Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 20h40.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 7 de janeiro, que a Venezuela utilizará exclusivamente produtos fabricados nos EUA com os recursos obtidos por meio de um acordo de venda de até 50 milhões de barris de petróleo ao mercado americano.
Segundo publicação feita por Trump na rede social Truth Social, as compras venezuelanas incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos destinados à recuperação da rede elétrica e das instalações de energia do país.
"A Venezuela comprará SOMENTE produtos fabricados nos Estados Unidos com o dinheiro que receberá do nosso novo acordo petrolífero. Essas compras incluirão, entre outras coisas, produtos agrícolas americanos, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos Estados Unidos para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela", escreveu o presidente norte-americano, na publicação.
O republicano também afirmou que a Venezuela está disposta a manter os Estados Unidos como seu principal parceiro comercial. O governo do país sul-americano passou a ser liderado por Delcy Rodríguez, presidente interina desde segunda-feira, após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, pelas Forças Armadas dos EUA em uma operação no fim de semana.
"A Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os Estados Unidos da América como seu principal parceiro – uma escolha sábia e muito benéfica para o povo venezuelano e para os Estados Unidos. Agradeço a sua atenção a este assunto!"
Trump tem pressionado Delcy Rodríguez a reforçar os laços econômicos com os EUA. Nesta terça-feira, o ele detalhou que a venda de petróleo ao país poderá gerar aproximadamente US$ 2,8 bilhões, considerando os preços de mercado atuais. A receita obtida será mantida em contas do Tesouro dos EUA, com o argumento de proteger os fundos de credores venezuelanos, informaram fontes próximas ao governo à Bloomberg.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os Estados Unidos já iniciaram a comercialização do petróleo bruto venezuelano. Em entrevista à rede CNBC, o secretário de Energia, Chris Wright, declarou que o país não está se apropriando dos recursos e que os fundos arrecadados serão utilizados em benefício da população da Venezuela.
Wright também disse que os valores obtidos com a venda do petróleo não serão utilizados, neste momento, para indenizar empresas norte-americanas como Exxon Mobil e ConocoPhillips, cujos ativos foram nacionalizados na década de 2000 pelo então presidente Hugo Chávez. O secretário afirmou que a compensação a essas empresas será tratada como uma questão de longo prazo.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)