Ucrânia e aliados estabelecem bases da reconstrução no pós-guerra

O primeiro-ministro, Denys Shmyhal, que esteve presente na reunião e liderou uma forte delegação ucraniana, estimou que serão necessários pelo menos US$ 750 bilhões
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky: líder cobra comunidade internacional nos esforços para reconstruir o país (Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Reuters)
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky: líder cobra comunidade internacional nos esforços para reconstruir o país (Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Reuters)
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AFP

Publicado em 05/07/2022 às 13:08.

Última atualização em 05/07/2022 às 13:17.

Ucrânia e seus aliados chegaram a um acordo nesta terça-feira, 5, na Suíça sobre os princípios que deverão conduzir a reconstrução do país depois da guerra, que incluem o combate à corrupção e reformas para impulsionar a transparência.

No encerramento da reunião de dois dias entre dirigentes de 40 países, representantes de instituições internacionais e empresários em Lugano, sul da Suíça, os participantes assinaram um programa com os principais eixos da reconstrução do país.

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky advertiu que a tarefa será "colossal".

O primeiro-ministro, Denys Shmyhal, que esteve presente na reunião e liderou uma forte delegação ucraniana, estimou na segunda-feira que serão necessários pelo menos US$ 750 bilhões.

O presidente da Confederação Suíça, Ignazio Cassis, afirmou que a conferência marca "uma primeira etapa no grande caminho da reconstrução da Ucrânia".

"Nosso trabalho prepara o período de pós-guerra, apesar do conflito continuar", acrescentou.

O objetivo, segundo o primeiro-ministro ucraniano é que "tudo o que foi destruído fique melhor do que era antes".

A Declaração de Lugano afirma que seus signatários "se comprometem, plenamente, a apoiar a Ucrânia ao longo de sua trajetória" e reconhecem que o próprio país deve estar à frente da reconstrução.

Erradicar a corrupção

A perspectiva de que o país receba bilhões de dólares de ajuda gera preocupações sobre a corrupção, endêmica no país.

A declaração comum insiste que o "Estado de direito debe ser reformado de forma sistemática e que a corrupção deve ser erradicada".

O documento destaca que "o processo de recuperação deve contribuir para acelerar, aprofundar, ampliar e vencer os esforços para a reforma, (...) deve ser transparente e prestar contas ao povo ucraniano".

O texto insiste que o processo deve ser "inclusivo e garantir a igualdade de gênero", e pede que a reconstrução da Ucrânia seja "sustentável".

O primeiro-ministro ucraniano indicou que seu país está disposto a atuar rapidamente. "Quando dizemos que estamos preparados para atuar com rapidez, estamos falando sério".

Ele também celebrou o fato de duas conferências de acompanhamento já estarem previstas: uma, liderada pela União Europeia, em alguns meses; e uma nova conferência sobre a reconstrução da Ucrânia, no Reino Unido, no ano que vem.

"Estou convencido de que, dentro de um ano, não falaremos mais de um rascunho de plano, mas de resultados, de projetos bem-sucedidos e de oportunidades concretizadas", reforçou Chmygal.

O primeiro-ministro ucraniano pediu aos aliados que os ativos russos bloqueados pelas sanções sejam entregues à Ucrânia.

Já Cassis, que dirige um país apreciado por magnatas russos para investir ou guardar suas fortunas, destacou a importância de respeitar a lei e a propriedade privada.

Segundo o ranking de 2021 da ONG Transparência Internacional, a Ucrânia está em 122º lugar entre 180 países, um leve avanço em relação a 2014, quando ocupava o posto 142º da lista.

Este nível, no entanto, está longe da realidade do bloco europeu, onde até mesmo um país atrasado como Bulgária ocupa a posição 78.