Se ratificado, o montante destinado à Defesa terá um acréscimo de meio trilhão de dólares em comparação ao orçamento vigente (Brendan Smialowski/AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 3 de abril de 2026 às 17h19.
O governo de Donald Trump apresentou, nesta sexta-feira, uma proposta orçamentária que prevê elevar os gastos militares dos Estados Unidos ao patamar recorde de US$ 1,5 trilhão para o próximo ano fiscal.
O plano, que ainda depende de aprovação do Congresso, busca financiar a continuidade do conflito com o Irã por meio de reduções severas em áreas sociais, auxílios e agências federais.
Se ratificado, o montante destinado à Defesa terá um acréscimo de meio trilhão de dólares em comparação ao orçamento vigente. Segundo Russell Vought, diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, a medida cumpre a promessa de campanha de priorizar a infraestrutura de segurança nacional em um cenário global de instabilidade.
Para viabilizar o reforço bélico, a Casa Branca propõe um corte linear de 10% em praticamente todos os gastos não militares. O ajuste aprofunda reduções já aplicadas em setores como saúde, segurança alimentar e ajuda internacional. Entre os pontos de maior impacto estão:
Meio Ambiente: A Agência de Proteção Ambiental (EPA) sofreria uma redução de 52% em seus recursos, refletindo a agenda climática do governo.
Ciência e Educação: A Nasa perderia 23% de sua verba, resultando no cancelamento de diversas missões científicas. O Departamento de Educação, alvo de tentativas de extinção por parte de Trump, teria um novo corte de 2,9%.
Agricultura e Comércio: As pastas perderiam, respectivamente, 19% e 12,2% de seus orçamentos.
O governo também celebrou o encerramento de órgãos considerados "ineficientes", como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Segundo Vought, essas extinções geraram uma economia próxima de US$ 2 bilhões.
A proposta foi enviada ao Legislativo acompanhada de duras críticas à gestão anterior, de Joe Biden. Na carta enviada aos parlamentares, o diretor de orçamento afirmou que a "ineficiência fiscal" chegou ao fim e que o país agora segue na direção correta.
O texto precisa agora tramitar pelas duas casas legislativas, onde deve ser aprovado por maioria simples para entrar em vigor em outubro, início do novo ano fiscal.