Repórter de Negócios
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 14h52.
Última atualização em 25 de janeiro de 2026 às 14h55.
Pelo menos 80 presos políticos foram libertos neste domingo, 25, na Venezuela, informou a ONG Foro Penal, em meio a um processo de soltura que avança de forma lenta e sob forte pressão de Washington.
O episódio ocorre no contexto em que Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um “número importante” de libertações. No entanto, familiares de detidos e ONGs defensoras de direitos humanos criticam a lentidão das solturas, com parentes passando a noite do lado de fora de presídios na esperança de rever entes queridos.
“Pelo menos 80 presos políticos que estamos verificando foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram mais solturas”, escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X.
O colega de organização, o advogado Gonzalo Himiob, também afirmou no X que as libertações ocorreram durante a madrugada. “Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações”, acrescentou.
O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, cifra que Rodríguez anunciou na sexta‑feira, 23, e que ela pretende submeter à checagem internacional. A
presidente interina afirmou que vai pedir ao alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos a verificação desses dados, numa tentativa de reforçar transparência diante das divergências sobre os números.
O total oficial contrasta com relatórios de ONGs: o Foro Penal contabiliza cerca da metade desse número no mesmo período. Essa diferença evidencia uma disputa de dados na contagem de libertados.
Foro Penal e outras organizações de direitos humanos estimam que a Venezuela tenha entre 800 e 1.200 presos políticos, que permanecem detidos por motivos ligados a posições contrárias ao governo.
A mais recente rodada de libertações ocorre após Rodríguez, que atua como presidente interina, ter feito um apelo no sábado para que se chegue a um acordo com a oposição para alcançar a paz no país.
“Não pode haver diferenças políticas ou partidárias quando se trata de paz na Venezuela”, disse Rodríguez no estado de La Guaira. “Devemos nos unir apesar de nossas diferenças e chegar a um acordo”, acrescentou.
A Venezuela vive um contexto de rígido controle estatal desde protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024, que terminaram em repressão e na prisão de mais de 2.000 pessoas em 48 horas. Também está em vigor um estado de comoção que pune com prisão quem apoiar o ataque americano.
Entre os libertados nas últimas semanas estão Rafael Tudares, genro de Edmundo González Urrutia — rival político de Maduro —, que havia sido preso há mais de um ano sob acusações de terrorismo, considerada pelo opositor uma “represália”; o ex‑candidato presidencial Enrique Márquez; a especialista em assuntos militares e ativista de direitos humanos Rocío San Miguel; e o ativista e jornalista Roland Carreño.
Ainda permanecem detidos no país opositores como Juan Pablo Guanipa, aliado da líder opositora María Corina Machado; Freddy Superlano, preso em meio a protestos de 2024; e Javier Tarazona, encarcerado desde 2021 sob acusações variadas.
(Com informações da AFP)