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Trump formaliza 'Conselho da Paz' nesta quinta-feira, 22

Conselho da Paz será lançado em Davos com adesão de aliados do Oriente Médio e líderes acusados de violações internacionais

Trump: presidente americano assina hoje projeto do Conselho da Paz  (Mandel NGAN/AFP)

Trump: presidente americano assina hoje projeto do Conselho da Paz (Mandel NGAN/AFP)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 05h19.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai formalizar nesta quinta-feira, 22, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, a criação do Conselho da Paz, um novo órgão internacional proposto como alternativa às instituições multilaterais atuais. Cerca de 35 países devem assinar o acordo de adesão, segundo autoridades norte-americanas.

Inicialmente previsto para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, o conselho ampliou sua missão para mediar conflitos em escala global. O documento fundador prevê que Trump presida o órgão por tempo indeterminado. Entre os membros do conselho executivo estão Jared Kushner, o secretário de Estado Marco Rubio e o ex-premiê britânico Tony Blair.

Adesão de regimes autoritários e cobrança por assento

A estrutura do novo conselho inclui a cobrança de US$ 1 bilhão por assento permanente. O valor seria destinado a projetos de reconstrução, segundo o governo dos EUA. A exigência foi criticada por diplomatas e governos aliados, que apontam riscos de concentração de poder e falta de transparência. Na quarta-feira, 21, o governo americano afirmou que o valor bilionário não é uma exigência e tem caráter voluntário.

Até o momento, a lista de participantes inclui monarquias do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de Egito, Turquia, Hungria, Marrocos, Paquistão e Israel. Também aceitaram o convite Argentina, Paraguai, Vietnã, Indonésia e ex-repúblicas soviéticas como Cazaquistão e Uzbequistão.

O presidente de Bielorrússia, Alexander Lukashenko, confirmou adesão. O premiê israelense Benjamin Netanyahu, alvo de mandado de prisão internacional, também integra o grupo.

Rejeições e dúvidas entre aliados ocidentais

Países europeus expressaram resistência ao formato. França e Noruega recusaram o convite. A Itália mencionou possíveis obstáculos constitucionais. O Canadá negocia condições específicas. Irlanda e China ainda não definiram posição.

O presidente da Ucrânia descartou participação devido à presença de Rússia e Belarus entre os convidados. O governo russo ainda não confirmou adesão, mas analisa utilizar ativos congelados nos EUA para pagar o valor exigido.

Conflito com a estrutura da ONU

O Conselho da Paz foi legitimado inicialmente por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, apenas no que diz respeito à situação em Gaza. No entanto, sua ampliação e a liderança indefinida de Trump geraram críticas sobre uma tentativa de esvaziamento da Organização das Nações Unidas.

O novo conselho propõe mandatos de três anos para membros rotativos, com possibilidade de tornar a participação permanente mediante pagamento. A carta fundadora menciona a ineficácia de instituições atuais, sem citar nomes, e não faz menção específica à ONU.

Autoridades internacionais alertam que a sobreposição de estruturas pode comprometer mecanismos já existentes de cooperação e mediação internacional. O financiamento baseado em contribuições bilionárias é outro ponto considerado sensível por países que defendem a universalidade do sistema multilateral.

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