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Escola de futebol de Ronaldo Fenômeno fatura R$ 18 milhões ao ano e começa expansão nos EUA

Roberto Joaquim, que começou como franqueado da rede, hoje é CEO da Ronaldo Academy e assinou 75 contratos com franqueados

Ronaldo Nazário, sócio, e Roberto Joaquim, CEO: rede de escolas de futebol mira R$ 3 milhões por mês (Ronaldo Academy/Divulgação)

Ronaldo Nazário, sócio, e Roberto Joaquim, CEO: rede de escolas de futebol mira R$ 3 milhões por mês (Ronaldo Academy/Divulgação)

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 07h02.

Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 11h06.

Poucos meses depois de o mundo parar em 2020, o empresário Roberto Joaquim decidiu investir em um negócio cuja atividade dependia justamente de crianças reunidas em um campo de futebol. Comprou uma franquia da Ronaldo Academy, rede de escolas que leva o nome de Ronaldo Nazário, o Fenômeno, e começou a matricular alunos na unidade da Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo.

As aulas começaram em agosto daquele ano, com 98 crianças. Depois de 60 dias, a escola tinha 250 alunos. O resultado abriu caminho para uma segunda unidade, em Campinas, aproximou Joaquim dos controladores da marca e transformou o franqueado em sócio e CEO da companhia.

Agora, a Ronaldo Academy prepara uma nova etapa. A rede chegou a 75 contratos comercializados, dos quais mais de 40 estão em operação, e fatura R$ 1,5 milhão por mês, o que representa uma receita anualizada de R$ 18 milhões.

A expectativa é superar R$ 3 milhões mensais conforme as unidades contratadas forem abertas e amadurecerem. A empresa também pretende acelerar a presença nos Estados Unidos, onde mantém uma escola em Tampa, na Flórida, desde 2018 e negocia novas operações.

“Quando assumi, tínhamos 15 unidades. Hoje, estamos indo para 75. Nossa meta é nos tornar a maior rede de escolas de futebol do Brasil", almeja Joaquim.

Fundada em 2015, a rede de escolas está com mais de 6 mil alunos ativos.

Como Joaquim foi de franqueado a CEO

A chegada de Joaquim ao comando da companhia começou com uma conversa informal em sua unidade de Campinas. O espaço havia sido alugado para um encontro da família do empresário Carlos Wizard, que já conhecia Joaquim de sua passagem pela Microlins.

Ao falar sobre o desempenho das escolas e os processos que havia adotado, Joaquim chamou a atenção de Charles Martins, filho de Wizard. Segundo o executivo, foi Charles quem perguntou se ele gostaria de se tornar sócio da família e de Ronaldo na empresa.

“Ele disse que era um negócio grande e que precisava pensar grande. Eu respondi: ‘Eu não sei nem pensar pequeno’”, diz Joaquim.

As negociações se estenderam durante a pandemia e foram retomadas no início de 2022. A entrada dependia da aprovação de Ronaldo, que naquele momento concentrava a atenção na aquisição da SAF do Cruzeiro. Joaquim assumiu o comando da Ronaldo Academy em maio daquele ano, quando a rede tinha 15 unidades.

Mesmo como CEO e sócio da marca, ele continuou na outra ponta do balcão. Joaquim ainda atua como franqueado e possui nove unidades. Uma décima escola deve ser inaugurada por ele até o fim de 2026, enquanto outra, com estrutura maior e investimento estimado entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões, está prevista para o próximo ano.

A própria franqueadora, segundo ele, não opera escolas diretamente. As unidades de Joaquim pertencem ao empresário na condição de franqueado, e não à companhia que administra a marca.

“Continuei com as minhas unidades e continuo em expansão. Mesmo como sócio da marca e CEO, sigo abrindo unidades como franqueado”, afirma.

A combinação oferece a Joaquim um laboratório para testar as decisões que depois serão apresentadas ao restante da rede. Também o coloca na posição de sentir os custos, dificuldades e riscos enfrentados pelos franqueados que dirige.

Quanto custa abrir uma escola da Ronaldo Academy

A Ronaldo Academy trabalha com dois formatos principais. O mais enxuto ocupa campos já existentes em clubes, escolas, condomínios ou complexos esportivos. Nesse modelo, o franqueado subloca o espaço e investe entre R$ 120 mil e R$ 150 mil, incluindo a taxa de franquia, atualmente em R$ 60 mil.

O prazo de retorno do investimento fica entre 18 e 24 meses, embora Joaquim diga que algumas operações recuperaram o investimento em menos de seis meses. Trata-se de um desempenho de unidades específicas, e não de uma garantia oferecida aos novos investidores.

No segundo formato, chamado pela companhia de flagship, o empreendedor constrói o complexo esportivo. O investimento pode variar de R$ 2 milhões a R$ 6 milhões, dependendo do terreno, da cidade e do número de campos.

Além das mensalidades, as unidades podem obter receita com aluguel de quadras, estacionamento, lanchonetes, torneios e festas infantis. O valor médio pago pelos alunos varia de R$ 250 a R$ 300 por mês, mas pode alcançar de R$ 350 a R$ 400 em bairros com custos imobiliários mais elevados.

O serviço é aberto a crianças em diferentes níveis de desenvolvimento. Não é necessário passar por uma peneira para se matricular. As turmas são organizadas entre iniciantes, intermediários e avançados, e os alunos com maior desempenho podem participar de treinamentos de alta performance e ser encaminhados a clubes parceiros.

A estratégia é ampliar o público para além das famílias que enxergam os filhos como futuros jogadores. A rede vende o futebol como atividade de formação e entretenimento, e não apenas como porta de entrada para a carreira profissional.

Como se dará a expansão para os Estados Unidos

A frente mais importante da expansão internacional está nos Estados Unidos. A Ronaldo Academy já mantém uma unidade em Tampa, na Flórida, aberta em 2018. Agora, a companhia negocia escolas em cidades como Austin, Fort Lauderdale, Orlando e Miami. 

A companhia aproveitou a Copa do Mundo de 2026 para intensificar os contatos com potenciais investidores. Joaquim permaneceu 43 dias nos Estados Unidos durante o torneio e participou das ações da Casa Rede Ronaldo, em Miami. Segundo ele, a passagem pelo evento gerou reuniões com interessados e aproximou a empresa do consulado brasileiro na cidade.

Vamos pisar no acelerador nos Estados Unidos”, afirma. “A Copa permitiu fazer muitas conexões e abriu novas conversas para a expansão.”

A expansão também testa até onde o nome de Ronaldo consegue funcionar como ativo comercial fora do Brasil. Se no mercado doméstico o Fenômeno é reconhecido por diferentes gerações, nos Estados Unidos a marca tenta se beneficiar do crescimento do futebol, da Copa de 2026 e da proximidade do país com o Mundial de Clubes e os Jogos Olímpicos de Los Angeles.

A marca de um jogador que virou empresário

A Ronaldo Academy ocupa apenas uma parte do portfólio construído pelo ex-atacante após a aposentadoria. Ronaldo passou a atuar em áreas como gestão esportiva, publicidade, entretenimento, produção de conteúdo e serviços financeiros. 

Um de seus movimentos de maior visibilidade foi a compra de 90% da SAF do Cruzeiro, anunciada no fim de 2021. Durante sua administração, o clube deixou a Série B e retornou à primeira divisão. Em abril de 2024, Ronaldo vendeu sua participação ao empresário Pedro Lourenço, dono do Supermercados BH, em uma transação estimada em R$ 600 milhões.

Ele também foi controlador do Real Valladolid, da Espanha, desde 2018. Em maio de 2025, o clube anunciou um acordo para a venda do pacote majoritário a um grupo de investidores norte-americanos apoiado por um fundo europeu.

Na área financeira, Ronaldo é sócio da Galaticos Capital, empresa de gestão patrimonial desenvolvida em parceria com a Galapagos Capital. O atacante Gabriel Jesus também integra a sociedade.

Na Ronaldo Academy, seu papel está mais ligado à marca, à metodologia e às decisões estratégicas do que à administração cotidiana. Joaquim responde pela operação e acompanha os indicadores da rede, mas diz que apresenta periodicamente os resultados a Ronaldo.

Na primeira reunião entre os dois, o CEO havia sido orientado a preparar três slides e uma conversa de 20 minutos. A apresentação, segundo ele, se estendeu por cerca de uma hora e meia, à medida que Ronaldo fazia perguntas sobre faturamento, unidades e processos.

“A Ronaldo Academy carrega o legado dele”, afirma Joaquim. “Deixei muito claro o cuidado que tenho com o nome, a história e a imagem do Ronaldo.”

A reviravolta na vida de Joaquim

Antes de entrar no futebol, Joaquim passou mais de duas décadas no setor de educação profissionalizante. Trabalhou na Microcamp e depois na Microlins, onde começou na área comercial, tornou-se gerente, comprou franquias e chegou à presidência do conselho de franqueados.

A trajetória incluiu uma crise financeira entre 2007 e 2008. Depois de assumir uma unidade contando com um financiamento que não foi liberado, ele recorreu a empréstimos mais caros e acumulou uma dívida superior a R$ 1 milhão. Vendeu bens e uma das escolas, renegociou compromissos e reorganizou o negócio.

Anos depois, voltou a investir em franquias. Chegou a ter quatro unidades da Microlins e abriu uma escola de futebol independente antes de procurar uma marca que pudesse dar escala à operação.

A Ronaldo Academy apareceu nesse processo. Joaquim comprou a primeira franquia em maio de 2020, quando não havia previsão segura para a retomada das atividades presenciais.

“Pensei que, se o mundo não acabasse, eu estaria à frente de muita gente quando tudo voltasse”, afirma.

A aposta colocou o empresário dentro de uma rede ainda pequena. Seis anos depois, seu desafio é diferente: abrir as unidades já vendidas, sustentar o crescimento dos franqueados e mostrar que a força comercial de um sobrenome conhecido no futebol pode ser convertida em um negócio internacional.

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