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Ucrânia declara a guerra à cultura pró-russa

Após perder no ano passado na Crimeia, Kiev concluiu também que estava sendo derrotada por Moscou em uma guerra informativa dentro do próprio território


	Kiev: "lista negra" do governo tem mais de 600 nomes de artistas que se disseram favoráveis à anexação da Crimeia
 (Getty Images/Joern Pollex)

Kiev: "lista negra" do governo tem mais de 600 nomes de artistas que se disseram favoráveis à anexação da Crimeia (Getty Images/Joern Pollex)

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Da Redação

Publicado em 9 de agosto de 2015 às 15h11.

Kiev - A Ucrânia abriu uma nova frente no conflito com a Rússia e com o chamado "mundo russo", ao declarar uma guerra sem armas às personalidades que apoiaram a anexação da Crimeia por Moscou ou a sublevação rebelde no leste do país.

Após perder no ano passado na Crimeia e parte de Donetsk e Luganks, Kiev concluiu também que estava sendo derrotada por Moscou em uma guerra informativa dentro do próprio território, nas regiões do leste e sul do país onde a maioria da população fala russo.

Desde então, as novas autoridades ucranianas que assumiram depois da revolução do Maidan, que derrubou em fevereiro de 2014 o regime de Viktor Yanukovich, têm se dedicado a impedir que os cidadãos tenham acesso a qualquer meio ou conteúdo suspeito de elogiar a Rússia. Ou pior, que coloque em dúvida o prejuízo causado à Ucrânia desde o início do conflito.

No sábado, o Ministério da Cultura da Ucrânia publicou uma lista negra com os nomes de 14 personalidades do mundo da cultura. Eles representam, segundo Kiev, "uma ameaça para a segurança nacional".

Nessa lista figuram, entre outros, os populares atores russos Sergei Bezrukov, Mikhail Boyarski e Mikhail Porechenkov. Também estão os não menos famosos cantores Iosif Kobzon, Oleg Gazmanov, Grigori Leps e Nikolai Rastoguyev. Alguns deles fazem sucesso desde os tempos da antiga União Soviética.

Esses cantores não poderão fazer shows na Ucrânia. Também ficam vetados - tanto nos cinemas, como na televisão - os filmes nos quais alguns dos atores que figuram na relação estejam no elenco.

A nova "lista negra" de Kiev se soma a outra com mais de 600 nomes de artistas russos e de outros países que se disseram favoráveis à anexação da Crimeia, a sublevação dos rebeldes pró-russa no leste do país ou criticaram o governo ucraniano.

A relação o ator francês Gérard Depardieu, que colocou a soberania ucraniana em dúvida em várias ocasiões, após receber a cidadania russa em janeiro de 2013. Em agosto do ano passado, durante um festival de cinema na Letônia, Depardieu disse que amava a Rússia e a Ucrânia, "que é parte da Rússia".

O ator americano Steven Seagal, o compositor bósnio Goran Bregovic e o cineasta sérvio Emir Kusturica são outros que estão entre os banidos por Kiev.

Já o ator russo Mikhail Porechenkov pode ser condenado a até 12 anos de prisão na Ucrânia, depois de ter sido acusado de disparar contra posições das tropas do país nos arredores de Donetsk, no final do ano passado.

O processo foi aberto após a divulgação de um vídeo que mostra Porechenkov, com um colete a prova de balas e um capacete no qual podia se ler a palavra "Imprensa". Ele disparava com uma metralhadora desde uma base das milícias separatistas pró-russas.

Por outro lado, o governo da Ucrânia elaborou uma segunda lista, na qual estão artistas que apoiaram a causa do país. Estão na relação, além de vários russos, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, e os atores George Clooney, Arnold Schwarzenegger e Jared Leto.

Em uma de suas primeiras medidas para começar a virar a guerra informativa contra Moscou, a Ucrânia proibiu a transmissão de canais de televisão russos no país, os mais vistos na maior parte dos territórios onde a população fala russo.

Pouco depois, proibiu a difusão de todos os filmes e séries russas produzidas a partir de 2014, em geral, e todo o material audiovisual russo que "glorifique as forças armadas e de segurança do Estado agressor", em particular.

As autoridades ucranianas seguem denunciando que a Rússia fornece armamentos aos separatistas, além de prestar apoio através de instrutores militares e, em alguns casos, tropas regulares. 

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