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Edenilson Dalbosco, CEO da GRECA Asfaltos (Divulgação/Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 15h19.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 15h30.
Em um setor altamente dependente de ciclos de investimento público e concessões rodoviárias, manter a liderança por seis anos consecutivos não é trivial. A história da paranaense GRECA Asfaltos ajuda a explicar por quê.
A empresa, que começou transportando pedras nas ruas em expansão de Curitiba no fim dos anos 1950, transformou-se na maior fornecedora de ligante asfáltico do Brasil. Em 2025, registrou faturamento de R$ 2,85 bilhões, consolidando uma trajetória marcada por escala industrial, inovação tecnológica e aposta em sustentabilidade.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) colocam a empresa paranaense como líder do segmento desde 2019, elevando para 21,3% sua participação na indústria de fornecimento de ligante asfáltico no país em 2025.
Traduzindo os números para a realidade de quem circula pelas rodovias brasileiras, a GRECA contabilizou o fornecimento de matéria-prima suficiente para pavimentar cerca de 10 mil quilômetros de estradas em diversas regiões do Brasil. O desempenho sustenta a estratégia de crescimento da companhia para os próximos anos.
A história da GRECA Asfaltos começa no final da década de 1950 e acompanha o crescimento de Curitiba. Filho dos fundadores e atual membro emérito do Conselho de Administração da empresa, Amadeu Greca aproveitou a urbanização da capital paranaense e o aumento da população para diversificar os negócios.
A companhia, que iniciou suas atividades com o transporte de pedras, passou pela distribuição de asfalto e, na década de 1990, já na terceira geração da família, tornou-se uma das principais indústrias fornecedoras do segmento no Brasil. Atualmente, a empresa é controlada por três filhos de Amadeu — Josiane, Juliane e Marcos Greca — e atravessa um novo ciclo de transformação, expansão e crescimento.
Os ligantes asfálticos produzidos pela empresa estão presentes nas principais rodovias do país, como o trecho Norte do Rodoanel e a Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo, além das estradas concessionadas da PRVias, no Paraná. A companhia possui oito fábricas e nove centros de distribuição espalhados pelo Brasil e, nos últimos cinco anos, vendeu mais de 2,5 milhões de toneladas de ligantes asfálticos.
“Atendemos hoje tanto órgãos públicos quanto concessionárias e empresas privadas, com um portfólio que vai além do fornecimento de insumos e inclui suporte técnico e desenvolvimento de soluções para diferentes tipos de obra", afirma o CEO da GRECA Asfaltos, Edenilson Dalbosco.
E acrescenta: "O asfalto acompanha a evolução do mercado e da sociedade. Investimentos em tecnologia e pesquisa são constantes para que o material se torne mais sustentável, durável e contribua para a redução da emissão de poluentes. Para se ter uma ideia, aportamos, no ano passado, R$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento”
O carro-chefe da empresa é o asfalto modificado com pó de borracha de pneus inservíveis, que seriam descartados. A tecnologia foi implementada pela GRECA no Brasil há mais de duas décadas, e o produto foi batizado de ECOFLEX.
A empresa contabiliza mais de 28 milhões de pneus reciclados e transformados em pavimentos desde o início da fabricação. A quantidade aproximada de pneus reciclados pelo ECOFLEX da GRECA nos últimos cinco anos corresponde ao carbono retido por uma floresta de 10 milhões de metros quadrados — o equivalente a mil campos de futebol.
Os revestimentos que utilizam ligantes modificados apresentam maior durabilidade e melhor resposta às variações climáticas, característica que tem ganhado relevância em licitações e projetos de longa vida útil, por estar alinhada às metas de sustentabilidade assumidas por governos e grandes contratantes.
Um levantamento conduzido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Pavimentação e Segurança Viária (GPPASV), da Universidade Federal de Santa Maria, indicou que esse tipo de asfalto emite menos gases causadores do efeito estufa e apresenta melhor custo-benefício para as vias brasileiras.
As tecnologias da GRECA também viabilizam a reciclagem asfáltica, em parceria com empresas de engenharia e pavimentação. O asfalto antigo, fresado — resultante do corte, desbaste ou raspagem de camadas de pavimentos deteriorados — é utilizado na recomposição de um novo pavimento, reduzindo o descarte de material, a necessidade de transporte para bota-foras, as emissões e os impactos ambientais.
A reciclagem e o avanço contínuo no desenvolvimento de ligantes altamente modificados fazem parte de uma estratégia mais ampla da GRECA para garantir competitividade e ampliar a preferência pelo asfalto na pavimentação de rodovias no país. “O asfalto com borracha ou a reciclagem asfáltica apresentam melhor custo por ciclo de vida, manutenção mais simples e redução significativa nas emissões de CO₂ em comparação com outros materiais”, afirma Dalbosco.
A falta de planejamento de longo prazo em infraestrutura também é um desafio persistente do mercado. Os ciclos eleitorais determinam picos e quedas na realização de grandes obras e, mesmo com o avanço das concessões rodoviárias, o poder público ainda é o principal propulsor do setor: quando não há investimento, o mercado retrai.
Com apenas 12,4% de sua malha rodoviária pavimentada, segundo dados do Relatório de Avaliação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), de 2021, o Brasil ainda apresenta uma necessidade represada de ampliar conexões em diversas regiões.
Um exemplo é o gargalo da BR-101, em direção a Santa Catarina, onde, em períodos de fluxo intenso, podem ser necessárias até 12 horas para percorrer um trecho de 400 quilômetros entre as capitais paranaense e catarinense. “O Brasil ainda precisa de muitos investimentos em novas vias. O país avançou em modelos de concessão, e esse caminho é positivo. Mesmo assim, apenas as concessões podem não ser suficientes para atender à demanda total reprimida por infraestrutura”, conclui o CEO.