhos de eficiência e maior potencial de distribuição de dividendos. A Totvs permaneceu na seleção, embora com peso reduzido de 10% para 5%, após a forte correção das ações em meio aos temores envolvendo inteligência artificial no setor de software.
Em julho, a carteira 10SIM avançou 1,1%, desempenho inferior ao ganho de 3,5% registrado pelo Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção sobe 7%, enquanto o principal índice da bolsa brasileira acumula valorização de 10,5%.