Redação Exame
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 10h58.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como baixo o risco de expansão do vírus Nipah na Índia após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, no leste do país.
O vírus tem alta letalidade, não possui vacina nem tratamento antiviral específico, e levou as autoridades indianas a declarar alerta epidemiológico.
Segundo a OMS, a Índia tem capacidade para conter o surto, como já ocorreu em episódios anteriores. A agência informou que mantém contato com autoridades locais e nacionais para avaliação de riscos e apoio técnico.
Os dois casos confirmados são de enfermeiros de 25 anos, um homem e uma mulher, que atuam em um hospital privado na cidade de Barasat, a cerca de 20 quilômetros ao norte de Calcutá. Ambos começaram a apresentar sintomas na primeira semana de dezembro e foram isolados no início de janeiro.
O Instituto Nacional de Virologia da Índia confirmou a infecção por Nipah em 13 de janeiro, e o caso foi oficialmente comunicado à OMS na noite de 26 de janeiro.
Após a confirmação, cerca de 190 pessoas que tiveram contato com os pacientes passaram a ser monitoradas pelas autoridades de saúde.
De acordo com a OMS, não há evidências, até o momento, de aumento da transmissão entre humanos. O vírus Nipah é transmitido principalmente por contato com morcegos frugívoros, porcos ou alimentos contaminados, embora a transmissão entre pessoas possa ocorrer em ambientes hospitalares.
Mesmo assim, o Ministério da Saúde da Índia determinou o reforço dos protocolos de segurança nos hospitais da região afetada, incluindo o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual completos por profissionais de saúde.
A infecção pelo vírus Nipah pode causar desde quadros assintomáticos até doenças respiratórias graves e encefalite, com taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%, segundo a OMS.
A Índia registrou os primeiros surtos em 2001 e 2007, também em Bengala Ocidental, quando ao menos 50 pessoas morreram. Desde 2018, os episódios se concentram principalmente no estado de Kerala, no sul do país. O surto mais recente, em julho de 2025, resultou em três infecções e duas mortes.
O temor de disseminação levou países e territórios da Ásia, como Tailândia, Nepal e Hong Kong, a reforçarem medidas de vigilância em aeroportos, com triagem de passageiros, controle de temperatura e formulários de declaração de saúde.
*Com informações da EFE