78% de empresários e CEOs vacinariam funcionários se compra fosse liberada

Segundo a pesquisa da BR Angels, 68% dos entrevistados acreditam que a aceleração da vacinação é a principal medida a ser adotada para a retomada da economia

Nesta semana, o debate sobre a venda de vacinas para o setor privado esquentou no cenário político. A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 6, o texto-base do projeto de lei que flexibiliza a compra de vacinas pela iniciativa privada, mesmo sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ideia é permitir que as empresas adquiram doses para imunizar os funcionários, desde que doem ao Sistema Único de Saúde (SUS) a mesma quantidade aplicada nos empregados.

O ministro da Economia Paulo Guedes fez um apelo também nesta terça-feira, num documento enviado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), pedindo aos setores público e privado, bem como às organizações multilaterais e à cooperação bilateral, para que auxiliem no processo de financiamento e distribuição de imunizantes, e que este seria "o investimento de maior retorno global."

“A disponibilidade e o ritmo da vacinação são um fator chave para acelerar a recuperação e, portanto, o reequilíbrio fiscal. Diferentes ritmos de implementação de vacinas aumentam as assimetrias entre países em desenvolvimento, especialmente de baixa renda, enfrentando maiores desafios”, disse Guedes.

Na última segunda-feira, o Tribunal Regional Federal da 3ª região expediu uma autorização liminar que autoriza o Sindicato de Comerciantes da região paulista de Campinas e Valinhos a comprar pelo menos 500 mil doses de vacinas para a imunização de trabalhadores do setor e seus familiares.

Uma nova pesquisa da BR Angels, em parceria com a HSM, LearningVillage e FirstCom, obtida com exclusividade pela EXAME, aponta que 78,5% dos empresários e executivos entrevistados investiriam em imunizar funcionários caso a compra de vacinas fosse liberada. Segundo a pesquisa, 68% dos CEOs e executivos do alto escalão de diferentes segmentos do Brasil acreditam que a aceleração da vacinação é a principal medida a ser adotada para a retomada dos negócios e do crescimento econômico do país.

O levantamento, realizado durante março de 2021 com 320 empresários e executivos de setores como indústria, varejo, serviços, startups e ONGs, mostrou que 76,9% acreditam que se país alcançar a imunidade coletiva, o mundo dos negócios será aquecido, demonstrando um forte otimismo com a retomada econômica. Além da vacinação, a reforma tributária (17,25%) e a reforma administrativa (6,39%) também são apontadas
como medidas essenciais para um futuro promissor.

“A vacinação é vista como principal fator para que o funcionamento pleno das companhias e a volta dos investimentos se torne uma realidade o mais rápido possível”, constata Reynaldo Gama, CEO da HSM e Co-CEO da SingularityU Brazil.

No âmbito dos investimentos, os empresários afirmaram que o mercado deve ganhar maior tração quando a pandemia recuar. Além da covid-19, 68,7% esperam que a curva de juros siga em queda, para que estejam dispostos a adotarem um perfil mais agressivo de investimento. As principais áreas apontadas como promissoras para futuros investimentos foram a Bolsa de Valores (55,29%), seguida por investimento-anjo (47,12%), fundos de venture capital (37,5%) e fundos imobiliários (35,1%).

"Nos surpreendeu, particularmente, o grande interesse pelo investimento-anjo e os fundos de venture capital, uma clara demonstração que os executivos do alto escalão estão cada vez mais preocupados com o desafio de se conectar com a inovação. A tendência é vermos uma escalada de investimentos em startups e negócios disruptivos para manter a competitividade em um novo mercado no qual já não cabe atuar com velhos modelos que se tornaram totalmente obsoletos, especialmente depois da pandemia", assinala Orlando Cintra, CEO do BR Angels.

Para os empresários, após a vacinação em massa, as funções em que deverá haver maior demanda são comercial e vendas, tecnologia, comunicação e marketing, além das voltadas para inovação.

Home office

Mesmo com a ampla aderência ao home office durante a pandemia, apenas 7% dos entrevistados afirmaram que suas empresas pretendem manter o trabalho remoto. O modelo híbrido, que combina períodos de atividade presencial com períodos de home office, é apontado por 78,8% dos entrevistados como o ideal.

"Ficou claro que o home office continuará sendo uma alternativa para muitas empresas, porém 8 entre 10 responderam que ainda sentem a necessidade do trabalho presencial intercalando com dias na residência. Isso poderá significar um reaquecimento do mercado imobiliário corporativo", finaliza Luis Claudio Allan, CEO da FirstCom Comunicação.

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